Inglaterra-Rússia, 1-1

(Mais Futebol)

Golaço de Eric Dier no combate de chefes do grupo B. Um jogo forte e intenso no relvado e lamentável pelos incidentes fora dele.

O Inglaterra-Rússia era o jogo de maior cartaz até ao momento, neste Euro 2016. Mas, infelizmente, a sua dimensão desportiva foi relegada para segundo plano pelos incidentes entre adeptos, que se prolongaram nos últimos dois dias, nas ruas de Marselha e, mais tarde, no próprio estádio Vélodrome. Nesse aspecto, foi como se o futebol tivesse recuado mais de 20 anos, aos tempos em que manifestações de hooliganismo eram frequentes nas grandes competições internacionais.

Já no que apenas diz respeito ao jogo entre os dois grandes candidatos ao primeiro lugar no grupo B, pode dizer-se que não defraudou expetativas. Uma Inglaterra convincente e dominadora dominou toda a primeira parte, graças às acelerações de Sterling e Lallana e à profundidade conferida por dois laterais de enorme dinâmica ofensiva, Walker e especialmente Rose. Com Rooney no meio-campo, longe da área, faltava, ainda assim, alguma fluidez nos serviços a Harry Kane, um ponta-de-lança por vezes demasiado solitário.

A excelente impressão deixada pelos ingleses, que iam para o descanso com um saldo de 9-1 em remates, quase relegou para segundo plano uma seleção russa que não pode ser desprezada nestas contas. O recomeço dos homens de Leonid Slutsky foi bem mais convicente, com Shatov e Kokorin a melhorarem muito a circulação de bola e a criarem alguns desequilíbrios na estrutura defensiva inglesa. Nessa altura deu nas vistas o trabalho posicional de Eric Dier, a âncora que permitia libertar Dele Alli, Rooney e Lallana, além do acelera Sterling, o jogador mais veloz em campo.

Já depois de Akinfeev, com uma defesa prodigiosa, a desviar a bola para a trave, ter negado um grande golo a Rooney, a Inglaterra conseguiu mesmo chegar ao golo, precisamente por Eric Dier, na cobrança exemplar, em força, de um livre na meia lua, que apanhou Akinfeev em contrapé (73 minutos).

Os ingleses pareciam ficar com o jogo na mão, mas acabaram por ser traídos no último assalto dos russos, já em período de descontos: após um canto, a bola chegou a Shennikov, que cruzou na esquerda para a cabeçada do central e capitão Vasili Berezutski, cuja trajetória em arco deixou Hart sem reação. Sobre a linha, Glushakov ainda tentou reclamar para si um golo que já era inevitável, e que penaliza uma Inglaterra incapaz de traduzir em golos a sua fase de domínio mais intenso.

Confirma-se assim o habitual enguiço dos ingleses, que não conseguem vencer os seus jogos de estreia em campeonatos da Europa. Mas, apesar de tudo, a equipa de Hodgson deixou uma imagem mais convincente do que a Leonid Slutsky. Uma impressão a confirmar na segunda jornada, quando ingleses e galeses se enfrentaram com o primeiro lugar no grupo em jogo. Já os russos, terão pela frente uma Eslováquia que, em princípio, deverá deixá-los ter mais bola do que nesta noite. Em resumo: um bom jogo, intenso, entre duas equipas fortes, manchado pelos piores momentos extra-desportivos em grandes competições. (Mais Futebol)

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