Ministro da Saúde defende abordagem holística na luta contra HIV/SIDA

Ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, trabalha em Nova Iorque (arq.) (Foto: Pedro Parente)

O ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo, declarou quinta-feira que a epidemia do VIH/SIDA continua a ser um grande desafio na África Subsahariana que compromete a saúde das populações e o desenvolvimento, considerando que a situação actual requer uma abordagem holística e soluções inovadoras que tenham em conta as perspectivas globais e locais.

O dirigente, que intervinha na Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre o HIV/SIDA, que decorre de 8 a 10 do corrente mês, em Nova Iorque, defendeu essa forma de luta devido à diversidade do mundo e à complexidade do problema, conforme reconhece a Declaração Política adoptada na sessão.

Segundo o responsável, apesar das conquistas “sem precedentes” em deter e reverter a propagação do HIV/SIDA ao longo dos últimos 15 anos, a África Sub-sahariana tem a maior taxa de prevalência do HIV/SIDA no mundo, continuando a ser um desafio que exige esforços redobrados.

Relativamente a Angola, frisou que a taxa de seroprevalência da infecção por HIV é de 2,4% e o número estimado de pessoas que vivem com HIV/SIDA é 500.000, acrescentando que o Programa Nacional de Controlo do SIDA é uma prioridade do país.

O ministro, que esteve acompanhado pelo representante Permanente de Angola junto da ONU, embaixador Ismael Gaspar Martins, realçou que o Governo traçou um Plano Estratégico Nacional para o HIV/SIDA tendo em conta o contexto epidemiológico e os compromissos internacionais assumidos no âmbito das Nações Unidas e da União Africana.

“Sob a liderança política do Presidente José Eduardo dos Santos, o Governo de Angola e o seu povo estão empenhados em acelerar a resposta nacional ao HIV/SIDA e alinhar-se com as principais estratégias descritas na Declaração Política sobre o HIV e o SIDA”, assegurou o governante.

A propósito, garantiu que Angola está empenhada em rever as prioridades e acelerar a resposta para alcançar as metas de 90% em relação à testagem, aconselhamento e acesso aos medicamentos anti-retrovirais.

Disse que o Governo angolano comprometeu-se a suprir as necessidades essenciais das pessoas que vivem com e em risco do HIV em toda a sua vida, com base em evidências epidemiológicas e priorizando as populações-chave de acordo com a legislação nacional.

O Governo angolano assumiu igualmente o compromisso de alocação de recursos financeiros nacionais, combinado com financiamento internacional, e investir mais na capacidade de monitorização e avaliação do Programa Nacional de Luta contra o SIDA.

A finalizar, Luís Gomes Sambo afirmou que, apesar de alguns aspectos discutíveis, Angola subscreve a Declaração Política sobre o HIV/SIDA adoptada durante a sessão por achar que é uma ferramenta poderosa para guiar a resposta a nível dos países e, nesta perspectiva, Angola vai trabalhar com parceiros nacionais e internacionais para traduzir a Declaração Política em acções concretas.

A delegação chefiada pelo do ministro da Saúde, que discursou quinta-feira na Assembleia Geral da Nações Unidas, integra o director-geral adjunto do Instituto Nacional de Luta contra Sida, José Carlos Van-Dúnbem, e diplomatas da Missão Permanente de Angola junto da ONU.

Entre os compromissos estabelecidos na Declaração, os Estados devem remover os obstáculos que limitam a capacidade dos países de baixo e médio rendimento para fornecer tratamento acessivel para o HIV, intensificar os esforços para fornecer aos adolescentes e jovens informações sobre saúde sexual e reprodutiva e prevenção do HIV, bem como eliminar o estigma e a discriminação para assegurar o acesso universal ao tratamento das pessoas infectadas.

Na abertura da reunião, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, alertou: “Se não agirmos, existe o perigo da epidemia se restabelecer em países de baixo e médio rendimento”.

Acrescentou que uma acção agora poderia evitar um número estimado de 17,6 milhões de novas infecções e 11 milhões de mortes prematuras até 2030.

Por seu lado, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft, ressaltou que acabar com a epidemia do SIDA “seria uma das maiores conquistas do nosso tempo”, salientando que “num mundo de possibilidades incríveis seria difícil acreditar que 6.000 novas infecções por HIV ocorriam diariamente e que 36,9 milhões de pessoas estavam vivendo com SIDA”. (ANGOP)

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