Farc obteve US$ 22,5 milhões com narcotráfico entre 1995 e 2014

Pacotes de maconha apreendidos em Cali, que de acordo com as autoridades colombianas pertenciam às Farc (afp_tickers)

A guerrilha marxista das Farc na Colômbia obteve 22,5 milhões de dólares com o narcotráfico entre 1995 e 2014, informou nesta quinta-feira a procuradoria, citando registos de computadores confiscados em diferentes operações.

“Este rendimento, de mais de 66 biliões (de pesos) é o que estava (registado) em três computadores com a contabilidade de três blocos e seriam movimentações de dinheiro entre 1995 e 2014”, disse a jornalistas o procurador-geral da nação, Jorge Fernando Perdomo.

“Conseguimos estabelecer que as Farc têm seu próprio plano único de contas, assim como um sistema de contabilização de todos os seus ingressos, produto do narcotráfico”, informou o chefe da entidade acusadora, que assegurou que a informação está documentada e provada.

O dinheiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal grupo rebelde do país, é uma incógnita no país e gera um debate constante na recta final de um processo de paz com o governo de Juan Manuel Santos para acabar com mais de meio século de conflito armado.

Perdomo assegurou que esta guerrilha, surgida em 1964 de um levante camponês, participa de todas as fases de produção e distribuição de cocaína, tanto de forma directa quanto indirecta: proporcionando segurança a camponeses de cultivos ilícitos a organizando marchas de agricultores contra a erradicação destas plantações.

“As Farc participaram em toda a cadeia de valor criminosa do narcotráfico (…) da semeadura da folha de coca, à transformação em pasta de coca e cloridrato de cocaína e a distribuição desta cocaína”, indicou.

A procuradoria, que estabeleceu o narcotráfico como um dos “eixos de financiamento” das Farc, entregará seus informes aos tribunais de justiça transitória que entrarão em funcionamento após a assinatura final dos acordos de paz, que avançam em Havana desde Novembro de 2012.

Está previsto que estes tribunais amnistiarão os crimes menos graves e punirão só os responsáveis dos crimes contra a humanidade durante a conflagração interna.

Neste contexto, o tráfico de drogas “pode ser considerado delito conexo a um delito político, quando o narcotráfico foi parte da obtenção de recursos para financiar a luta armada”, esclareceu Perdomo.

O conflito armado colombiano, iniciado em 1964 como uma insurreição camponesa, confrontou guerrilhas de esquerda, paramilitares de direita e forças públicas e deixou mais de 260.000 mortos, 45.000 desaparecidos e 6,8 milhões de deslocados. (AFP)

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