Lisboa jazzando na Primavera

JERÓNIMO BELO Crítico musical (Foto: D.R.)

À medida que a palavra “austeridade” vai mudando de tom e a esperança vai afinando em tom sustenido, mas maior, Lisboa, cheia de tonalidades verdes, é uma cidade alegre e movimentada, com uma significativa e variada oferta cultural.

Depois da Feira do Livro, no Parque Eduardo VII, onde os alfarrabistas presenteiam os visitantes com tesouros valiosíssimos, que andavam bem escondidos, “ao preço da uva mijona” (a maka vai ser o excesso de bagagem!) e de uma paragem “obrigatória” no Café Martinho da Arcada, onde Fernando Pessoa, o autor de “Tabacaria”, tomava bicas triplas e escrevia com aquela caligrafia muito inclinada para a frente a sua arte poética que – ainda hoje – nos encanta e perturba, a antevisão de um concerto que se aproxima no Instituto Italiano de Cultura, junto ao Largo do Rato.

 STEFANO BOIANI: À BORLA E A CINCO MINUTOS DO RATO

Tratava-se de um encontro – informal e de entradas livres – com o músico Stefano Bollani (Milão, 1972), que é um dos mais fascinantes pianistas europeus surgidos nos últimos anos. Conhecido especial- mente pela sua colaboração com o trompetista Enrico Rava (foi muito importante a sua participação para os discos “Easy Living” ou “New York Days” de Rava (Trieste, Itália, 1939), Bollani, pela aposta no rigor, numa grande seriedade e na intensa musicalidade tem estado a enriquecer, com o seu enorme talento, a maioridade descomplexada do chamado Jazz europeu.

Durante o encontro, Bollani falou do seu percurso musical e humano, das influências, dos músicos com quem trabalhou – e trabalha: Richard Galiano, Caetano Veloso, Aldo Romano, Lee Konitz, Pat Metheny, John Abercrombie, Chick Corea, e muitos outros. Falou dos seus amores musicais: a música napolitana, e sublinhou a sua paixão pelo cancioneiro brasileiro, que conhece como poucos.

No seu trabalho com músicos nórdicos “Stone in the Water”, que já passou algumas vezes no nosso “Jazz LAC”, o disco arranca com uma versão – e que versão! – de “Dom de Iludir” (Caetano Veloso) e a meio há “Brigas Nunca Mais” de Tom Jobim. Bollani, que já gravara um belíssimo “Bollani Carioca”, revela nessas “Bossas Baladas” as suas qualidades mais introspectivas e intimistas que fazem dele um excelente músico.

Também é um admirável cantor: deliciou os melómanos presentes com uma linda versão de “Desafinado” (Jobim e Newton Mendonça) e um contador de estórias, com música. Uma tarde a custo zero com lucro total.

KAMASI WASHINGTON,

SAXOFONISTA DE LOS ANGELS

 

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Surpreendeu o mundo com o seu disco triplo de 2015 “The Epic”. Um disco épico, enorme, muito bom. A sua obra de estreia. A 6 de Junho desembarcou no Porto com mais sete companheiros e tocou na Sala Suggia da Casa da Música. No dia seguinte rumou a Lisboa e aguardou pelas várias centenas de melómanos no Teatro Tivoli.

Trazia uma formação atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e Antonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Coleman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washington, que a meio do concerto de duas horas no duro e sempre a “abrir”– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, servido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, especialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo.

E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o contacto com a realidade e com o público completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte racismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano.

Jazz sem fundamentalismos. Temas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de proveniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ainda bate dentro de mim. (novojornal)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

no Teatro Tivoli. Trazia uma forma- ção atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e An- tonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Co- leman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washing- ton, que a meio do concerto de duas horas – no duro e sempre a “abrir”

– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, ser- vido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, es- pecialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo. E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o con- tacto com a realidade e com o pú- blico completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte ra- cismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano. Jazz sem fundamentalismos. Te- mas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de pro- veniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ain- da bate dentro de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

no Teatro Tivoli. Trazia uma forma- ção atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e An- tonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Co- leman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washing- ton, que a meio do concerto de duas horas – no duro e sempre a “abrir”

– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, ser- vido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, es- pecialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo. E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o con- tacto com a realidade e com o pú- blico completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte ra- cismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano. Jazz sem fundamentalismos. Te- mas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de pro- veniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ain- da bate dentro de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

no Teatro Tivoli. Trazia uma forma- ção atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e An- tonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Co- leman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washing- ton, que a meio do concerto de duas horas – no duro e sempre a “abrir”

– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, ser- vido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, es- pecialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo. E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o con- tacto com a realidade e com o pú- blico completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte ra- cismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano. Jazz sem fundamentalismos. Te- mas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de pro- veniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ain- da bate dentro de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

no Teatro Tivoli. Trazia uma forma- ção atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e An- tonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Co- leman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washing- ton, que a meio do concerto de duas horas – no duro e sempre a “abrir”

– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, ser- vido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, es- pecialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo. E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o con- tacto com a realidade e com o pú- blico completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte ra- cismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano. Jazz sem fundamentalismos. Te- mas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de pro- veniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ain- da bate dentro de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

com o seu disco triplo de 2015 “The Epic”. Um disco épico, enorme, mui- to bom. A sua obra de estreia. A 6 de Junho desembarcou no Porto com mais sete companheiros e tocou na Sala Suggia da Casa da Música. No dia seguinte rumou a Lisboa e aguardou pelas várias centenas de melómanos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

no Teatro Tivoli. Trazia uma forma- ção atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e An- tonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Co- leman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washing- ton, que a meio do concerto de duas horas – no duro e sempre a “abrir”

– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, ser- vido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, es- pecialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo. E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o con- tacto com a realidade e com o pú- blico completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte ra- cismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano. Jazz sem fundamentalismos. Te- mas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de pro- veniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ain- da bate dentro de mim.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

com o seu disco triplo de 2015 “The Epic”. Um disco épico, enorme, mui- to bom. A sua obra de estreia. A 6 de Junho desembarcou no Porto com mais sete companheiros e tocou na Sala Suggia da Casa da Música. No dia seguinte rumou a Lisboa e aguardou pelas várias centenas de melómanos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

no Teatro Tivoli. Trazia uma forma- ção atípica: ele, no saxofone tenor; dois bateristas: Ronald Bruner e An- tonio Austim; um trombone: Ryan Porter; nos teclados: Brandon Co- leman; Abraham Miles Mosley, em contrabaixo (um “senhor”a tocar com arco!); uma cantora: Patrice Quinn e o seu pai: Rickey Washing- ton, que a meio do concerto de duas horas – no duro e sempre a “abrir”

– se juntou aos “mais novos” em flauta e sax soprano. No Jazz não há guerra de gerações.

Um espectáculo bem, muito bem montado: Motown, século XXI. E Jazz vibrante dos nossos dias, ser- vido por jovens instrumentistas que “sabem-na toda”. Kamasi, es- pecialmente nos temas mais jazzy e lentos, sempre com grande sentido melódico, com uma técnica de res- piração perfeita, com som potente e cheio, afirmativo. E muitas, muitas referências, aqui e ali: Rollins, nas partes mais dançantes; Coltrane, nos momentos mais espirituais, Pharoah Sanders mais próximo do “Free”, e que nunca perdeu o con- tacto com a realidade e com o pú- blico completamente extasiado, rendido. Sugestões afro, batidonas hip-hop, as   “cidades   interiores” à volta de Los Angeles, (locais de grande pobreza e de um forte ra- cismo, sem emprego para uma juventude que não tem grande esperança no futuro), a dança, o grito, o orgulho afro-americano. Jazz sem fundamentalismos. Te- mas do alinhamento como “Claire de Lune”, de Debussy, “Cherokee”, “The Rhythm Changes” e “Final Thought” – tão distintos e de pro- veniências tão diversas – são uma prova da vitalidade do Jazz. Uma música aberta, intensa, sentida, enérgica, sofrida, imprópria para fundamentalistas; música que ain- da bate dentro de mim.

 

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