Turquia: Presidente Erdogan afasta-se da União Europeia e insiste no reforço de poder

(EURONEWS)

O Presidente da Turquia distanciou-se esta sexta-feira da União Europeia e insistiu na necessidade “urgente” do país alterar a Constituição a adotar um sistema mais presidencialista. Recep Tayyp Erdogan aproveitou um comício em Istambul, esta sexta-feira, para enviar os dos recados.

Sobre os “28”, o chefe de Estado turco rejeita ceder na alteração das leis antiterrorismo em vigor para colocar o país em linha com os critérios europeus. Esta exigência é uma das cinco ainda por cumprir das 72 solicitadas por Bruxelas a Ancara para liberalizar a circulação de cidadãos turcos no espaço Schengen.

A recusa de Erdogan põe em risco o acordo euro-turco para acabar com a necessidade de vistos para os turcos entrarem e circularem na União Europeia.

Recep Tayyp Erdogan denuncia o alegado apoio dos “28” ao grupo PKK por ter permitido em março que fosse levantada uma tenda curda suspeita de promover aquela organização considerada terrorista.

“A União Europeia deixa terroristas montar tendas em Bruxelas e dá-lhes oportunidades em nome da democracia. Depois, quer vir aqui a dizer-nos que só se mudarmos as nossas leis antiterrorismo é que libera os visos de Schengen para turcos? Desculpem, mas assim, nós vamos à nossa vida e vocês (União Europeia) à vossa”, afirmou Erdogan.

As restantes quatro exigências da UE ainda por cumprir por Ancara prendem-se, de acordo com a agência turca Anadolu, com medidas para prevenir a corrupção, proteção de dados privados, cooperação estreita com a Europol e colaboração judicial em problemas criminais com todos os 28 Estados-membros.

Sistema presidencial sem Davutoglu

A desejada mudança para um novo sistema político em que o Presidente ganha poderes reforçados e assume um papel decisivo na liderança política do país voltou uma vez mais a ser defendida por Erdogan, no comício desta sexta-feira. O Presidente garante que é para o bem do país e não pelo interesse pessoal que a oposição denúncia.

“O sistema presidencial não está diretamente relacionado com a minha pessoa. As experiências que a Turquia tem tido até aos dias de hoje mostram que é preciso com urgência passarmos a ter um sistema presidencial e uma nova Constituição”, afirmou o chefe de Estado.

A transição politica desejada por Erdogan ganhou força na quinta-feira, após o anúncio de Ahmet Davutoglu de não se recandidatar à liderança do partido no poder, o Justiça e Desenvolvimento (AKP). O ainda primeiro-ministro não se revela um aliado do projeto de um sistema presidencialista para a Turquia.

Com o anunciado afastamento marcado para 22 de maio, data do congresso do AKP, Davutoglu, cuja relação com Erdogan tem vindo a esfriar e a distanciar-se, deixará também de ser primeiro-ministro, abrindo espaço para alguém mais próximo do Presidente e aberto à mudança política preconizada por Erdogan para a Turquia. (EURONEWS)

por Francisco Marques | com ANADOLU, REUTERS

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