África celebrou o Dia internacional dos albinos, uma minoria perseguida

Meninas albinas são vistas em Nansio, Tanzânia, no dia 13 de junho de 2016 (AFP)

Perseguidos, agredidos e até mesmo assassinados em alguns países da África subsariana em nome de crenças vinculadas à bruxaria, os albinos estão no centro do debate nesta segunda-feira, Dia internacional de sensibilização ao albinismo, data criada em 2015 pelas Nações Unidas.

Após vários anos de ‘lobby’, os direitos dos albinos entraram na agenda internacional, como fica claro com a criação do cargo de especialista independente sobre albinismo pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, actualmente ocupado pela nigeriana Ikponwosa Ero.

“No mundo todo, os albinos sofrem discriminações que limitam sua participação na sociedade”, afirma à AFP Ero, afectada por esta condição. O albinismo, uma ausência congénita da produção de melanina, se caracteriza pela pele pálida e os cabelos brancos.

Os assassinatos, exumações ilegais ou agressões a albinos na África subsariana representam um problema grave, que os especialistas têm dificuldade de dimensionar.

Estes crimes estão vinculados a crenças segundo as quais as poções preparadas com partes dos corpos dos albinos trazem sorte e riqueza.

De acordo com um relatório publicado em 2 de Junho pela ONG canadense Under The Same Sun (UTSS), nos últimos anos foram registados 457 ataques, entre eles 178 homicídios, a albinos em 26 países da África.

Os países citados com mais frequência são Tanzânia, com 161 ataques, República Democrática do Congo (61), Burundi (38), Malauí (28) e Costa do Marfim (26).

Onda de ataques

No Malauí, os albinos estão sofrendo “uma onda sem precedentes de ataques brutais”, indicou nesta semana a ONG Amnistia Internacional, que acusou a polícia de ser incapaz de acabar com este flagelo.

Pelo menos 18 pessoas com albinismo foram assassinadas no país desde Novembro de 2014, e outras cinco estão desaparecidas, indicou a organização, baseada em Londres.

“O comércio macabro é estimulado pela crença de que os ossos dos albinos contêm ouro”, denuncia o relatório.

Assim, a população albina do Malauí, estimada entre 7.000 e 10.000 pessoas, vive “em um clima de medo constante”.

“Não deixam nem mesmo os mortos em paz. A polícia do Malauí contabiliza pelo menos 39 casos de exumação ilegal de cadáveres de albinos ou de pessoas em posse de ossos ou de membros de albinos”, acrescenta o relatório da Amnistia.

Ikponwosa Ero lembra, citando um relatório da Cruz Vermelha, que o corpo “completo” de um albino pode valer até 75.000 dólares, o que estimula a cobiça em populações miseráveis.

Nesta segunda-feira, o presidente da Tanzânia, John Magufuli, comemorará o dia internacional do albinismo na cidade de Dar es Salaam, o que ilustra como vários países africanos vêm enfrentando cada vez mais o problema, segundo especialistas.

“A vontade política existe, mas o maior problema são os recursos”, lamenta Ero.

“Os países não têm, por exemplo, os meios necessários para realizar investigações médico-legais e colectar informações”, afirma a especialista da ONU. (AFP)

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