Draghi pede mais reformas na Zona Euro e dá Portugal como exemplo

(Reuters)

O presidente do BCE voltou a apelar aos Governos europeus que implementem reformas estruturais para restaurar o crescimento na região. Adiar tem um custo muito elevado para ser ignorado.

Mario Draghi voltou esta quinta-feira a alertar que a política monetária não é suficiente para impulsionar o crescimento económico na região, pelo que os Governos têm de fazer a sua parte e implementar reformas estruturais.

Num fórum económico que se realiza em Bruxelas, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) subiu de tom nas críticas à inacção dos Governos dos países do euro. “Há muitas razões compreensíveis para adiar a implementação de reformas estruturais, mas poucas razões económicas para o fazer”, disse Draghi, alertando que “o custo” desse adiamento é “demasiado alto” para que possa ser ignorado.

Numa altura em que tem no terreno um programa de compra de activos sem precedentes para travar a queda dos preços na Zona Euro, Draghi aumenta assim a pressão sobre os políticos europeus.

“A política monetária pode ser decisiva para apoiar a procura, estabilizar as expectativas de inflação e para prevenir efeitos de segunda linha nos preços e nos salários, e é isso que o BCE tem feito nos últimos dois anos. Mas a orientação de outras políticas também influencia o regresso do produto ao seu potencial. Por isso, se outras políticas não estão alinhadas com a política monetária, arriscamos a que a inflação atinja o seu objectivo [de ficar próxima, mas abaixo de 2% no médio prazo] num ritmo mais lento”, defendeu.

“A consolidação orçamental em alguns países foi implementada sobretudo através do aumento dos impostos e não no corte da despesa (…), atrasou o regresso do produto ao seu potencial”, considerou, admitindo que isso não teria acontecido caso a política orçamental fosse “mais encorajadora”.

Mario Draghi defendeu ainda a necessidade de continuar – e avançar – com as “reformas estruturais corretas”, o que pode criar as condições para “o BCE regressar às políticas de taxas de juro convencionais como forma de alcançar a estabilidade de preços”.

Considerando que na zona euro foram implementadas várias reformas estruturais com resultados nos últimos anos, o presidente do BCE afirmou que “ainda há muitos mais benefícios que podem ser alcançados e muito que ainda pode ser feito”.

Reformas deram resultado em Portugal

Mario Draghi exemplificou com Portugal, considerando que “as reformas no mercado de trabalho, introduzidas durante o programa de ajustamento, reduziram a taxa de desemprego cerca de três pontos percentuais no período 2011-2014”.

Por fim, o líder do BCE considerou que a incerteza quanto à estabilidade da zona euro também influencia a política monetária, “porque também pode abrandar os seus efeitos”, defendendo ser necessário “restaurar a clareza e a confiança no sistema institucional da zona euro”.

“O tempo é importante. Um regresso muito lento da economia ao seu potencial está longe de ser inócuo. Pelo contrário, tem consequências económicas duradouras no tempo, uma vez que pode levar à erosão desse potencial”, disse.

Nesse sentido, Mario Draghi defendeu que elevar o produto para perto do seu potencial “está relacionado, acima de tudo, com as reformas estruturais” no emprego e na produtividade, considerando que em ambas as áreas “há margem” na zona euro para o fazer. (Jornal de Negocios)

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