EUA lamentam decisão de adiar eleições no Haiti

O presidente haitiano interino Jocelerme Privert, em Porto Príncipe, no dia 30 de maio de 2016 (afp_tickers)

Os Estados Unidos lamentaram nesta quarta-feira a decisão das autoridades haitianas de anular os resultados do primeiro turno da eleição presidencial e programá-lo para o final deste ano.

Washington, o maior doador do Haiti, é muitas vezes acusado por activistas do país de intervir no caótico cenário político haitiano.

As autoridades americanas insistiram que não apoiam nenhum sector e que sua preocupação se concentra nos custos e nas tensões internas que significam retardar o processo eleitoral.

“A população haitiana merece que suas vozes sejam escutadas (agora), não depois”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado, Mark Toner, assinalando que o resultado dos comícios do último 25 de Outubro deve ser respeitado.

Na semana passada, uma comissão independente de verificação recomendou anular os resultados desse primeiro turno após afirmarem que foram constatadas fraudes que afectaram 40% dos votos.

Após essa decisão do Conselho Eleitoral Provisório (CEP) anunciou na segunda-feira (6) a anulação do primeiro turno e fixou o dia 9 de Outubro para realizá-lo novamente e o dia 8 de Janeiro de 2017 para o segundo turno.

Diversos partidos da oposição denunciaram que os resultados de 25 de Outubro foram manipulados para favorecer Jovenel Moïse, candidato do partido de Michel Martelly, que concluiu o seu mandato presidencial em Fevereiro passado sem um sucessor eleito.

Moïse obteve 32,76% dos votos diante dos 25,29% do opositor Jude Celestin. Ambos deviam se enfrentar em 27 de Dezembro em um segundo turno que foi adiado no contexto de uma profunda crise política.

Celestin qualificou esses resultados de “farsa” e ameaçou boicotar o segundo turno.

Um acordo entre o Executivo e o Parlamento permitiu escolher Jocelerme Privert como presidente por um período de três meses, com o encargo de realizar os comícios.

A desconfiança que se tem dos diferentes protagonistas da política haitiana tornou impossível a organização do processo e trouxe a incerteza ao Haiti, um dos países mais pobres do mundo, tendo que recorrer à ajuda internacional para financiar seu precário sistema eleitoral.

Nesta quarta a União Europeia (UE) anunciou o cancelamento da missão eleitoral que mantinha no Haiti.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, reclamou às “autoridade haitianas e a todos os actores políticos” demonstrar “responsabilidade diante dos inúmeros desafios urgentes do país”. (AFP)

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