Loth: “Temos todos de corrigir os erros de palmatória na condução do nosso futebol”

Antigo artilheiro do 1º de Agosto, actualmente vogal da FAF. (Foto: D.R.)

O antigo artilheiro do 1º de Agosto e  actualmente  vogal de direcção da Federação Angolana de futebol (FAF), Manuel Loth, disse em entrevista exclusiva ao Jornal dos Desportos, que “temos de parar de enveredar por erros de palmatória que o nosso futebol tem, e sair da crise em que se encontra”.

“Temos de ter cuidado com a forma com que gerimos o nosso futebol. Tudo na vida obedece a um planeamento de concertação. Existe um relativo autocratismo na condução do nosso futebol, e isto, faz com que alguns agentes estejam afastados, de todo o processo. Não são tidos nem achados” alertou .

De acordo com a antiga estrela do nosso futebol, “ o desporto e o futebol em particular, é uma escola de virtudes e também de elevada socialização e humanização. Estes dois vectores quando unidos opõem-se à qualquer digladiação”.

Por isso, considerou que “temos de enveredar pelo caminho óptimo, o caminho curto, aquele que tem uma característica de abrangência. Temos de nos consciencializar que sozinhos não vamos a lugar nenhum,  desportivamente falando”, sublinhou.

“ Os craques podem ganhar um ou dois jogos, mas quem ganha os campeonatos é a equipa toda. As fulanizações são partes do problema e não da solução. Isto em si, já indica que a união na solução dos problemas do nosso futebol é um imperativo” , afirmou Loth.

O antigo avançado considera que “as fulanizações fazem com que as pessoas  desviem o foco do principal objectivo, que deve ser o de organizar-se primeiro desportivamente, e não  financeiramente para proveito próprio”.

“É necessário termos uma cultura, a de usar o nosso intelecto e os recursos colocados à nossa disposição para usá-los correctamente em favor da formação, quer nos escalões etários em favor da compra de materiais, quer da feitura de mais infra-estruturas a nível nacional e assim por diante”, sugeriu.
“É imperioso buscarmos uma cooperação internacional, com países com bom poder de conhecimento e reconhecimento a nível mundial, como  Portugal, que tem uma boa escola de formação, temos o exemplo de Luís Figo, Ronaldo e outros que são produtos internos deles, a Espanha e porque não a Alemanha e outros”, aconselhou

Conforme a antiga estrela do nosso futebol, é necessário que se invista mais na formação de formadores de futebol. “ Não basta a pessoa ter sido um bom jogador para ser um bom treinador. A formação técno – pedagógica é fundamental para se saber inculcar o abc do futebol na mente do aprendiz”, alertou.

APOSTAS
“Academia de Futebol
foi um grande passo”

Manuel Loth recordou que “ o futebol é a única modalidade não instrumentalizada. As demais, são feitas com as mãos, por isso, há a  necessidade de escolarizar o futebolista para que tenha inteligência e seja capaz  de “ordenar” o pé  a fazer os movimentos que a sua mente   intencionar.

“A partir dai teremos por onde escolher, para montarmos uma grande equipa, uma selecção nacional forte. A Academia de Futebol de Angola, foi um grande passo nesta direcção. Mas é necessário que se façam muitas AFAs, em função da dimensão do nosso país e das necessidades”, disse.

O ex-jogador do 1º de Agosto reconhece que “temos de ter em mente que o futebol traz muitos desgastes. Futebolisticamente falando, o jogador  de alta competição aos 33 anos  é velho, mas é  muito jovem para vida. Por isso, tem de haver continuidade nas substituições, e isso, só é possível com muitas  AFAs  a funcionar. Mas nesta altura de crise económica que vivemos vai ser muito difícil”.

TÍTULO
Loth elogia Gelson
e puxa pelo 1º  de Agosto

Manuel Loth acredita que desta vez o seu 1º de Agosto pode chegar ao décimo título. “Mas é preciso trabalhar com muita humildade. As outras equipas como o Libolo, Petro de Luanda e o  Kabuscorp, também têm obrigação moral de ganharem o campeonato. Por isso, se quisermos ganhar o campeonato tem de haver trabalho e muito profissionalismo”, concluiu.

Para Loth, “ o  Gelson, está no bom caminho. Mas deve ter cuidado para não cair na vaidade. Ele ainda tem muito que trabalhar, especialmente se for para o Sporting de Portugal, pois lá  a realidade é bem diferente do nosso campeonato..

Além de Gelson, o antigo craque do nosso futebol disse “que temos muitos bons valores em clara ascensão, e não preciso de dizer os seus nomes, pois eles sabem muito bem quem são e que por isso, devem trabalhar para amanhã  preencherem o vazio que vemos na nossa selecção nacional.

Alguns ex-jogadores do 1º de Agosto, do tempo de Manuel Loth, que são os alicerces  que transformaram o 1º de Agosto no colosso que é hoje, sentem-se marginalizados por não serem referenciados e nem tidos em conta, nos momentos de alegria do clube militar.

Manuel Loth, a este respeito, defende que “ a história é a narração imparcial de acontecimentos factuais do passado e do presente , e assim, é  uma visão míope apagar aqueles que por via do sacrifício, lágrimas e suor se constituíram nos pilares da ascensão do clube, que corre até aos dias de hoje”.

“Por muita dimensão que tenha uma borracha, não tem capacidade para apagar a historia”, recorda Manule Loth e acrescenta que “é eternamente errado enveredar para a esteira desta natureza, porque quem o faz ou quem o fez, também corre o risco de não fazer parte da historia”, disse.

Maneul Loth é da opinião que o Girabola 2016  está a ser muito bem disputado, apesar de, ainda faltar muita qualidade técnica e táctica. ” Em relação aos últimos anos, temos motivos para ficar um pouco satisfeitos com o nível do nosso futebol. Até porque,  não podemos exigir muito”, reconhece.

INVESTIMENTO
Ex-goleador militar defende aposta em técnicos nacionais

O antigo goleador considera que o país tem muitos treinadores jovens que estão a trabalhar duro, e que podem muito bem ocuparem-se de várias selecções, e por esta razão devem ser a prioridade.
Em cerca de 40 anos de existência, a Federação Angolana de Futebol, diz este dirigente, já contratou mais de 30 treinadores para a secção principal, com maior incidência para estrangeiros.

“ Isto indica ter muita pressa, imediatismo: Para atingir o quê?”, interroga-se  o ex- “camisola 10” do 1º de Agosto, que só para comparar recordou que a federação alemã que existe há mais de 115 anos teve dez treinadores.

“Isto, indica que estamos sem norte. Devagar também é pressa. A questão não está na velocidade em si, mas para a direcção que se pretende atingir. O número de treinadores que já passaram pelos Palancas Negras indica fartura e a fartura é o prenúncio de carência”, reparou.

“Como se justifica que se contrate alguém para um projecto razoável de três ou cinco anos, mas a meio do projecto se mande embora o individuo? É por isso, que estamos permanentemente a retroceder para a estaca zero. O nosso futebol encontra-se no estado que vemos, por causa deste tipo de filosofia”, desabafou Manuel Loth.

“Temos de parar de enveredar por erros máximos, erros de palmatória. Há a necessidade de rever a politica, porque senão, seremos os eternos infelizes, pois diz o velho ditado,  o pior cego não é  aquele que não  vê, mas o que tem olhos mas não quer ver. Por isso, temos de harmonizar as decisões para não nadarmos em águas turvas”, acrescdentou.  Com relação a valores que a FAF  paga a um treinador estrangeiro, em detrimento do nacional,  Manuel Loth é de opinião de que “não devia haver muita diferença. Aliás, o valor deve ser pago em função do cargo e não da nacionalidade do técnico”.

Por outro lado, o ex- pé canhão dos militares do rio seco acha que ” primeiro, deve-se recorrer ao produto interno quando se tratar de treinador para os Palancas Negras, e em último caso recorrer ao estrangeiro”.  (jornaldosdesportos)
AF


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