Mulher mais rica da África dá mais um passo rumo ao poder em Angola

Isabel dos Santos, em Porto, no dia 3 de maio de 2014 (AFP/Arquivo)

Conhecida como “a princesa” em Angola, Isabel dos Santos é uma empresária aguerrida e a mulher mais rica da África. Seu pai, o presidente angolano, nomeou-a para a presidência da companhia nacional petrolífera – talvez um primeiro passo para uma carreira política.

José Eduardo dos Santos, de 73, que dirige o país com mão de ferro desde 1979, anunciou em Março sua intenção de deixar o governo em 2017, e algumas vozes garantem que pretende promover sua filha para ocupar o cargo.

A recente nomeação de Isabel à frente da Sonangol alimenta essas especulações a apenas dois meses para o congresso do MPLA, o partido da situação. A empresa é estratégica, já que Angola é o segundo produtor africano de petróleo.

“Pela primeira vez, o presidente fez um movimento que revela seus planos” para sua sucessão, declarou à AFP a pesquisadora da Universidade de Oxford e especialista em Angola, Paula Roque.

“É um indício claro de que o presidente quer pôr em marcha um plano para transmitir o poder e concentrá-lo nas mãos de sua família”, completou.

“Uma opção seria transformá-la em uma vice-presidente dotada de todos os poderes (…) até que o substitua”, comenta o escritor Rafael Marques, bastante crítico do governo.

Segundo analistas angolanos, um dos principais rivais de Isabel dos Santos é seu próprio irmão, José Filomeno. Ele foi nomeado há três anos para chefiar o fundo soberano do país, que administra US$ 5 biliões, e é considerado um possível sucessor de José Eduardo dos Santos.

No sábado (4), um grupo de advogados denunciou o nepotismo e informou sua intenção de recorrer à Justiça contra a nomeação da filha do presidente na Sonangol.

A ação tem, porém, poucas chances de prosperar: Isabel dos Santos já lidera um império financeiro que faz dela, de acordo com a revista americana Forbes, a mulher mais rica da África.

‘Muito independente’

Seu património está estimado em pelo menos US$ 3,3 biliões, boa parte investida em Portugal, antiga potência colonial de Angola, relata a Forbes.

Ela nasceu em 1973, em Baku, no Azerbaijão soviético, onde seu pai estudava Engenharia. Cresceu em Londres, onde cursou Engenharia Mecânica e Eléctrica.

Isabel voltou para Angola em 1992, quando seu pai assinou um acordo de paz com o líder rebelde Jonas Savimbi. Três anos depois abriu o restaurante Miami Beach. Tinha 24 anos.

Em 1999, venceu uma licitação para se tornar o principal operador de telefonia móvel em seu país, a Unitel.

Actualmente, controla 19% do quarto maior banco de Portugal, o BPI, e tem acções em várias companhias portuguesas, incluindo 10% da Zon Multimedia. No ano passado, comprou 65% do grupo energético português Efacec, uma transacção criticada pelos eurodeputados, os quais pediram a abertura de uma investigação sobre suas fontes de financiamento.

Em Abril de 2016, em entrevista ao americano The Wall Street Journal, descartou irregularidades.

“Não me financio com dinheiro público, nem com fundos públicos. Não faço isso. Sou completamente independente. Sempre quis me fazer valer por mim mesma”, garantiu ao jornal.

Isabel é casada com o empresário congolês e coleccionador de arte Sindika Dokolo e tem três filhos. (AFP)

por Susan NJANJI

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