69 milhões de crianças enfrentam risco de morte prematura até 2030

(Foto: D.R.)

Angola lidera a lista de países onde anualmente mais crianças com menos de cinco anos morrem de “causas evitáveis”, num rácio de 157 por cada mil. Nos próximos 14 anos, 167 milhões de crianças estarão a viver em condições de pobreza extrema e 750 milhões serão forçadas a casar-se, aponta a UNICEF num novo relatório.

O Fundo de Emergência da ONU para as Crianças (UNICEF) divulgou esta terça-feira um relatório onde sublinha que, até 2030, 69 milhões de crianças poderão ser vítimas de morte prematura por “causas evitáveis” antes de atingirem os cinco anos de idade, por causa dos falhanços dos líderes políticos em responder às desigualdades sociais a nível global.

No relatório intitulado “Estado das Crianças do Mundo 2016”  o ramo da ONU sublinha que a população mais jovem continua a ser afetada “de forma desproporcional” por conflitos violentos, emergências humanitárias, desastres naturais e crises de saúde pública. De acordo com estimativas da organização, 167 milhões de crianças estarão a viver em pobreza extrema até 2030, prevendo-se que pelo menos 60 milhões de alunos do ensino primário se vejam impossibilitados de ir à escola ao longo dos próximos 14 anos.

Segundo cálculos da UNICEF, quase metade das crianças vivem no continente africano: Angola lidera a lista de países onde mais crianças morreram prematuramente por causas que podiam ser prevenidas, sendo que 157 em cada mil crianças com menos de cinco anos morreram anualmente até 2015. A ex-colónia portuguesa é seguida pelo Chade, onde o rácio é de 139 em cada mil, e da Somália, onde morrem por ano 137 em cada mil crianças.

Outro flagelo ao qual a comunidade global precisa de dar respostas práticas e imediatas é o dos casamentos forçados infantis, com a UNICEF a apontar que haverá até 750 milhões de noivas e noivos-criança em todo o mundo até 2030.

“Negar a centenas de milhões de crianças oportunidades justas na vida faz mais do que ameaçar os seus futuros”, sublinha Anthony Lake, diretor-executivo da UNICEF. “Ao alimentar ciclos intergeracionais de desvantagem, pomos em risco o futuro das suas sociedades. Temos uma escolha: investir nestas crianças agora ou permitir que o nosso mundo se torne um sítio ainda mais desigual e dividido.” (expresso)

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