Massacre em Orlando coloca terror e controle de armas na agenda das eleições

O virtual candidato republicano à Presidência, Donald Trump, discursa na conferência da Coalizão Fé e Liberdade, em Washington, 10 de junho de 2016 (afp_tickers)

O candidato republicano na corrida pela Casa Branca, Donald Trump não hesitou em aproveitar o massacre na boate de Orlando para argumentar que ele é a pessoa certa para enfrentar o terrorismo, ao contrário de sua adversária, a democrata Hillary Clinton.

Com muitas das vítimas da chacina ainda a ser identificadas, e a polícia a investigar o atirador por seus supostos laços islamitas, Trump não perdeu tempo em tirar vantagem política da situação.

O polémico candidato criticou abertamente o presidente Barack Obama e Hillary de terem falhado na missão de impedir as acções do que ele chama de “Islão radical”.

“Porque nossos líderes são fracos, eu disse que isso ia acontecer… e só vai piorar”, afirmou, em uma declaração. “Estou a tentar salvar vidas e evitar o próximo ataque terrorista. Não podemos mais ser politicamente correctos”.

Trump deve insistir no mesmo discurso em seus comícios desta segunda em Manchester, New Hampshire. Originalmente, ele iria falar de Hillary, mas provavelmente vai mudar o tema para segurança nacional.

Enquanto o país tenta entender este que foi o mais violento ataque em solo americano desde os atentados de 11 de Setembro, Tim Malloy, director assistente das pesquisas da Universidade de Quinnipiac, afirma que a ameaça terrorista deve dominar o debate das eleições americanas a partir de agora.

“Será o tema principal até o dia da eleição”, declarou à AFP.

Torturas

Depois que os extremistas assassinaram 130 pessoas em Paris, em Novembro passado, e um casal muçulmano matou 14 em San Bernardino, Califórnia, Trump pediu que os muçulmanos fossem expulsos dos Estados Unidos.

Em Março, depois dos ataques terroristas em Bruxelas, Trump disse à NBC que sua insistência em derrotar o extremismo é o que provavelmente o faz ser o primeiro colocado nas pesquisas das intenções de voto.

As pesquisas realmente mostram que a maioria dos republicados apoiam a ideia de Trump de impedir a entrada de muçulmanos no país.

Trump e Hillary apresentam abordagem diametralmente diferentes em relação ao combate ao terror, e acusam-se mutuamente de não estarem aptos a comandar o país.

Trump repetidas vezes pediu que o país pare de receber refugiados do Médio Oriente, enquanto Hillary pede a expansão desse programa.

Ele diz que está preparar para autorizar novamente os métodos de tortura usados em interrogatórios de suspeitos de terrorismo e defende um controle das famílias desses suspeitos.

Trump também argumenta que os ataques de Paris teriam menos vítimas se as pessoas estivessem armadas e pudessem se defender.

De acordo com a pesquisa da Quinnipiac, os eleitores vêem Hillary muito mais preparada que Trump para lidar com uma crise internacional, mas vêem Trump mais apto a lidar com a ameaça do Estado Islâmico.

‘Abandone essa corrida’

Suas posturas ficaram evidentes, horas depois do ataque contra a boate gay de Orlando, em que o atirador solitário americano, filho de afegãos, aparentemente jurou lealdade ao grupo radical islamita.

“Se Hillary Clinton, depois deste ataque, ainda não consegue dizer as duas palavras ‘Islão radical’, então ela deve abandonar essa corrida pela presidência”, disparou Trump.

A ex-secretária de Estado mostrou-se mais prudente.

Ela declarou este ataque como “um ato de terror e um ato de ódio”, e afirmou que Washington deve redobrar os esforços para conter as ameaças terroristas em casa e no exterior.

Hillary visita Ohio nesta segunda-feira, em seu primeiro comício desde que obteve o número de delegados para ser a candidata democrata as eleições.

Obama iria aparecer publicamente com ela na quarta, mas adiou o evento por causa “do trágico ataque em Orlando”.

‘Pulso firme’

Hillary tem vantagens sobre Trump em termos de temas internacionais, mas “coisas podem acontecer nos meses ou semanas antes das eleições”, explica Norman Ornstein, do American Enterprise Institute.

“E se tivéssemos um ataque como o de Paris em Outubro?” questionou.

“Talvez as pessoas achem que não podemos confiar numa pessoa que nunca teve experiência. Mas talvez haja o apelo por um homem de pulso firme”.

Hillary Clinton argumenta que sua experiência – como primeira-dama, senadora e chefe da diplomacia faz dela a pessoa mais qualificada para a Casa Branca.

Recorda sempre aos eleitores que foi ela que pediu a Obama que autorizasse a missão de matar Osama bin Laden.

Com a chacina em Orlando, os democratas devem mais uma vez insistir na questão delicada do controle de armas, um tema que Hillary deve abordar em sua campanha.

“Precisamos manter armas como as usadas na noite passada longe das mãos de terroristas e outros criminosos violentos”, destacou. (AFP)

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