Venezuela: Maduro governará por decreto na Economia em 2016

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, em Caracas, no dia 19 de abril de 2016 (AFP)

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou, nesta quarta-feira, que governará por decreto em matéria económica até o final de 2016, para enfrentar a aguda crise que acentuou a escassez de alimentos e de remédios.

Maduro disse que, nos próximos dias, renovará o decreto de emergência económica de 14 de Janeiro passado, de 60 dias de validade, o qual já havia estendido pelo mesmo período em Março.

Será “para continuar enfrentando os problemas com a Constituição e com o poder que o estado de excepção me dá para continuar agindo. Todo este ano vou deixá-lo activado para ter a resposta aqui na mão”, afirmou o presidente, diante de milhares de seguidores no Palácio presidencial de Miraflores.

Maduro garantiu que a “prioridade” de seu governo é a “superação da emergência económica”, motivo pelo qual pediu à população que não se engane quanto às intenções da oposição de tirá-lo do poder por um referendo revogatório.

“Não vamos nos distrair. Nenhuma das acções activadas por aqui, por ali, pela direita, ou anunciadas, conhecidas, ou não conhecidas, nenhuma tem viabilidade política nem atingirá seu objectivo de acabar a revolução, de revogar o poder político que o povo tem nesse palácio”, expressou.

Para ser aplicado, o decreto de emergência deveria ser validado pelo Parlamento, de maioria opositora, que se negou a fazê-lo. A oposição alega que as medidas contidas no decreto aprofundam um modelo de controle estatal “fracassado” da economia.

Hoje, o presidente da Assembleia Legislativa, Henry Ramos Allup, disse que Maduro “não tem poder constitucional para prorrogar o decreto, além do prorrogado de maneira já inconstitucional”.

“Para que serviu esse decreto? Tudo piorou e vai piorar, enquanto nós não o tirarmos democraticamente”, declarou, em entrevista colectiva. (AFP)

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