Abertura dos mercados: Travão dos bancos centrais leva bolsas para mínimos e ouro para máximos

(Bloomberg)

As bolsas europeias estão a negociar no valor mais baixo desde Fevereiro, enquanto o ouro e o iene japonês estão em máximos de quase dois anos, depois de a Fed e do Banco do Japão terem deixado os juros inalterados.

Os mercados em números

PSI-20 cai 0,84% para 4.426,52 pontos

Stoxx 600 perde 1,27% para 319,53 pontos

Nikkei desvalorizou 3,05% para 15.434,14 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos sobem 3,4 pontos base para 3,384%

Euro sobe 0,05% para 1,1265 dólares

Petróleo em Londres desce 0,94% para 48,51 dólares o barril

Bolsas europeias em mínimos de Fevereiro

As bolsas europeias estão a negociar em queda esta quinta-feira, 16 de Junho, depois de a Reserva Federal dos Estados Unidos e o Banco do Japão terem deixado os juros inalterados, sinalizando algumas incertezas em torno da evolução das perspectivas globais.

O índice de referência para a Europa, o Stoxx600, cai 1,27% para 319,53 pontos, o valor mais baixo desde Fevereiro.

Por cá, o PSI-20 negoceia em mínimos de Julho de 2012 com uma desvalorização de 0,84% para 4.426,52 pontos. O BCP é a cotada que mais pressiona, com uma descida de 3,14% para 1,85 cêntimos.

Iene sobe após decisão do Banco do Japão

A moeda japonesa valoriza quase 2% face ao dólar, depois de o Banco do Japão ter deixado inalterada a taxa de juro de referência em -0,1%. Devido à incerteza em torno das estimativas para o crescimento global, da evolução da política monetária nos Estados Unidos e do referendo sobre o Brexit, a autoridade monetária decidiu não aumentar os estímulos à economia.

A decisão afundou os principais índices bolsistas japonesas e impulsionou o iene. A moeda nipónica ganha 1,86% para 104,08 por dólar, o valor mais alto desde Setembro de 2014.

Petróleo cai pela sexta sessão

O petróleo está a negociar em queda pela sexta sessão consecutiva, com a diminuição das perturbações no aprovisionamento a compensar a descidas das reservas de crude dos Estados Unidos.

O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, desce 0,98% para 47,54 dólares, enquanto o Brent, transaccionado em Londres, cai 0,94% para 48,51 dólares.

Segundo os dados divulgados ontem pela Administração de Informação de Energia, as reservas norte-americanas diminuíram em 933 mil barris na semana passada para 531,5 milhões.

Fed leva ouro para máximos de quase dois anos

O ouro está a negociar em máximos de quase dois anos, depois de a Reserva Federal dos Estados Unidos ter mantido os juros inalterados e ter sinalizado que se poderão manter baixos durante mais tempo.

A autoridade monetária explicou que “o ritmo de melhoria do mercado laboral abrandou”, apesar de “o crescimento na actividade económica” dar sinais de recuperação.

Ainda que o comunicado da Fed não mencione o Brexit, a presidente da instituição, Janet Yelle, admitiu, em declarações aos jornalistas, que esse foi um factor que também pesou na decisão.

O metal precioso valoriza 1,31% para 1.308,66 dólares por onça, o valor mais alto desde Agosto de 2014. Já a prata ganha 1,66% para 17,8135 dólares.

Destaques do dia

Yellen adia subida de juros à espera do referendo britânico. Após a histórica subida dos juros em Dezembro, a Fed não voltou a fazê-lo. Agora, Janet Yellen justificou a decisão com a economia. Mas admitiu que o Brexit foi discutido e a decisão reflecte esse risco.

Banca aposta nos cofres para evitar taxa do BCE. Os sucessivos agravamentos da taxa cobrada aos bancos para parquearem a liquidez junto da autoridade monetária está a levar as instituições alemãs a procurarem cofres. Pagar às seguradoras sai mais barato.

Banca empresta 15 milhões por dia para consumo. O crédito ao consumo continua a aumentar. Nos primeiros quatro meses deste ano, foram concedidos 1,85 mil milhões de euros.

Malparado no consumo está em mínimos. De todo o montante concedido em crédito ao consumo, mais de 8% é de cobrança duvidosa. Um mínimo de antes da troika.

Portugueses tiram mais 100 milhões dos fundos em Maio. Os portugueses retiraram dinheiro dos fundos pelo quinto mês consecutivo, num período marcado pela maior instabilidade nos mercados.

Reforço do CaixaBank no BPI facilita desblindagem. Desde que anunciou a OPA ao BPI, o CaixaBank comprou 10,38 milhões de acções do banco. Estes títulos prometem ter peso decisivo na AG de dia 22. Com voto dos catalães, Allianz e grupo Nors, limite de votos deve acabar.

ATM avança com acção contra desblindagem no BPI. A associação de pequenos investidores argumenta que o CaixaBank está a beneficiar de um tratamento privilegiado, que está a prejudicar os pequenos accionistas do banco.

Bridge reforça na Oi para mais de 5%. A brasileira Bridge- Administradora de Recursos informou o mercado que procedeu a novas aquisições de participações na Oi, detendo agora 5,92% do capital social da operadora.

O que vai acontecer hoje

Banco do Japão. Conclusão da reunião de política monetária do Banco do Japão, com a divulgação da decisão sobre a taxa de juro de referência, actualmente em -0,1%.

Eurogrupo. Os ministros das Finanças da Zona Euro reúnem-se no Luxenburgo, com o objectivo de avaliar se a Grécia está a cumprir com as exigências do programa de resgate.

BCE. Boletim Económico.

Zona Euro. Índice de preços no consumidor, relativo a Maio.

INE. Estimativas de população residente, relativas 2015.

Banco de Inglaterra. Conclusão da reunião do Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra, com a divulgação da decisão sobre a taxa de juro de referência, actualmente em 0,50%.

EUA. Novos pedidos de subsídio de desemprego, na semana terminada a 11 de Junho; Pedidos de subsídio de desemprego continuados, na semana terminada a 4 de Junho; Índice de preços no consumidor, relativo a Maio. (Jornal de Negocios)

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