Guiné-Bissau tem novo Governo

Baciro Dja, Primeiro-ministro da Guiné-Bissau (DPA)

A lista do novo Governo da Guiné-Bissau foi anunciada na tarde desta quinta-feira (02.06.) pela Presidência, sem o nome do chefe da diplomacia, não tendo sido anunciados os motivos para esse facto.

O porta-voz da presidência guineense, Fernando Mendonça, anunciou a lista do Governo liderado por Baciro Dja, composta por 31 elementos, entre ministros de Estado, ministros e secretários de Estado, mas sem qualquer menção ao chefe da diplomacia.

Botche Candé, dirigente do Partido Africano para a Independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde (PAIGC), foi apresentado como novo ministro do Interior da Guiné-Bissau no Governo a ser liderado por Baciro Dja, um dos deputados dissidentes do partido.

O decreto presidencial que anunciou o nome de Botche Candé para o cargo de ministro do Interior indicou-o a categoria de ministro de Estado.

A nomeação de Candé para a pasta do Interior constitui surpresa pelo facto de este ser um destacado dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), partido que se encontra em rutura com o Presidente guineense, José Mário Vaz.

Botche Candé é até aqui, o coordenador das estruturas do PAIGC para a provincia leste da Guiné-Bissau.

Novo Governo

O novo Governo da Guiné-Bissau, conta com 19 ministros, três dos quais ministros de Estado e 12 secretários de Estado.

O Governo é chefiado por Baciro Dja e devera tomar posse ainda hoje perante o Presidente guineense, José Mário Vaz.

O Governo é formado essencialmente por dirigentes do Partido da Renovação Social (PRS), oposição e dissidentes do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) em rota de colisão com a direção do partido liderado por Domingos Simões Pereira.

O nome do ministro dos Negócios Estrangeiros não foi anunciado, nem avançado o motivo.

Lista completa dos membros do novo Governo guineense:

Baciro Dja, Primeiro-ministro

Florentino Mendes Pereira, ministro de Estado, da Energia e Indústria;

Aristides Ocante da Silva, ministro de Estado, da Presidência do Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares;

Botche Candé, ministro de Estado e do Interior;

Henrique Horta dos Santos, ministro da Economia e Finanças;

Epifânio Carvalho de Melo, ministro dos Recursos Naturais;

Eduardo Costa Sanha, ministro da Defesa Nacional e dos Combatentes da Liberdade da Pátria;

Victor Gomes Pereira, ministro da Comunicação Social;

Malam Banjai, ministro das Obras Públicas, Construções e Urbanismo;

Domingos Maiú, ministro da Saúde;

Sandji Fati, ministro da Educação, Ensino Superior e Investigação Científica;

Rui Nene Djata, ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural;

Maria Evarista de Sousa, ministra da Mulher, Família e Coesão Social;

Luís Olundo Mendes, ministro da Justiça;

Tumane Balde, ministro da Função Pública, Trabalho e Segurança Social;

António Serifo Balde, ministro do Comércio e Artesanato;

Fernando Correia Landim, ministro das Pescas;

Sola Nquilim Nabitchita, ministro da Administração Territorial;

Tomas Gomes Barbosa, ministro da Juventude, Cultura e Desportos;

Malam Jaura, ministro do Turismo.

Secretários de Estado:
Domênico Sanca, secretário de Estado do Plano e Integração Regional;

Marcelino Simões Lopes Cabral, secretário de Estado da Ordem Pública;

José Adelino Vieira, secretário de Estado ao Orçamento e Assuntos Fiscais;

Orlando Mendes Viegas, secretário de Estado do Tesouro:

Augusto Poquena, secretário de Estado da Cooperação Internacional e das Comunidades;

Iracema do Rosário, secretária de Estado dos Combatentes da Liberdade da Pátria;

Fidélis Forbes, secretário de Estado dos Transportes e Telecomunicação;

Braima Malam Djassi, secretário de Estado do Ordenamento do Território;

Gina Sanca, secretária de Estado do Ensino Superior e da investigação Científica;

Maria Inácia Có, secretária de Estado da Gestão Hospitalar:

Mário Lopes Martins, secretário de Estado da Segurança Alimentar;

Bernardo Braima Mané, secretário de Estado do Ambiente.

UEMOA recomenda respeito pela Constituição da Guiné-Bissau

Uma missão de mediação da crise política na Guiné-Bissau, composta por deputados de alguns países da Africa Ocidental, apelou esta quinta-feira (02.06.) aos atores guineenses no sentido de respeitarem a Constituição do país e ainda promoverem “um diálogo inclusivo franco”.

A missão do comité interparlamentar para a paz do conselho de prevenção de riscos de crise na Africa Ocidental terminou uma visita de quatro dias a Bissau onde se encontrou, com o Presidente guineense, José Mário Vaz, com a direção do Parlamento, do Supremo Tribunal de Justiça entre outros responsáveis políticos.

Lancine Dasso, chefe da missão, afirmou que foram à Bissau, a mando do comité interparlamentar da UEMOA (União Económica e Monetária da Africa Ocidental) para auscultarem as autoridades e avaliar os motivos do impasse político.

“Há um grande défice de comunicação entre os atores políticos na Guiné-Bissau, mesmo entre o Presidente da República, com o primeiro-ministro, entre os dirigentes das instituições e de partidos”, observou Lancine Dasso, que vê no respeito da Constituição e das leis como fórmula para ultrapassar a crise.

Lancine Dasso entende que uma cimeira de alto nível entre os principais atores políticos poderia ajudar a resolver “o impasse e o bloqueio”, desde que seja de forma “franca, inclusiva e patriótica”, disse.

“Há uma radicalização de posição. Cada parte pensa que tem a razão do seu lado”, sublinhou Dasso, para quem a situação na Guiné-Bissau “é grave”. (DW)

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