Executivo cria programas para indústria de panificação

Marco Victor, director-geral do Idia, defende padronização na produção do pão e preços em função do peso. (Foto: Vigas da Purificação)

Uma das principais dificuldades do sector de panificação prende-se com os constrangimentos para importação da farinha de trigo devido à falta de divisas que se regista actualmente por conta da crise económica que o país atravessa. Este facto também é indicado como sendo um dos principais motivos da subida do preço do pão no mercado.

Em entrevista ao JE, na qual se fez uma abordagem sobre a situação actual da indústria de panificação, o director-geral do Instituto de Desenvolvimento Industrial de Angola (IDIA), Marco Victor informou que o Executivo, através do Ministério da Indústria, que é o órgão de tutela do Idia, está empenhado na implementação de um conjunto de projectos que visam fundamentalmente fortalecer a indústria panificadora, promovendo a substituição da importação da sua matéria-prima, a farinha de trigo, pela produção deste produto no país.

Produção de trigo

De acordo com Marco Victor, neste momento está em fase de conclusão a implementação de grandes moageiras numa área de 30 mil metros quadrados dentro do Porto de Luanda e respectivos silos para o depósito de enormes quantidades de grãos de trigo que vão abastecer essas moageiras que estão a ser construídas com o objectivo de fabricar localmente a farinha de trigo e, assim, substituir a importação deste produto ao mesmo tempo que se evita a saída de divisas, muito necessárias na actual conjuntura económica.

“O objectivo primordial destes projectos é substituir a importação de farinha de trigo, ou seja, ao invés de a importarmos passaremos apenas para os grãos de trigo e produzir no país a farinha”, esclarece Marco Victor. “Assim, diminuímos os custos e a saída de divisas”, disse.

Afirmou ainda que a dificuldade de acesso à matéria-prima (farinha de trigo) por falta de produção local motivou o apoio do Executivo ao projecto de construção de grandes moageiras de Angola que terão uma capacidade instalada para processar diariamente cerca de 1.200 toneladas de grãos de trigo que, por sua vez, produzirão cerca de 930 toneladas de farinha de trigo para fornecer o mercado nacional e depois exportar para outros mercados da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral).

Ainda sobre as intervenções do Estado no sector, Marco Victor lembrou que o Executivo está a levar a cabo vários projectos estruturantes, como a barragem hidroeléctrica de Laúca, com vista a resolver problemas como a falta de água e energia eléctrica para dinamizar o sector industrial.

Sobre a produção de trigo, inicialmente, os seus grãos (que são a matéria-prima para produzir a farinha de trigo) serão importados de países que são grandes produtores. Numa fase posterior, será dado forte apoio às iniciativas para fomentar o cultivo de grãos de trigo em províncias com clima e potencial para esse tipo de produção, nomeadamente o Huambo e o Cuanza Sul.

Actualmente, o consumo per capita do pão em Angola é de 43,8 quilogramas por cidadão anualmente, muito abaixo dos 85 quilos recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que significa que há em termos de produtividade do sector um enorme “buraco” que, para empreendedores visionários, pode representar uma boa oportunidade de negócio de modo a concorrer com as 1.106 padarias registadas no país que empregam cerca de 17 mil trabalhadores.

Marco Victor referiu que, a nível de produção, o conjunto de padarias registadas produz anualmente cerca de 450 mil toneladas de pães. “Esse número representa um volume de importação de farinha de trigo na ordem dos 320 milhões de dólares”, afirmou. Em 2014, foram gastos 250 milhões de dólares, o que perfaz um total de 570 milhões nos últimos dois anos.

Subida do preço do pão

Questionado sobre o aumento do preço do pão de 15 para 35 kwanzas e nalguns casos a 50, o gestor lamentou o facto, tendo igualmente comentado que a mesma era devido à escassez de divisas e consequentemente de matéria-prima (farinha de trigo e melhorantes) e adicionalmente reprovou a tendência que algumas padarias adoptam no sentido de reduzir a qualidade do pão como forma de conter os custos de produção desse produto essencial na dieta alimentar das populações, comprometendo deste modo a saúde dos consumidores.

Mas também existe no sector da panificação o problema da concorrência desleal das padarias situadas nas zonas suburbanas que funcionam de forma ilegal sem honrar com deveres tributários. “Esses agentes informais produzem pão sem obedecer aos requisitos e padrões internacionais e nem cumprem com as suas obrigações fiscais, fazendo concorrência desleal aos que estão registados e cumprem com as regras”, afirmou.

“Está a ser realizado um trabalho multissectorial para padronizar a produção do pão e estabelecer um preço de referência em função do seu peso” disse.

NOTAS:

43,8 Kilos – Consumo per capita do pão, longe dos 85 quilos recomendados pela OMS.

1.106 PADARIAS

É o número total de padarias registadas pelas autoridades em todo o país.

17.000 TRABALHADORES

Número de trabalhadores que o sector da indústria de panificação emprega em todo o país.

930 MIL TONELADAS DE FARINHA

Capacidade instalada das grandes moageiras em fase de conclusão no Porto de Luanda.

(jornaldeeconomia)

Por: Francisco Inácio

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