Fundo ‘abutre’ credor da Argentina processa Mossack Fonseca nos EUA

Placa do escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca é vista na Cidade do Panamá, no dia 9 de maio de 2016 (afp_tickers)

O escritório Mossack Fonseca, protagonista do escândalo dos “Panama Papers”, é processado nos Estados Unidos pelo mesmo fundo especulativo que accionou a Argentina na justiça para cobrar pelos títulos em moratória, segundo documentos aos quais a AFP teve acesso.

Após um litígio de anos contra Buenos Aires na justiça americana, o fundo NML Capital, do magnata Paul Singer, chamado de “abutre” pelo governo da ex-presidente da Argentina Cristina Kirchner, conseguiu o reembolso quase integral dos títulos argentinos comprados a um preço baixo após a moratória do país em 2001.

Segundo a acção apresentada no final de maio no tribunal do estado de Nevada, durante o processo o NML tentou “identificar” activos do governo argentino no mundo todo a fim de pedir seu embargo e recuperar sua dívida.

De acordo com o NML, o Mossak Fonseca e uma de suas filiais americanas fez essa sua tentativa fracassar, ao ajudar as autoridades argentinas a encobrir activos, usando empresas de fachada registadas em Nevada.

A acção judicial divulgada pelo Wall Street Journal acusa o escritório panamense de “comprometer-se activamente no encobrimento e na destruição de provas”, e de ter “contribuído deliberadamente com elementos erróneos” nas respostas enviadas aos tribunais.

O NML diz ter certeza disso após a divulgação dos “Panama Papers” e exige que o escritório Mossack Fonseca se encarregue dos gastos gerados por esse procedimento.

“Devido às infracções cometidas pelo Mossak Fonseca e ao longo contencioso que se desencadeou, a carga para NML e para o tribunal foi importante”, sustenta o fundo.

Contactado pela AFP, o escritório não comentou o caso até o momento. (AFP)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA