“Nomeação de Teodorin Obiang é amoral e inaceitável” diz opositor

Teodoro Obiang Nguema, Presidente da Guiné Equatorial (DW)

O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, nomeou na quarta-feira (22.06.) através de um decreto o seu filho Teodorin Obiang, vice-presidente da República encarregue da Defesa e da Segurança.

Como prevê a Constituição da Guiné Equatorial, esta nomeação vem na sequência da dissolução da equipa governamental, a 17 de junho, após a eleição presidencial de abril último. Recorde-se que Teodoro Obiang Nguema, foi reeleito com 93,7% dos votos expressos para o cargo de Presidente deste pequeno país africano com 750 mil habitantes, membro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e importante produtor de petróleo.

Teodor Obiang Nguema, que chegou ao poder em 1979 através de um golpe de Estado, é o decano dos chefes de Estado pela longevidade no cargo. A nomeação do filho Teodorin, de 47 anos de idade, é já interpretada como sinal da sua esperada sucessão ao pai no cargo de presidente, disse à DW África, Andres Esono Ondo, Secretário Geral da Convergência para a Democracia Social (CPDS), na oposição.

“A oposição criticou esta nomeação porque em primeiro lugar o Presidente quer a todo o custo promover o seu filho ao cargo de vice-presidente para o passo seguinte ser a demissão do Presidente a favor do filho . Por isso estamos a viver na Guiné Equatorial a conversão de um Estado republicano numa monarquia. Obiang tenta fazer o que alguns outros estadistas africanos já realizaram com sucesso, como é o caso de Gnassimbe Yadema no Togo, Omar Bongo no Gabão e Laurent Kabila na República Democrática do Congo. Trata-se de uma conceção do poder igual a uma herança que os pais devem deixar aos filhos.”

Teodorin Obiang tem usado indevidamente os recursos do Estado

Para Andres Ondo, a nomeação de Teodorin Obiang visa ainda um outro objetivo.

“É também uma forma de conceder ao filho uma imunidade diplomática para que o processo em curso em França não tenha como resultado uma condenação. Mas como o poder judicial em França é independente espero que a justiça seja feita”.

Recorde-se, que o filho de Obiang está a braços com um processo na justiça francesa num caso chamado “bens mal adquiridos”, nomeadamente a constituição em França de um considerável património imobiliário, adquirido com fundos públicos da Guiné Equatorial.

Oposição na Guiné Equatorial “manietada”

Entretanto, depois de considerar a nomeação de Teodorin Obiang de “legal mas amoral e portanto inaceitável”, o secretário geral da CPDS lamentou que a oposição no seu país esteja simplesmente “manietada”.

“Não podemos fazer uma oposição construtiva porque estamos a viver num ambiente de grande hostilidade política que emana do poder. Pelo facto temos vindo a denunciar este quadro junto da comunidade internacional. O nosso apelo vai em primeiro lugar à CPLP que aceitou a Guiné Equatorial como membro, mesmo sabendo que o Governo de Malabo é tudo menos democrático, um Governo que ainda aplica a pena capital, um Governo que destroi e impede a aplicacão dos direitos humanos. A comunidade internacional deve tomar medidas para pressionar Malabo a respeitar os princípios democráticos”.

Teodoro Obiang Nguema, de 73 anos, dirige o seu país com mão de ferro. O regime é regularmente criticado, nomeadamente, pelas organizações de defesa dos direitos do homem, pela repressão dos opositores, das organizações independentes da sociedade civil e dos média, bem como pela grande corrupção que atinge práticamente todos os escalões do Estado. (DW)

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