O futuro do BCP passa também por Isabel dos Santos

CELSO FILIPE Director adjunto do Jornal de Negócios (Foto: D.R.)

Expurgando a componente política, a nomeação de Isabel dos Santos vai ter impacto em Portugal, concretamente no futuro do BCP.

A nomeação de Isabel dos Santos como presidente do conselho de administração da Sonangol pode ser interpretada sob diversos pontos de vista, a começar pelo da estupefacção externa, mas também interna, de ver um pai, José Eduardo dos Santos, na qualidade de Presidente da República, escolher a filha, Isabel dos Santos, para ocupar um lugar decisivo na maior empresa do país, a Sonangol.

A estupefacção diminui se nos lembrarmos que não se trata de uma situação inédita, visto que José Eduardo dos Santos já havia nomeado o filho, José Filomeno dos Santos, para a administração do Fundo Soberano do país.

Expurgando a componente política, a nomeação de Isabel dos Santos vai ter impacto em Portugal, concretamente no futuro do BCP.

Um decreto presidencial já definiu as coordenadas da acção futura da Sonangol, estabelecendo que a petrolífera se deve concentrar no seu “core” e que todos os outros interesses passam para a alçada do Estado.

Na prática isto significa que a Sonangol vai sair a prazo do BCP, onde é o maior accionista com 17,84% do capital.

Como não é plausível que o Estado angolano queira ser accionista do banco, todos os caminhos apontam na direcção de Isabel dos Santos e para que seja ela a definir a estratégia em relação ao destino desta participação accionista.

Ou seja, por portas e travessas, o destino de dois bancos portugueses, o BCP e o BPI, está condicionado pela estratégia de Isabel dos Santos.

Sabendo que o redesenho do sector financeiro português é uma prioridade, por força da venda do Novo Banco e das necessidades de capital da CGD, fica por saber qual o papel que será desempenhado pelo BPI e pelo BCP.

No BPI, Isabel dos Santos tem mantido um prolongado braço-de-ferro com os espanhóis do CaixaBank. No BCP emerge agora como a figura que tem a chave do cofre. O período que se segue vai ser de mosquitos por cordas. A única certeza é que o poder de Isabel dos Santos se tornou agora ainda maior. Em Portugal e em Angola. (jornaldenegocios)

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