Campanha porta a porta contra a febre-amarela não foi realizada, denuncia sindicato

(DW)

A epidemia ainda não foi controlada, apesar dos esforços das comunidades nacional e internacional. O Sindicato dos Enfermeiros denuncia que a campanha de vacinação porta-a-porta, anunciada em maio, não teve lugar.

Em maio, a coordenadora provincial de Luanda do Programa Alargado da Vacinação” (PAV), Felismina Neto, tinha anunciado a realização de uma “campanha porta a porta” com duração de 15 dias. Na altura, tinha-se garantido a disponibilização dos meios técnicos e humanos, assim como das vacinas necessárias.

A DW Africa visitou vários municípios, mas em nenhum deles se tinha realizado qualquer campanha de porta a porta. Afonso Quileba, secretário provincial adjunto do “Sindicato Técnicos de Enfermagem de Luanda”, confirma que campanha porta a porta, em Luanda, nunca saiu do papel: “A campanha porta a porta não foi realizada, em Luanda. A não ser que tenha sido realizada noutras províncias. A campanha de febre-amarela não é idêntica à da pólio, é uma campanha que requer muitos cuidados, porque as propriás vacinas não devem ser expostas aos raios solares”.

Felismina Neto, coordenadora do “Programa Provincial Alargado de Vacinação”, disse ter havido mal-entendido: “O objetivo não era uma campanha de vacinação porta a porta para província de Luanda, mas sim uma vacinação que visava concluir os 9% da população que ainda não tinham sido vacinados.”

Peritos europeus estiveram em Angola

Em entrevista exclusiva à DW Africa, o representante da União Europeia em Angola, Gordon Kricke, disse que a delegação que dirige tem mantido encontros com as autoridades sanitárias angolanas e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A delegação disponibilizou 30 milhões de euros para o sector da saúde e acrescentou que recentemente estiveram em Angola peritos de vários países europeus para se inteirarem sobre a situação da febre- amarela: “Mantivemos contacto com as autoridades angolanas. O ministro da saúde explicou-nos as prioridades do seu trabalho e, claro, vamos poder colaborar com a equipa que esteve aqui para a avaliação da situação”.

A situação e os possíveis riscos constatados pelos peritos da união europeia serão conhecidos quando se publicar o relatório que está a ser preparado, segundo o representante. “Está-se na fase de preparação do relatório. Uma vez preparado e finalizado este relatório vai transmitir uma recomendação para o Governo de Angola e as instituições europeias”, afirma o representante da União Europeia em Luanda.

Águas paradas em Luanda: terreno fértil para a multiplicação de mosquitos (DW)
Águas paradas em Luanda: terreno fértil para a multiplicação de mosquitos (DW)

OMS: Angola exporta febre amarela para outros países africanos

A Organização Mundial da Saúde estima que já se registaram casos de febre amarela importados de Angola na República Democrática do Congo, no Quénia e China. Questionado sobre se a propagação da doença vai afectar a circulação de cidadãos angolanos na Europa, o embaixador respondeu que não é ainda o momento certo para se falar sobre o assunto, e avançou: “O mais importante é a vacinação. O certificado de vacinação é obrigatório para entrar em Angola, assim como noutros países da região. Isso, com certeza, vai contribuir para lutar contra a doença”.

O início da pior epidemia de febre-amarela das últimas décadas

O primeiro caso de febre-amarela foi diagnosticado em Viana, arredores da cidade de Luanda, a 5 de Dezembro de 2015. Entretanto, as autoridades sanitárias admitem que o surto já chegou a 16 das 18 províncias e a 77 dos 166 municípios de Angola. Recentemente foram diagnosticados novos casos de transmissão nas regiões de Cuango, Lunda-Norte e Cacuso, em Malanje.

A primeira fase da campanha de vacinação contra febre amarela foi realizada em fevereiro deste ano. As autoridades estimam que 90 por cento da população de Luanda já foi vacinada.

Os últimos surtos de febre-amarela registaram-se nos anos 1971 e 1986. A OMS classificou a epidemia que surgiu em 2015 como a mais grave nos últimos 30 anos e esperava que até maio a doença fosse controlada. A febre já fez 328 mortos num total de 2.954 casos diagnosticados. (DW)

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