Mercado do Quilómetro 30 fonte de aquisição de citrinos

Comerciante de laranja proveniente de províncias produtoras exibe a abundância cítrica nacional no mercado do Quilómetro 30 onde se pode comprar também tangerina e limão fresquinhos. (Foto: Contreiras Pipa)

As províncias de Benguela e Cuanza Norte são as principais fornecedoras do mercado de Luanda onde chegam camiões carregados num sinal claro de que os campos respondem às exigências actuais.

O “Mercado 30” está situado nos arredores de Luanda. É uma referência quando a questão está ligada à aquisição de produtos do campo. Com a abertura das estradas, Luanda ficou mais perto. A confluência comercial rural cresceu.

Os camponeses responderam rapidamente aos novos tempos. O resultado está aos olhos de quem lá vai. Prova disto mesmo está na produção de citrinos que diariamente enchem de cores e de bom aroma o mercado: um testemunho claro de que a paz motiva ao trabalho e à produção.

A reportagem do JE foi atrás de cítricos e a fartura comercial empurrou-nos para a conclusão de que o sumo natural não está comprometido. Ou seja, está bem servido em termos de matéria-prima cítrica.Há lá, aos montes, tangerina, limão, laranja e outras espécies que levam mesmo a “encher o peito” e a desafiar a tendência importativa.

A compota de goiaba e mamão, muito degustada em tempos idos, também pode ser fabricada aqui mesmo. A pulsação da nossa equipa para aquele “gigante” pode ser dada como muito frutífera.

Como sinal de que o país está mesmo a produzir, vimos camiões com capacidade de 15 a 20 toneladas carregados de fruta como laranja, ananás, tangerina e limão, enfim…

Os camiões carregados de fruta diversa provêm de vários pontos do país, desde o Norte, Sul, Leste ao Centro. As carrinhas estão apinhadas de gente, cada um de acordo com o seu bolso compra a fruta que mais gosta e barata.

Em cima de camiões, vendem a laranja em bacias de aproximadamente 20 quilos, a 500 kwanzas. Muitos compram-na para revender na entrada do mercado no valor de 100 kwanzas por cinco laranjas. Dentro do mercado, a revenda da fruta é certa. Há transbordo para pequenas carrinhas para a revenda em outros pontos de Luanda.

Santa Feio Abrantes compra sempre um camião de aproximadamente 5 toneladas de laranja ou limão a 200 mil kwanzas e posteriormente revende a 700 o balde de aproximadamente 5 quilos, extensivo ao maracujá, melancia e tangerina.

Está neste negócio há muito tempo e considera que a produção nacional está em alta, apesar de alguns frutos dependerem de uma determinada época. Ao seu lado, estão duas jovens na casa dos 20 anos que já estão nos meandros do negócio. A negociante tem dois trabalhadores eventuais que funcionam como estivadores.

Os produtos que vende vêm de Benguela, Cuanza Norte, Zaire e Lubango, onde o contacto do negócio é estabelecido por via telefónica.

“Assim que o meu produto acaba, telefono para o meu fornecedor que traz a mercadoria com tudo acertado e sem problema”, afirmou.

A entrevistada afirma que, nos meses de Janeiro e Fevereiro, o preço da fruta baixa substancialmente, quer na revenda, quer na compra pelo cliente. Exemplifica que um abacaxi que custa 1.000 kwanzas pode atingir a metade do preço.

Josefa Domingas está sentada ao lado e pratica o mesmo negócio. Acompanha a conversa e inevitavelmente entrosa. Afirma sem pestanejar que a produção nacional subiu e em sua opinião falta valorizar o produto nacional. Está nisso há três anos e também tem dois jovens a fazerem serviço de estiva.

Beatriz Rosa em pé e a deliciar uma melancia suculenta dedica-se unicamente à venda deste alimento, que considera barato. Faz as suas contas e diz que compra 10 toneladas de melancia ao preço de 700 mil kwanzas, a razão de 70 o quilo, e vende ao preço de mil kwanzas, basta ver o alimento para ficar com água na boca.

Conta-nos que está no mercado desde 8 de Dezembro de 2007. Vive do mesmo e gerou emprego temporário para quatro jovens. (jornaldeeconomia)

Por: António Eugénio

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