Noruega ou Suíça? Entenda os modelos que o Reino Unido poderá escolher

Artigo 50 do Tratado de Lisboa da União Europeia que trata sobre a saída de estados membro. (REUTERS/Francois Lenoir/Illustration)

Que relação o Reino Unido terá a partir de agora com a União Europeia? A resposta pode passar por dois modelos existentes hoje de países que estão no continente, mas não que decidiram não pertencer ao bloco – assim como os britânicos decidiram nesta quinta-feira (23). No horizonte, duas realidades distintas: Noruega e Suíça.

A hipótese mais simples seria o Reino Unido seguir a Noruega e se tornar membro do Espaço Econômico Europeu (EEE), o que lhe garantia acesso aos mercados. O modelo também é adotado pela Islândia.

Neste caso, Londres terá que se submeter às regras já estabelecidas por este mercado, sem ter o direito de participar de sua elaboração. Além disso, deverá pagar uma contribuição financeira bastante alta.

Outro cenário seria seguir o exemplo suíço, o que é considerado menos plausível pelo consultor Jean-Claude Piris, antigo jurista-chefe do Conselho da União Europeia.

Em um estudo sobre o Brexit, ele destaca que a Suíça decidiu fazer mais de uma centena de acordos setoriais específicos com a União Europeia – à exceção do setor de serviços. O modelo teria deixado os dirigentes do próprio bloco insatisfeito, segundo Piris.

“Satélite da UE”

Entre as outras opções do Reino Unido há ainda a possibilidade de construir um acordo de livre-comércio com a União Europeia ou uma união-aduaneira, como fez a Turquia. Em caso de fracasso em qualquer uma dessas alternativas, o Reino Unido “se tornaria simplesmente um Estado à parte em relação ao bloco, como os Estados Unidos ou a China”, diz Piris.

Para o consultor, o melhor para o Reino Unido seria “se tornar um tipo de satélite da União Europeia”. Do contrário, teria de enfrentar barreiras altas entre sua economia e seu principal mercado. (RFI)

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