Citricultores nacionais arregaçam mangas e lançam mãos para indústria de sumos

Administrador da Refriango, Estêvão Daniel, assegura apoio aos produtores O surgimento da indústria de sumos que necessita de elevadas quantidades de concentrados de citrinos está a pressionar os sectores público e privado a fazerem investimentos na produção de fruta. (Foto: D.R.)

A Sociedade Comercial Agrícola e Pecuária vai investir no aumento da sua própria produção de citrinos enquanto a Refriango depende ainda da importação de matéria-prima para sustentar as unidades fabris.

A província de Benguela está a levar a cabo o programa de produção de citrinos, iniciado em 2015, com o objectivo de recuperar a produção da laranja, limão e tangerina, no âmbito da diversificação da economia. Neste ano, cinquenta mil plantas de citrinos, com destaque para laranjeira, estão a ser cultivadas no município do Caimbambo.

Orçado em mais de 59 milhões e com duração de quatro anos, o projecto de iniciativa da administração municipal tem por objectivo reactivar a produção de laranja, tangerina e limão e permitir que o município volte a conquistar o estatuto de maior fornecedor de citrinos a nível da província de Benguela.

Com efeito, o potencial de Benguela na produção de citrinos já é assim aproveitada pela Sociedade Comercial Agrícola e Pecuária, Lda (GIASOP), cuja fábrica Amboim Natural produz, actualmente, 20 mil litros de sumos de diversos sabores, com frutas provenientes das províncias do Cuanza Sul e Benguela, mas que são insuficientes para a capacidade instalada de 40 toneladas de fruta por dia.

Dada esta insuficiência, a empresa vai investir 30 milhões na produção de sumos e lacticínios na sua fábrica denominada Amboim Natural, na província do Cuanza Sul, o que servirá naturalmente para a ampliação do sistema de irrigação dos pomares, modernização das técnicas de plantio de mais árvores de fruta, nomeadamente goiabeiras, laranjeiras, mangueiras, maracujazeiros, entre outras.

O director-geral da Giasop, Miji Feliciano, lamenta a prática de preços menos justos, por parte dos fornecedores nacionais de fruta e citrinos que, muitas vezes, esses insumos tornam-se mais caros que a importação de concentrado de frutas a partir da Namíbia ou África do Sul.

Para o empresário Miji Feliciano, a actual crise económica, financeira e cambial que Angola vive, é uma oportunidade de diversificação da economia. “É necessário transformar estas dificuldades em oportunidades de negócio, dando soluções aos problemas que a crise criou. A redução das importações, tendo em conta a falta de divisas no mercado tanto formal como informal, bem como a morosidade nas transferências bancárias, deram-nos uma nova oportunidade que é a criação de uma linha de enchimento de polpa e de massa tomate nos próximos dias que vai combater a carência que se regista no mercado nacional”, destacou.

Fundada em 1994, a Giasop conta, actualmente, com cerca de 150 funcionários nacionais, entre operários, camponeses, engenheiros agrónomos e médicos veterinários.

Enquanto isto, a empresa de Lacticínios de Angola (LACTIANGOL) continua a manter o seu foco na produção de refrigerantes.

Em função disso, a Lactiangol e a Unidade Técnica para o Investimento Privado assinaram recentemente em Luanda um contrato de investimento no valor de cerca de 304 milhões de kwanzas para a remodelação e modernização da unidade fabril.

Novas marcas

Em Janeiro de 2009, a empresa de lacticínios de Angola procedeu ao lançamento comercial de novos sumos de marcas Sumangola (manga), Frutangola (laranja e maracujá), Coca-Angola e Cool (limã-limão e água tónica).

O lançamento do produto resultou de uma acção conjunta entre o projecto “Nossa Terra” da província da Huíla e Lactiangol.

Para a consolidação do projecto cujos produtos encontram-se à venda nalguns estabelecimentos comerciais da capital do país e da província da Huíla, foram investidos um milhão e 500 mil dólares.

Naquela altura a Lactiangol havia assinado com o projecto agrícola “Nossa Terra”, afecto à Casa Militar das Forças Armadas Angolanas (FAA), um acordo de exclusividade para o fornecimento de laranjas, o que lhe confere certos direitos no uso de laranjas e outros citrinos produzidos.

Já o administrador de uma das maiores empresas de bebida, Estêvão Daniel, disse ao JE que a Refriango ainda não beneficia da produção de citrinos no país, até porque esta ainda é insuficiente para a demanda da indústria.

“A crescente aposta na produção de citrinos ainda não satisfaz à necessidade de concentrado que a indústria de sumos precisa”, avançou, esclarecendo mesmo que Angola ainda não produz concentrado de citrinos para fornecer à indústria, pelo que a Refriango continua a recorrer à importação.

A empresa, abriu em 2014 uma unidade fabril na província do Huambo, não descarta apoios e incentivos aos agricultores a fim de produzir citrinos na província do Huambo e incentivar os investidores de revelo para esta região, com a entrada em funcionamento da Barragem do Ngove.

Além do Huambo, Estêvão Daniel reconhece o potencial de outras províncias que carecem de mais investimentos para o cultivo e a consequente produção de citrinos. (jornaldeeconomia)

Por: Gaspar Micolo e Pedro Peterson

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