Parlamento debate inclusão de menu vegetariano em todas as cantinas públicas

(Miguel Baltazar)

“Uma dieta sustentável “deve ter um baixo impacto ambiental contribuindo para padrões elevados de segurança alimentar e de saúde das gerações futuras”, defende André Silva.

O Parlamento debate na quinta-feira a inclusão de uma opção vegetariana em todas as cantinas públicas, uma proposta legislativa do partido PAN – Pessoas-Animais-Natureza assente “em motivações de saúde, éticas, ambientais, pedagógicas e inclusivas”.

Em Março deu entrada na Assembleia da República uma petição pela inclusão de opções vegetarianas nas escolas, universidades e hospitais portugueses.

Das cerca de 15.000 assinaturas recolhidas, foram validadas e entregues cerca de 12.000, que representam “a vontade de muitos portugueses que, por opção ou necessidade, motivados por aspectos éticos, ecológicos ou de saúde, seguem regimes de alimentação que diferem da norma, nomeadamente uma alimentação vegetariana”, refere o PAN.

Para André Silva, subscritor do projecto de lei e único deputado do PAN na Assembleia da República, “Portugal possui as condições necessárias para adoptar uma dieta vegetariana”, uma vez que tem “uma produção vegetal de elevada qualidade, com variedade sazonal e diversificada”.

“A nossa tradição gastronómica baseia-se em produtos de origem vegetal, que vão desde a sopa de hortícolas a uma grande variedade de frutas, passando ainda pelo pão e pelo azeite”, afirma o deputado no documento.

Salienta ainda o “evidente impacto” da alimentação na saúde, lembrando a publicação “As linhas de orientação para uma alimentação vegetariana saudável”, lançada pela Direcção-Geral da Saúde em 2015, “onde claramente reconhece os benefícios de uma alimentação baseada em produtos de origem vegetal”.

Por outro lado, defende André Silva, uma dieta sustentável “deve ter um baixo impacto ambiental contribuindo para padrões elevados de segurança alimentar e de saúde das gerações futuras”.

A oportunidade para a inclusão de uma alternativa vegetariana em todas as cantinas públicas tem motivações pedagógicas, ambientais e de saúde, mas também é uma forma de “impedir a discriminação das pessoas que já seguem esta dieta mas que dificilmente conseguem fazer uma refeição fora das suas casas”.

“Esta questão torna-se especialmente relevante quando se tratam de crianças e jovens, os quais são também cada vez mais a seguir este tipo de alimentação e sentem-se muitas vezes discriminados nas escolas, pelos colegas, professores, auxiliares, por comerem comida diferente, necessariamente trazida de casa”, salienta André Silva.

Para o deputado, “é importante que sejam asseguradas as condições para que todos possam seguir as suas dietas sem qualquer tipo de discriminação”, mas também é de “extrema importância informar e sensibilizar as pessoas para o impacto que a sua alimentação tem na natureza mas também na sua própria saúde”. (Jornal de Negocios)

por Lusa

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