Artur Almeida estranha silêncio da FAF

(Foto: D.R.)

O aspirante ao cargo de presidente de direcção da Federação Angolana de Futebol (FAF), Artur Almeida e Silva, afirmou, em entrevista ao Jornal dos Desportos, estar a encarar com alguma estranheza e preocupação o facto de a presidência da Mesa da Assembleia do órgão reitor do desporto-rei no país não ter marcado, ainda, a data para a realização do próximo pleito eleitoral.

Artur Almeida, que falava no âmbito de uma abordagem em torno da sua próxima candidatura ao cadeirão máximo da FAF, fez questão de lamentar o facto de até ao momento em que concedia a entrevista ao nosso jornal não ter sido veiculada qualquer informação em relação às eleições na federação.

“É um pouco estranho este silêncio, na medida em que o próprio Ministério da Juventude e Desportos fez sair um documento instrutivo de como os clubes, associações e federações deviam realizar os respectivos actos eleitorais, de forma a conformarem-se com a lei. E isto passa, necessariamente, por eles fazerem as eleições”, adiantou-se.

“Se isto não está a ser cumprido é razão para alguma estranheza,  mas acredito que a sociedade desportiva em Angola está atenta e, com certeza, no momento próprio se vai fazer ouvir vozes a contestar esta situação. Vamos esperar que as pessoas se conformem dentro dos princípios eleitorais e daquilo que é quadriénio olímpico.

Vamos esperar”, acrescentou. Questionado, por outro lado, sobre as razões que o levam a insistir na candidatura ao cargo de presidente da FAF, o também empresário foi peremptório na sua resposta, tendo destacado entre as motivações o facto de, na sua opinião, as terem piorado e o futebol ter sido votado num estado de letargia total.

“O que me motiva a voltar à carga é a letargia que o futebol está votado e, sobretudo, a desestruturação organizada que estamos a ver no nosso futebol. É uma desestruturação completa e acho que há aqui um descaminho completo daquilo que é a realidade futebolística a nível mundial. Precisámos de encontrar o caminho certo para isso”, afirmou.

Artur Almeida diz não ter dúvidas de que é “uma das pessoas que pode dar um rumo diferente ao nosso futebol”, justificando ter conhecimento suficiente do passado e do presente do futebol nacional, que o permitem ostentar soluções “bastante” para prestar um melhor contributo para o desporto e engrandecer o futebol.

“Com certeza, apresento-me como candidato. Por isso, o meu interesse nesta matéria das eleições. Penso que as coisas pioraram absolutamente. No passado as coisas já estavam mal e hoje estão péssimas. E não sou eu que o digo, é a opinião pública que o diz. E, aliás, os resultados também são visíveis e acho que temos de fazer alguma coisa no sentido de mudar o quadro”.

“Morte” dos Palancas
já estava anunciada

Artur Almeida confessou não ter constituído para si qualquer surpresa a prematura eliminação dos Palancas Negras nas eliminatórias de acesso ao CAN de 2017, a ser organizado pelo Gabão.

“Surpreendido? Eu!? De forma alguma!”, adiantou-se a enfatizar o candidato ao próximo pleito eleitoral na FAF, para em seguida afirmar que nunca chegou a acreditar que o desfecho seria diferente, sobretudo a julgar pela imagem deixada transparecer pela selecção durante as eliminatórias.

“Posso dizer que já prevíamos este cenário: que iríamos perder os jogos, porque não tivemos uma boa performance na nossa participação. Portanto, era uma morte praticamente anunciada. É pena que ninguém teve o antídoto certo para, na altura, evitar que aquilo acontecesse”, disse.  Artur Almeida considera, também, que a federação cometeu um erro grosseiro ao afastar o seleccionador do comando técnico, numa fase em que acredita ter sido crucial em relação aos propósitos da equipa nacional.

“Quando se tira um treinador da selecção, em vésperas de um jogo qualificativo, isso só pode ser prenuncio para muita coisa negativa acontecer. E foi o que aconteceu. Hoje estamos na cauda de 125 selecções nacionais. Alguma coisa não está bem e toda a gente sabe o que não está mal, mas temos de ter a coragem de humildemente mudar as coisas e dar o tratamento devido, de formas a que se almeje um futuro melhor para o futebol nos próximos tempos”.

CONFIANÇA
Dirigente garante
novas ideias e soluções

Artur Almeida está convicto de que o projecto que tem em mãos para implementar na federação de futebol é rico em soluções que podem ajudar a alterar o estado actual da modalidade. Garante o candidato à liderança da FAF possuir, igualmente, argumentos que fazem crer numa candidatura que vai acrescentar muito de novo ao órgão reitor da modalidade.

“Queremos contribuir para melhorar com opiniões bastante válidas e construtivas. Estamos a trazer uma matéria de contribuição para melhorar, porque não estamos a vir aqui apenas para dizer aquilo que está mal. Não. Estamos a trazer uma solução para o futebol, com coisas palpáveis. Temos um projecto que toda a gente pode ter acesso e vai perceber, de facto, que é aquilo que o futebol de Angola precisa”, assegurou.  Um dos pontos fortes do projecto de candidatura à FAF, segundo Artur Almeida e Silva, prende-se no incentivo à formação de dirigentes, técnicos e escalões de jovens.  O aspirante a líder federativo é apologista de que os clubes devem apostar decididamente na formação

“Acho imperioso a aposta nos escalões de formação. os clubes devem prestar maior atenção aos seus talentos e potenciá-los para as equipas de seniores. Só desta forma poderemos pensar em equipas e selecções fortes no futuro”.

PROJECTO
“Competições precisam de ser reformuladas”

Uma das soluções apontadas por Artur Almeida e Silva, para a saída do futebol do marasmo em que se encontra,  passa pela reformulação das competições internas. O aspirante ao “cadeirão” máximo da FAF considera que o actual sistema observado  nos campeonatos deve ser alterado.

“Precisámos de reformular as competições de futebol, desde os campeonatos infanto-juvenis até aos seniores. Mas não precisa de ser a Federação Angolana de Futebol a organizar o campeonato. Isto está ultrapassado. Podemos perspectivar a criação de uma entidade independente, que venha gerir os campeonatos nacionais. E estou a falar aqui concretamente da criação de uma Liga Profissional”, esclareceu.

De acordo ainda com Artur Almeida, neste novo modelo de gestão das competições, a FAF deve estar focado apenas naquilo que é fundamental.
Ou seja, – acrescenta ele – a federação deve criar um quadro regulador do futebol, acompanhar esta regulação e, ao mesmo tempo, cuidar das selecções nacionais.

“Quando falo que a FAF deve cuidar das selecções nacionais, estou a fazer referencia às selecções jovens, nomeadamente as de sub-12, 15, 18 e 20, até a selecção de honras. Esta sim deve ser a preocupação da federação. O resto fazem as associações e os clubes e demais entidades que vão gerir o futebol profissional”, sugeriu.

“Mas tudo isso obriga a organização, estruturação e uma visão estratégica na gestão do dia-a-dia do futebol que, às vezes não está a acontecer, porque as pessoas não estão muito interessadas a fazer”, rematou. (jornaldosdesportos)
PC

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA