Guiné Equatorial e Angola entre os países com pior acesso a água potável

(DW)

A Guiné Equatorial e Angola são dois dos três países do mundo onde menos de metade da população tem acesso a fontes melhoradas de água potável, revela a Unicef.

Intitulado “Uma oportunidade justa para todas as crianças”, o relatório anual do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado esta terça-feira (28.06.), alerta para a urgência de investir nas crianças mais pobres do mundo, sob pena de deixar para trás milhões de crianças.

No capítulo dedicado à Saúde, o relatório apresenta as estatísticas de todos os países no que diz respeito ao acesso a fontes melhoradas de água potável e a instalações sanitárias melhoradas, bem como às taxas de vacinação ou ao acesso a redes mosquiteiros impregnadas com insecticida.

Segundo os dados disponíveis, apenas três países no mundo têm menos de metade da sua população abrangida pelo acesso a fontes melhoradas de água: Papua Nova Guiné (40%) Guiné Equatorial (48%) e Angola (49%).

Situação dramática nas zonas rurais

A situação é pior nas zonas rurais, onde apenas 28% dos angolanos e 31% dos equato-guineenses têm acesso a sistemas como água canalizada, torneiras públicas ou fontanários, poços tubulares ou furos, poços ou nascentes protegidas.

Entre os restantes Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o Brasil regista 98% da população abrangida (87% nas zonas rurais); Cabo Verde 92% (87% nas zonas rurais); Guiné-Bissau 79% (60% nas zonas rurais); Moçambique 51% (37% nas zonas rurais); Portugal 100% em todas as zonas; São Tomé e Príncipe 97% (94% nas zonas rurais) e Timor-Leste 72% (61% nas zonas rurais).

Conselho Mundial da Água defende criação de Fundo Azul

A adaptação às mudanças climáticas deve tornar-se o foco da discussão ao contrário da mitigação que ainda tem sido priorizada no mundo, disse na segunda-feira (27.06.) o presidente do Conselho Mundial da Água que advoga a criação de um Fundo Azul.

“Até hoje as mudanças climáticas só foram discutidas em relação à energia e queima de combustíveis fósseis. Queremos mudar o foco das Nações Unidas e passar da mitigação para a adaptação. Muitos países em África já estão a sofrer do problema [de falta de água]”, disse à agência de notícias Lusa o brasileiro Benedito Braga, presidente do Conselho Mundial da Água (World Water Council), criado há 20 anos.

Estão reunidos em Brasília mais de 700 líderes políticos, diplomatas e especialistas de 60 países para o lançamento oficial do 8.° Fórum Mundial da Água a realizar em março de 2018 no Distrito Federal.

Nova agenda mundial

A ideia do encontro, que termina na quarta-feira (29.06.), é definir a nova agenda mundial do Fórum levado a cabo a cada três anos.

A próxima edição terá como tema “Compartilhando a Água”.

Benedito Braga defende a criação de um Fundo Azul para gerir recursos que favoreçam a iniciativas de adaptação à escassez de água e, ao mesmo tempo, sejam capazes de armazená-la em períodos de fortes precipitações.

“Existe ainda a perspectiva de usar o Fundo Verde de Clima para destinar parte para a adaptação. Isso já foi discutido na COP20 em Lima, avançou um pouco na COP21 em Paris, mas estamos a incentivar que a discussão avance para a COP22 em Marraquexe e no Fórum Mundial. Ainda não temos um número, mas queremos que uma percentagem do Fundo Verde seja destinada”, explicou.

Em 2010, foi estabelecido que o Fundo Verde aportaria 100 mil milhões de dólares (90 mil milhões de euros) por ano até 2020 para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentarem as mudanças climáticas globais. Até agora, foram arrecadados 10 mil milhões de dólares, uma cifra ainda distante da meta inicial.

Benedito Braga, esforça-se para mudar o foco do debate mundial e para ajudar a financiar, especialmente, países africanos para construir infraestrutura com barragens e reservatórios a fim de tornarem-se mais resilientes.

Variação climática ameaça segurança hídrica

Outra grande preocupação, indica Benedito Braga, é como a variação climática pode ameaçar a segurança hídrica de países em desenvolvimento e fomentar conflitos.

“Este é um tema importante, isto é, como encontrar boas políticas para que rios transfronteiriços sejam gerenciados de forma adequada para que não haja uma escalada eventual de disputa pela água. Precisamos compartilhar experiências em relação a recentes crises hídricas, como no sudeste do Brasil, na Turquia e no continente africano”.

Benedito Braga referiu-se ainda com preocupação ao caso dos rios Tigre e Eufrates, que juntos se encontram no Iraque e desaguam no golfo pérsico.

Com 2.700 quilómetros de extensão, o Eufrates nasce nas montanhas ao leste da Turquia, atravessa a Síria e o Iraque – hoje palco de uma das maiores crises humanitárias no mundo e frente de batalha de grupos extremistas islâmicos.

“Pretendemos abordar a sustentabilidade [da gestão hídrica] de um ponto de vista mais amplo, não só da questão ambiental, mas também social e económica. Vamos discutir seriamente o acesso à água potável e saneamento universal”, disse.

Mais de 900 milhões de pessoas não têm acesso à agua limpa

Segundo a ONU, mais de 2,5 mil milhões de pessoas no mundo vivem sem acesso a banheiros e sistemas de esgoto adequados e mais de 900 milhões sofrem da falta de acesso à água limpa.

Com sede em França, o Conselho Mundial da Água é uma das maiores autoridades internacionais sem fins lucrativos que tem como missão construir compromissos políticos e estimular práticas para a gestão da água.

O Conselho reúne cerca de 300 organizações-membro, desde grandes corporações, governos e representantes de comunidades locais. (DW)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA