Abertura dos mercados: Bolsas sem tendência definida depois do “susto” do Brexit

(REUTERS)

As bolsas europeias abriram a semana sem um rumo definido, depois das fortes quedas registadas na sexta-feira, no rescaldo do referendo. O euro segue em queda e o petróleo em alta.

Os mercados em números

PSI-20 sobe 0,31% para 4.375,66 pontos

Stoxx 600 perde 1,11% para 318,40 pontos

Nikkei valorizou 2,39% para 15.309,21 pontos

Juros da dívida portuguesa a dez anos sobe 2 pontos base para 2,31%

Euro recua 0,55% para 1,1057 dólares

Petróleo em Londres sobe 0,99% para 48,89 dólares o barril

Bolsas europeias sem tendência definida

As bolsas europeias arrancaram a semana sem uma tendência definida, depois das fortes quedas registadas na sexta-feira, na sequência do resultado do referendo sobre o Brexit.

O índice de referência para a Europa, o Stoxx600, perde 1,11% para 318,40 pontos. Por cá, o PSI-20 sobe 0,31% para 4.375,66 pontos, impulsionado sobretudo pelo BCP e pela Nos.

Juros da dívida aliviam depois da turbulência

Após as fortes subidas registadas da sexta-feira, com a vitória do Brexit no referendo britânico, os juros da dívida soberana portuguesa estão a aliviar no arranque desta semana. A taxa a dez anos recua 1,0 pontos para 3,348%, sendo que a tendência de queda é mais acentuada nos restantes países da periferia. Ao mesmo tempo, a dívida alemã continua a alcançar menores taxas de juro, tal como aconteceu na última sessão. A “yield” da dívida a dez anos cai 3,6 pontos para -0,083%, levando o prémio de risco de Portugal a subir para 343,1 pontos.

Euro e libra prosseguem descidas

A moeda única europeia está em queda face ao dólar, penalizada pela decisão dos eleitores britânicos que, na passada sexta-feira, escolheram sair da União Europeia. O euro desce 0,55% para 1,1057 dólares, depois de ter recuado mais de 2% na última sessão. Já a libra, que afundou 8,05% na sexta-feira, desce nesta altura 2,09% para 1,3393 dólares.

Petróleo em alta

O petróleo está a negociar em alta ligeira nos mercados internacionais depois de ter caído quase 5% na passada sexta-feira. O West Texas Intermediate (WTI), negociado em Nova Iorque, sobe 0,63% para 47,94 dólares, enquanto o Brent, transaccionado em Londres, ganha 0,99% por 48,89 dólares.

O ministro da energia da Rússia já avisou que, se aos efeitos do Brexit se juntar um aumento da oferta, os preços da matéria-prima poderão cair ainda mais.

Ouro sobe pela segunda sessão

O metal precioso está a valorizar pela segunda sessão consecutiva, beneficiando do aumento da procura por activos considerados mais seguros, depois de os eleitores do Reino Unido terem dado vitória ao Brexit no referendo da passada quinta-feira.

O ouro valoriza 0,89% para 1.327,48 dólares por onça, enquanto a prata ganha 0,23% para 17,7850 dólares.

Destaques do dia

PP vence, Podemos desilude, PSOE decide. O PP de Mariano Rajoy reforçou a votação, mas os factores que geraram o impasse nas anteriores eleições repetem-se de forma cruel. Agora inicia-se um novo processo negocial e o PSOE tem a chave da solução e escolhas muito difíceis para fazer.

Brexit deixa Portugal mais longe de sanções da UE. A decisão do Reino Unido, de abandonar a União Europeia, fez virar os focos e o Tratado Orçamental deixou de ser a prioridade. As preocupações agora são outras e dificilmente serão aplicadas sanções por défice excessivo, defendem os especialistas ouvidos pelo Negócios.

Bancos centrais em alerta pós-Brexit reúnem-se em Sintra. Draghi recebe em Sintra alguns dos mas poderosos banqueiros centrais do mundo num momento em que estão em alerta máximo para evitar turbulências na banca, nas moedas ou nos juros da dívida que possam prejudicar a economia e confiança dos investidores.

PSI-20 de regresso a 1996, ano do “chapéu” de Poborsky. O PSI-20 atingiu na sessão de sexta-feira o valor mais baixo desde 1996. A última vez que o índice esteve tão baixo ainda se compravam e vendiam títulos de viva voz na sala de negociação da bolsa portuguesa.

Bomba rebentou. Onda de choque nas bolsas vai durar. Bolsas em mínimos de vários anos, juros da dívida soberana a disparar. Isto com a libra a tocar níveis de 1985 e o ouro a brilhar. Um efeito colateral do Brexit que, dizem os analistas, vai demorar a passar.

Dívida da periferia em estado de alerta com fuga ao risco. Abriram os mercados e os juros da periferia dispararam. O Brexit caiu com estrondo nos investidores, que fugiram do risco. Já a dívida alemã viu as taxas negativas chegarem até aos 15 anos.

Dinheiro fácil está a começar a ripostar nos mercados, diz o BIS. Um pouco por todo, os bancos centrais mantêm políticas monetárias altamente expansionistas. O BIS diz que é um risco. E que essas políticas estão a começar a ripostar nos mercados financeiros.

Do colapso da libra ao disparo do iene. Como o Brexit levou o caos ao mercado cambial. A moeda que já deu ganhos de milhões a Soros voltou a ter uma quebra histórica. Investidores refugiaram-se no iene numa das sessões mais voláteis de sempre no mercado cambial.

O que vai acontecer hoje

BCE. Decorre, em Sintra, o Fórum do BCE.

INE. Conta Satélite da Saúde, em 2015.

EUA. Índice de gestores de compras (PMI) no sector dos serviços, em Junho. (Jornal de Negocios)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA