Haitong acredita que reguladores não deixam Isabel dos Santos ficar no BPI e BCP

(Foto: NFactos/Fernando Veludo)

Isabel dos Santos foi nomeada presidente da Sonangol. O Haitong aponta que “é pouco provável” que a empresária possa estar envolvida, ao mesmo tempo, na Santoro e na Sonangol. Duas empresas com participações qualificadas em dois bancos nacionais.

A empresária angolana Isabel dos Santos (na foto) foi nomeada presidente do conselho de administração da Sonangol, empresa angola do ramo petrolífero. A notícia foi avançada ontem pelo Novo Jornal. Numa declaração enviada ao Negócios, Isabel dos Santos comenta assim a sua nomeação: “Temos, como empresa, que nos comprometer com uma cultura de fazer mais com menos e de nos focarmos na excelência e em resultados. A excelência é a nossa melhor defesa. A excelência é o nosso melhor ataque. Acredito que esta cultura de excelência permitirá enfrentar com sucesso os grandes desafios que o novo contexto do sector petrolífero coloca à Sonangol e ao País”.

Sobre esta nomeação, o banco de investimento Haitong, numa nota de análise a que o Negócios teve acesso, considera que é “neutral por enquanto”. Ainda assim, o banco de investimento questiona se a chegada da empresária à liderança da Sonangol “pode indicar que Isabel dos Santos pode considerar vender a sua participação no BPI”. E “potencialmente reinvestir no BCP, embora nenhum comentário sobre isso tenha sido feito”.

Os analistas do banco consideram também que, se Isabel dos Santos “reinvestir no BCP, não sabemos se ela poderá comprar novas acções no mercado ou simplesmente comprar [a participação] da Sonangol” no banco liderado por Nuno Amado. “Acreditamos que é pouco provável que os reguladores permitam que Isabel dos Santos esteja envolvida com duas empresas, a Sonangol e a Santoro, que têm participações qualificadas em dois bancos diferentes em Portugal”, referem. A Sonangol detém 17,8% do BCP e a Santoro controla 18,57% do BPI.

As acções do BCP estão hoje, e pela sétima sessão consecutiva, em queda. Por esta altura, descem 2,20% para 2,61 cêntimos. Mas durante o dia de hoje já recuaram 5,20% para 2,53 cêntimos – o valor mais baixo de sempre. As acções do banco liderado por Nuno Amado têm estado nos últimos dias sob pressão depois de ter sido conhecido que os títulos deixaram de estar no índice MSCI Global e do fantasma de um aumento de capital voltar a pairar sobre a instituição. Um esforço financeiro para os investidores, desta feita com a “mira” apontada ao Novo Banco.

Em destaque esta sessão está também o Millennium Bank, a instituição polaca da qual o BCP é o principal accionista. Segundo o jornal Gazeta Wyborcza, citado pela Bloomberg, a última proposta para a conversão dos créditos hipotecários é que estas sejam voluntárias para as famílias, sendo que terão acesso a uma taxa mais acessível que a actual.A decisão final só será tomada pelo Presidente Andrzej Duda a 7 de Junho, sendo que várias opções foram já consideras.

Já as acções do BPI sobem 0,09% para 1,155 euros. O Negócios avança, na edição desta sexta-feira, que o banco liderado por Fernando Ulrich, tal como o Santander e BCP, pediu acesso à informação confidencial sobre a venda do Novo Banco.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. (Jornal de Negocios)

por Ana Laranjeiro e Celso Filipe

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