Andebol angolano parte em desvantagem

(Foto: José Cola)

Antonius Van Linder, treinador holandês destacado pela Federação Internacional de Andebol para trabalhar com Angola, manifestou sábado algum cepticismo em relação ao desempenho do sete nacional feminino nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro’2016, tendo em conta o atraso no processo de preparação para a prova, que vai decorrer de 5 a 21 de Agosto.

Em declarações ao Jornal de Angola, após o encerramento do primeiro curso que orientou para treinadores angolanos, o especialista holandês justificou o seu pessimismo tendo em conta que “outras selecções já se preparam há cerca de um mês. Jogaram recentemente os torneios de qualificação para os Jogos Olímpicos e também o apuramento para o Campeonato da Europa, a ser disputado em Dezembro.

Estas duas provas são fortíssimas e permitem às selecções ganhar bom ritmo competitivo, antes do Torneio do Rio de Janeiro” explicou.
O formador internacional da IHF admite que o facto de Angola ter todas as jogadoras no país e a maioria num só clube, pode ajudar no entrosamento do grupo, mas considera que esta vantagem relativa não compensa a adaptação competitiva que os jogos com outras selecções poderiam conferir.
“Se olharmos para o Campeonato do Mundo da Dinamarca, em 2015, como última aparição internacional de Angola, temos de ser realistas e dizer que precisam jogar muito melhor, para terem algumas possibilidades de uma boa campanha. Vocês têm ainda o problema da arbitragem, cujo nível de desempenho está abaixo daquilo que as jogadoras apresentam e isso vai prejudicar, seguramente, a prestação competitiva nas provas internacionais”, acrescentou.
Nomeado pela Federação Internacional como treinador itinerante para Angola, Ton Van Linder fez um balanço positivo da semana de trabalho no país, destacando que as condições de trabalho para o andebol feminino são as melhores que encontrou em África. “As jogadoras têm bastante potencial desportivo e existem bons treinadores.

Falta uniformizar os critérios de treino e estabelecer uma filosofia de formação que vá ao encontro das características das jogadoras e das necessidades da selecção principal. Temos também necessidade de garantir formação de qualidade para os jovens treinadores e assim assegurar o futuro”.
O desempenho do sete nacional feminino em algumas provas internacionais tem chamado a atenção da entidade reitora do andebol mundial, segundo referiu o técnico holandês.

“Depois de Angola ter ficado duas vezes entre as 8 melhores selecções do mundo (2007 em França e 2011 no Brasil), surgiu a curiosidade de saber como foi possível e também como podemos ajudar, para que a progressão seja permanente e não tenha altos e baixos, como aconteceu até aqui.

Sinceramente, estou admirado por constatar as condições em que vocês trabalharam para chegar a estas classificações em campeonatos do mundo. Entre algumas coisas importantes que precisam mudar, não há dúvida de que é necessário investir mais dinheiro na preparação das jogadoras, dos treinadores e dos árbitros. Só encadeando todas essas acções, de forma estruturada, podemos promover a evolução da selecção nacional”, recomendou.
Van Linder é co-autor de um importante documento orientador denominado “A Visão do Andebol Holandês”, que serve de base a todo trabalho realizado nos processos de formação e de Alto Rendimento daquele país.
Para si, relançar o andebol nacional passa por um processo complexo de análise que agora começou a realizar, seguindo-se o envolvimento dos treinadores, federação e autoridades do país. Cita o exemplo da Holanda, onde, após estudo aturado das tendências mais em voga no treino da modalidade, acabaram por estabelecer as suas próprias linhas orientadoras, com base nas contribuições dos treinadores locais.
Angola começa o torneio de Andebol dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro no dia 6 de Agosto às 19h50, diante da Roménia, terceira classificada do último Campeonato do Mundo. Seguem-se Montenegro a 8, Noruega, 10, Brasil, 12, e Espanha, 14, no encerramento da fase preliminar. (jornaldeangola)

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