Angola produz mais de 60 por cento de ovos consumidos no mercado

(Foto: D.R.)

Com investimento público e privado, o país produz 36 milhões de ovos dos 45 milhões consumidos mensalmente. De 80% o défice foi reduzido para 40.

A província de Luanda lidera a produção de ovos com 19 milhões 171 mil, seguindo-se as províncias do Kwanza sul, Benguela, Bié, Huila e Huambo com um total de 16 milhões 352 mil 960. São no total 36.507.232 produzidos em todo o País, fez saber o presidente da Associação dos Avicultores de Angola (ANAV), Rui Santos.

De acordo com o presidente da ANAV e empresário, Rui Santos, há quatro anos eram produzidos três milhões de ovos durante o mês. Em 2015, este número subiu para 25 milhões. Em Março do ano em curso foram produzidos 36 milhões 507 mil 232 de ovos. A produção nacional de ovos está a 60 por cento.

A capital do país conta com 20 aviários, já no Kwanza Sul o número reduz para 12, Benguela e Bengo com 6 cada , Bié 3, Kuando Kubango 2, Lunda Sul 2, Uíge 1, o mesmo número encontra-se no Kwanza Norte, Moxico, Lubango, Namibe, Huambo, Zaire, Lunda Norte. As regiões que ainda não produzem ovos são Cabinda e Cunene.

Segundo o responsável, os associados enfrentam problemas com a reposição dos pintos e aquisição de matéria- prima, tendo em conta a falta de divisas que dificulta a importação das aves. “Há um ano que os avicultores não conseguem importar por falta de divisas”, explica. A matéria – prima usada pelos avicultores é o milho, o farelo, soja e outros compostos alimentares.

Estes produtos são comprados no mercado de Fevereiro a Outubro. No entanto, depois deste período o milho fica escasso e os preços aumentaram. Em algumas províncias o produto está a ser comercializado 900 dólares a tonelada, o equivalente a mil quilos, anteriormente era comprada a 450. Rui Santos salientou que a produção nacional ainda não é suficiente para suprir as necessidades no país.

No ano passado havia importações de ovos. Porém, com a crise económica ficou mais difícil importar e toda produção nacional está a ser consumida. Neste momento não existe importações de ovos nem frango de carne. A produção de ovos é 60 por cento. Porém, com o empenho dos avicultores nacionais a importação de ovos não terá espaço, porque o tempo máximo de consumo do produto é de apenas 28 dias.

Ovos mais caros

galinhasA falta de divisas implica no atraso das importações de pintos, matéria-prima, equipamentos, elementos que encarecem o preço do ovo no mercado nacional. Para Rui Santos, a falta de divisas para a importação faz com que haja procura do produto por parte da população. Por esse motivo, o mercado informal e as redes comerciais aumentam o preço do ovo.

“Nas cantinas, por exemplo, o ovo está a ser comercializado a 75 kwanzas”, explica. Segundo o avicultor, as galinhas têm três meses de vida útil, põem ovos todos os dias, mas depois são substituídas por novos pintinhos porque deixam de ter rentabilidade exigida.

Caso contrário, aumentam as despesas e diminuem as receitas. Rui Santos é avicultor desde o tempo colonial e vive de perto os prejuízos da crise económica. Há dois anos era detentor de 40 mil aves, mas o número reduziu para 10 mil.

Ministério da agricultura promete resolver a situação

entregaSegundo o presidente da ANAV, o Ministério da Agricultura está a negociar com o Ministério da Economia e promete para o próximo mês de Julho resolver o problema da importação de pintinhos para repor nos aviários. “Com o atraso da importação de pintinhos até Dezembro não conseguiremos produzir ovos para responder à demanda na quadra festiva”, explica.

O jornal OPAÍS ouviu os principais produtores de ovos para saber da produção actual, investimentos e projetos até o final do ano. Localizada em Viana, província de Luanda, a fazenda “Pérola do Kikuxi” lidera o mercado com produção mensal de 600 mil ovos e 100 toneladas de frangos. Neste mês de Junho prevê atingir 850 mil ovos e 1 milhão em Dezembro.

De acordo com a administradora da fazenda, Elizabeth Santos, o ano de 2015 não foi fácil para a gestão do empreendimento, tendo em conta a crise económica. Ainda assim as previsões para este ano são ambiciosas. Nesta altura, a fazenda produz 600 mil ovos dia, mas a pretensão é chegar aos 850 mil ovos.

“A partir de Junho a fazenda vai garantir mais de 800 mil ovos, o que representa 30 milhões de ovos por mês”, avançou. Elisabeth Santos referiu que a administração da fazenda vai fazer um investimento de mais de 10 milhões de dólares para atingir a produção de um milhão de ovos e fazer parte das primeiras empresas exportadoras do país.

Segundo a responsável, neste momento a fazenda abastece várias redes desde as grandes superfícies comercias, o mercado informal e distribuidores. Na província do Kwanza Sul, o projeto Aldeia Nova vai de vento em polpa, com a produção de leite, lacticínios, ovos. Neste momento produz 250 mil ovos e conta com um investimento de 1.5 milhões de dólares, referiu o director geral, Kobi Trisvizki.

“Os produtos da Aldeia Nova são encaminhados para as grandes superfícies, nomeadamente Shoprite, Descontão, Jumbo, Nosso- Super, Mega, Alimenta Angola, Mega e os informais. Temos quatro lojas privadas, duas na província do Huambo e duas no Kwanza Sul, onde vendemos directamente. O projecto Aldeia Nova conta com 15 aldeamentos onde são produzidos limentos diversos, ovos, leite”, disse o director do projecto.

Mais de 200 mil ovos mês no Nzeto

Duzentos e 90 mil ovos são produzidos mensalmente pelo Projecto Agrícola do Nzeto, nos arredores da sede daquele município a Sul do Zaíre, para uma população de 44 mil 440 habitantes. Para a produção de ovos há cerca de dez mil galinhas que põem os ovos em três naves.

Posteriormente, os ovos são armazenados em dois contentores com um sistema de refrigeração à temperatura ideal para a sua conservação. A directora do projecto, Margarida de Almeida, disse à imprensa que a meta é produzir de 300 mil ovos. Ainda não foi cumprida por haver galinhas que morrem por qualquer circunstância ou outra que não põem os ovos no tempo previsto. (opais)

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