Um país de fortes raízes culturais assentes na família

A família constitui o núcleo da sociedade (Foto: Joaquina Bento)

Angola é um país com fortes raízes culturais, alicerçadas numa rica tradição oral, tendo sido esta, durante séculos, um importante veículo cultural de transmissão de conhecimentos, educação e de moralização da sociedade, onde a figura do mais velho sempre teve lugar destacado.

Era a figura do mais velho uma espécie de pilar na educação dos jovens. A ele recorriam, até mesmo chefes de famílias, em busca de conselhos antes de dar passos importantes na caminhada como indivíduos incluídos numa sociedade.

Nos dias que correm, esse quadro tende a mudar radicalmente, colocando em risco toda uma “estrutura” de suporte à educação das famílias e, por via desta, da própria sociedade.

O quadro que se desenha é preocupante e muitos sinais negativos da quebra dessa cadeia de transmissão de valores (dos mais velhos aos jovens), por via da tradição oral, estão cada vez mais patentes.

O que dizer dos inúmeros problemas familiares que tanto se ouve falar nos nossos dias, fundamentalmente nas principais cidades do país? Existem respostas para justificar essas situações de elevado grau de complexidade?

À vista desarmada pode-se afirmar que a origem da quebra na transmissão de valores, em grande parte das famílias angolanas, resulta, em muitos casos, em conflitos familiares graves.

A este factor junta-se outro daí decorrente e que resulta na impaciência dos jovens. Para ilustrar, basta pensar nos conflitos existentes em famílias com jovens e adolescentes.

Como as rupturas nessa cadeia de educação e de valores resultam em fissuras sociais graves que desacelera o rápido crescimento do país, Estado e parceiros sociais juntaram energias para acções de seu resgate.

A fim de recuperar os bons valores que sempre caracterizaram o ser angolano, Estado e parceiros lançaram mãos a seminários, campanhas e acções de resgate dos valores morais e cívicos. Mas o caminho ainda é longo.

Da perda de valores característicos do ser angolano à apropriação indevida de bens, a distância é muito curta. Este aspecto torna-se evidente, principalmente, em questões ligadas a direitos sobre a herança e o património.

Torna-se urgente a mudança desse quadro para se evitar males ainda maiores, daí atacar o centro da questão: a família.

Se dentro desse quadro a família é a base do processo de socialização do indivíduo, é fundamental que ela seja estruturada de tal forma que o relacionamento entre seus integrantes seja de harmonia e de respeito.

Logo, ao pensar na família enquanto grupo, não se trata aqui de fazer uma apologia ao modelo do passado ou ao do presente, mas de propor a reflexão quanto aos desdobramentos da sua conformação e transformações, uma vez que as suas características se reflectem na sociedade.

Em 1993, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o 15 de Maio como Dia Internacional da Família. Desde esse ano que a ONU tem celebrado este dia, chamando a atenção para determinadas questões que influenciam o dia-a-dia da Família, como forma de reconhecer o papel nuclear da família na sociedade e de impulsionar a adopção de medidas no plano nacional e internacional para melhorar a condição da família.

A celebração do Dia Internacional da Família visa, entre outros objectivos, destacar a sua importância na estrutura do núcleo familiar e o seu relevo na base da educação infantil, reforçar a mensagem de união, amor, respeito e compreensão necessários ao bom relacionamento de todos os elementos que compõem o núcleo.

Chamar a atenção da população para a importância da família como núcleo vital da sociedade e para seus direitos e responsabilidades desta, sensibilizar e promover o conhecimento relacionado com as questões sociais, económicas e demográficas que afectam a família são outros propósitos.

O tema do Dia Internacional da Família para 2016 é: “Famílias, vidas saudáveis e futuro sustentável”. (ANGOP)

por Francisca Augusta

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA