UA indispensável a emancipação política e económica do continente

Joaquim do Espirito Santos - Director para África e Médio Oriente do Mirex (Foto: Lino Guimaraes)

A União Africana, que assinala 53 anos da sua fundação a 25 de Maio, continua a ser um instrumento político e diplomático indispensável a emancipação política e económica do continente, declarou nesta sexta-feira o director para África, Médio Oriente e Organizações Regionais do Ministério das Relações Exteriores.

Joaquim do Espírito Santo dissertava numa palestra alusiva ao 25 de Maio, instituído dia de África e do 53 aniversário da fundação da União Africana, organizada pelo Estado-maior-general das Forças Armadas Angolanas (FAA).

O nascimento da OUA surge das aspirações legitimas dos povos africanos para o alcance da liberdade, igualdade, justiça e dignidade, e visando promover a irmandade, solidariedade e cooperação entre os Estados, no respeito a mais larga unidade ética e as diferenças nacionais.

Defendeu a necessidade de se continuar a promover a consolidação da paz e segurança, bem como a criação de um quadro normativo e institucional para a prevenção, gestão e resolução de conflitos e de crises, a diminuição significativa de guerras civis e conflitos inter-étnicos.

O embaixador Espírito Santo apontou como principais desafios do continente a criação de condições para atender a demanda da sua população que poderá passar dos actuais 1,4 milhões de habitantes para 2 mil milhões em 2050, que será cada vez mais urbana e maioritariamente de pessoas com idade activa.

Adianta que cinco países africanos poderão até 2050 ter mais de cem milhões de habitantes, nomeadamente, a Nigéria (Nigéria 200 milhões), RDC (180 milhões) Etiópia (140 milhões) e Egipto e Tanzânia, cujos números não precisou.

Mencionou entre as principais dificuldades do continente a escassez de recursos, a excessiva dependência do ocidente, a falta de pagamento das contribuições e a ingerência externa, que muitas vezes instiga e alimenta conflitos internos e até com países vizinhos.

O diplomata considerou a “Agenda 2063, visão e aspiração africana” aprovada em Cimeira de Chefes de Estado e de governo do continente, como uma das grandes soluções para os problemas que afectam esta parte do globo terrestre.

Sublinhou que a “agenda 2063” é um programa visionário e prevê entre outras a promoção do crescimento inclusivo e desenvolvimento sustentável, a integração e unidade política, fundada nos princípios da boa governação, democracia, respeito pelos direitos humanos, justiça e Estado de direito, pacífica e segura e tornar a África um forte e influente parceiro e actor mundial.

Afirmou que o programa estabelece também o desenvolvimento do continente orientado para o povo, contando principalmente com o potencial das mulheres e da juventude.

Referiu que a África continua empenhada em eleger dois membros permanentes para o Conselho de Segurança da ONU, de modo a aumentar o seu prestígio e a sua participação nas grandes decisões globais.

Apelou a que se renda homenagem aos líderes africanos que com abnegação e sacrifício ofereceram resistência contra a ocupação estrangeira e opressão e se bateram para as independências dos povos africanos tais Jomo keniata, Nkuame Nkruma e Julius Nyerere.

Presenciada pelo 2º comandante da Força Aérea Nacional, tenente general Cristóvão Júnior, e o director do Museu Nacional de história Militar, tenente general Silvestre António, a palestra contou com a presença de generais, almirantes, oficiais superiores do Estado-maior-general, dos ramos das forças armadas e unidades de subordinação central. (ANGOP)

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