Fábrica de contraplacados quer tornar-se referência nacional

Huambo: Fábrica de transformação de madeira (Foto: Valentino Yequenha)

Em funcionamento desde 2013, a fábrica de contraplacados de madeira e derivados, localizada a três quilómetros da vila municipal do Cachiungo (65 km a Este da cidade do Huambo), quer tornar-se, a médio prazo, numa referência nacional.

A pretensão dos responsáveis desta unidade fabril, designada Almeidas Guotai – uma parceria entre investidores angolanos e chineses, é permitir que o país deixe de importar contraplacados para diversos fins.

O primeiro passo para atingir o idealizado está a ser concretizado na província do Huambo, onde o contraplacado usado em obras de construção civil deixou de ser adquirido no exterior do país.

A etapa seguinte, segundo os responsáveis da unidade fabril, é fazer chegar o contraplacado as restantes províncias do país, começando pelas limítrofes (Huíla, Bié, Benguela, Cuanza Sul e Cuando Cubango).

“Pouco a pouco, queremos atingir todas as províncias. Aqui, na província do Huambo, já nos consolidamos, uma vez que o contraplacado usado para diversos fins é produzido na nossa fábrica”, informou Bernardo Soma Tchipundje, responsável dos recursos humanos da fábrica de contraplacados de madeira e derivados.

Capacidade de produção

Com uma linha de produção para fabricar diariamente entre 2.500 e 3.000 contraplacados, a Almeidas Guotai produz todos os dias 1.500 unidades, cifra considerada, por enquanto, suficiente para satisfazer a procura do mercado.

Quando entrou em funcionamento, produzia apenas 600 unidades, por dia, tendo rapidamente aumentado a sua capacidade, ante a crescente procura.

Bernardo Soma Tchipundje explicou que a necessidade do mercado é que determina o aumento da capacidade de produção.

“A nossa estratégia é produzir consoante a necessidade do mercado. Sempre que se justificar, aumentamos a capacidade diária, pois temos máquinas para o efeito e pessoal motivado para trabalhar”, disse.

Huambo e Luanda absorvem mais de metade da produção

As províncias do Huambo e Luanda são os principais mercados da fábrica de contraplacados de madeira e derivados, sendo que ambas absorvem, mensalmente, mais de metade da produção.

As vendas são feitas de forma directa ou por encomenda, tanto para empresas ou cidadãos individuais que se deslocam à fábrica, localizada numa das margens do rio Cutato, que nasce no vizinho município da Chicala-Cholohanga, e cujas águas serpenteiam em direcção ao sul, desaguando no rio Cunene, outro que nasce no município da Chicala-Cholohanga, tal como o rio Keve.

Além do Huambo e Luanda, o contraplacado produzido a partir de árvores de eucalipto do município do Cachiungo também já está a ser vendido nas províncias do Bié, Benguela e Cuando Cubango, mas em menores quantidades.

Fábrica melhora vida dos nativos

A instalação, nos arredores da vila do Cachiungo, da fábrica de contraplacados de madeira e derivados está a melhorar a vida da população nativa, principalmente os jovens que conseguiram o seu primeiro emprego.

Emprega 160 trabalhadores, dos quais 152 nativos e oito chineses. O trabalho influencia directamente a qualidade de vida do cidadão, em aspectos económicos e sociais, além da própria dignidade da pessoa.

Para além do salário, os funcionários nacionais também encontraram, na fábrica, a oportunidade de aprenderem a manusear as máquinas que intervêm no processo de produção do contraplacado e crescerem profissionalmente.

“São, essencialmente, jovens de ambos os sexos, que quando vieram para cá trabalhar nada sabiam, apenas auxiliavam os chineses. Com o passar do tempo, fruto do aprendizado, foram se destacando e alguns ocupam, actualmente, cargos de chefia na fábrica”, realçou o responsável dos recursos humanos, Bernardo Soma Tchipundje.

Prova disto é o jovem Bernardo Capitango Chingolo, de 25 anos de idade, que dirige a área de produção, dois anos depois de ter sido admitido como funcionário auxiliar da respectiva área.

Cecília Kafeka Wassuka, de 22 anos, e Matilde Watchikuamanga, de 38, trabalham na área de secagem das películas e ambas mostram-se entusiasmadas por terem conseguido o seu primeiro emprego, com o qual sustentam a família.

“Temos boas condições de trabalho, com o salário que recebemos compramos vestuário para os filhos, cadernos e lápis para estudarem, sementes e adubos para as nossas lavras”, disse Cecília.

Sul-africanos interessados nos contraplacados

A fábrica Almeidas Guotai pode passar a exportar contraplacados à África do Sul, através de um grupo de empresários daquele país que mostrou interesse.

Bernardo Soma Tchipundje afirma que decorrem negociações, entre as partes, para a materialização da pretensão, que, a confirmar-se, será o primeiro passo rumo à internacionalização da produção da unidade fabril.

Os responsáveis da empresa estão cientes do quão é importante a actividade exportadora, daí estarem a estudar formas de fazer chegar o seu produto aos mercados da Namíbia, Botswana e Alemanha, numa fase inicial.

“Produzimos contraplacados de qualidade superior ao que é produzido em algumas fábricas em distintos países do mundo, por causa da matéria-prima que usamos”, reforça.

Preocupação com a saúde e segurança dos trabalhadores

Uma das preocupações da direcção da fábrica tem a ver com a saúde e segurança dos trabalhadores, que labutam de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com intervalo de uma hora para o almoço, enquanto aos sábados vão das 7h às 12 horas.

Para evitar que os funcionários adquiram doenças por inalação do pó da madeira ou produtos tóxicos usados na compressão das películas, cada trabalhador possui equipamentos de protecção, desde capacetes, luvas, máscaras e botas, distribuidos pela direcção da fábrica.

Diariamente, no final de cada jornada, é feita uma limpeza geral nas instalações. Em caso de doença ou acidente de trabalho, a direcção da fábrica assume as despesas.

“A saúde e segurança do trabalhador na fábrica são prioritárias para a direcção da empresa. Não permitimos ninguém trabalhar sem equipamentos de protecção”, afirmou Bernardo Soma Tchipundje.

Exploração sustentável dos recursos florestais

A madeira usada no fabrico de contraplacados está a ser explorada na floresta de Sanguengue, no município do Cachiungo, e Lonundo entre o Cachiungo e o vizinho município da Chicala-Cholohanga.

A exploração é feita de forma sustentável, para não colocar em risco a continuidade dos recursos florestais.

Entre as medidas de exploração sustentável adoptadas destaca-se o facto de serem abatidas somente árvores com potencial para produção de películas e em quantidade necessária, evitando, assim, abater árvores que depois são descartadas.

Além disto, a direcção da fábrica está a criar viveiros para fazer o reflorestamento nas zonas de exploração, garantindo, deste modo, a continuidade da actividade.

Por outro lado, apesar de ainda não serem reaproveitados totalmente os resíduos decorrentes do processo de produção, na Almeidas Guotai os toros que sobram são utilizados, como lenha, nas caldeiras (fornos a vapor), que fazem funcionar algumas máquinas.

Dentro da estratégia de reaproveitamento dos resíduos, a direcção da fábrica pretende adquirir máquinas que possibilitem produzir papel e tacos, assim como usar a serradura para produção de adubos orgânicos e contraplacados, a exemplo do que é feito em outras fábricas afins.

Os resíduos sólidos são acondicionados num local criado para o efeito, evitando que os mesmos representem ameaça ao ambiente natural.

Razão da escolha de Cachiungo

O facto do município do Cachiungo possuir a maior floresta plantada da província do Huambo, a do Sanguengue, com 18 mil hectares de superfície, motivou a instalação da fábrica, reduzindo custos na transportação da matéria-prima.

Outro elemento tido em conta na altura da instalação da unidade fabril, neste município, tem a ver com as vias de comunicação. Pelo Cachiungo passa uma estrada nacional, que liga a província do Huambo e as do Bié e Cuando Cubango, sendo a mesma que une Huambo e Huíla, Benguela e Cuanza Sul.

Além desta importante infra-estrutura rodoviária, o Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) também atravessa o município do Cachiungo, facilitando o transporte de mercadorias. (ANGOP)

por Gabriel Batalha Ulombe

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