Euro 2016: Hungria-Portugal, 3-3

(REUTERS)

Esqueçam a cabeça, o esquema e as táticas – o 4x4x2, losango, ou mais conservador, o 4x3x3 ou coisa que o valha. Foi lá pelo coração. Três vezes em desvantagem e três vezes a recuperar valem o terceiro lugar (com golo tardio da Islândia no outro jogo) e os oitavos de final com a Croácia.

Na primeira parte menos bem conseguida deste Euro 2016, a Seleção consentiu um golo não conseguindo anular dois dos pontos fortes da Hungria – um canto de Dzsudzsák, como sempre a criar confusão, um alívio e a bola a cair num zona desprotegida, a frontal à grande área – e a meia-distância, com o velhinho Gera a acertar bem na bola e esta a entrar junto ao poste esquerdo da baliza de Rui Patrício. A desvantagem, aos 20 minutos, acentuou a descrença portuguesa, que já tinha começado o jogo sem aparente convicção. Ou, se preferirem, a um ritmo excessivamente lento.

Notou-se, nestes primeiros 45 minutos, a resposta da equipa aos apelos de Fernando Santos por vezes a um jogo mais feio, mais direto. Pepe tentou logo a abrir para Nani o que Cristiano Ronaldo tinha falhado para a Islândia, com também o avançado do Fenerbahçe a não conseguir dominar. Os gestos do central do Real Madrid para os companheiros, para ir para cima, antes do apito inicial, pouco de tinham servido. Ele, sim, mostrava-se muito dinâmico lá atrás, e tentava também levar a bola para o ataque. O futebol mais direto por vezes pareceu exagerado, tal a pouca eficácia que se manteve depois dessa receção falhada por parte de Nani.

Os primeiros minutos de João Mário denunciavam que o médio do Sporting se preparava para assumir protagonismo no encontro desta quarta-feira, em Lyon, desenhando diagonais e tentando combinar com Vieirinha sobre a direita, mas o golo de Gera arrefeceria com essas iniciativas. Voltaria aos momentos no segundo tempo, em que foi importante para o pouco discernimento que a equipa apresentava. Em crescendo.

Hungria a precisar de pouco para ter muito

Nani, aos 11, cabeceou por cima, três minutos depois de Pepe ter acertado nas mãos de Király. A Hungria, sem querer muito, marcou, como já se disse, e quatro minutos depois da festa podia ter feito o 2-0, com Elek a aproveitar que um ressalto num português anulasse o fora de jogo em que se encontrava, mas Patrício salvou.

Cristiano Ronaldo teve três livres ao seu jeito e falhou os todos: o primeiro resvalou na barreira e foi para Király, o segundo foi defendido pelo guarda-redes das calças cinzentas e o terceiro para as bancadas.

À falta de Moutinho – sairia ao intervalo para dar lugar ao bem mais objetivo Renato Sanches –, muito preso de movimentos, era André Gomes quem tentava os passes de rotura sem sucesso. William, atrás, lidava mal, por vezes, com a maior intensidade dos húngaros e deixava-se bater. No entanto, era ele quem pegava na bola muitas vezes para empurrar a equipa para a frente.

Numa jogada quase apática, Portugal empatou. Cristiano viu a diagonal inside-out de Nani e o companheiro rematou de primeira, surpreendendo Kiraly ao primeiro poste. O empate estava feito.

Ronaldo com ketchup

No regresso, aos 46 minutos, falta em zona fatal para Dzsudzsák. O livre era ameaçador, e o avançado do Bursaspor fez mira ao ângulo. A bola bateu em André Gomes e traiu Patrício.

A Seleção durou três minutos a reagir. Uma jogada fantástica que começou na saída à pressão húngara, passou pelo corredor direito até chegar a João Mário, que cruzou para um bom movimento de Cristiano, que finalizou de calcanhar.

Só que aos 55, de novo Dzsudzsák. Livre contra a barreira, a bola volta para o avançado, que fletiu para o meio sem a proteção devida. O tiro bateu em Nani e entrou novamente. Quando tudo parecia mau ficou pior.

Portugal voltou a reagir, e voltou a empatar. Aos 62 minutos, Quaresma ainda a frio, depois de entrar, cruzou para o bis, de cabeça, do capitão. A frase tantas vezes dita esta semana fez de novo sentido. Os golos são como ketchup.

Dszuzsák pela quarta vez e o assalto final

Na resposta, Dszuzsák outra vez a fazer estragos. Cruzamento rasteiro da esquerda, e Elek a responder com um grande remate ao ferro. Depois da infelicidade nos ressaltos nas jogadas dos golos, a equipa das quinas tinha um pouco de sorte. Será que podia construir a partir daí?

A Seleção tentou, ainda havia tempo. Criou mais uma ou duas jogadas, Ronaldo até teve mais uma ou duas chances, mas já não deu para mais. Conseguiu o mal menor: não ir para casa, e joga agora com a Croácia. Terá de crescer, e rápido. (Mais Futebol)

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