Transformar o lixo produzido em fertilizante para a agricultura

Um projecto ecológico e sustentável vai transformar o lixo orgânico e material biodegradável em fertilizante destinado ao desenvolvimento da agricultura nacional, numa iniciativa do jovem empreendedor Eugénio Soares, o primeiro classificado do concurso realizado pela petrolífera Total, denominado “Startupper do ano”.

Foi a ideia de criação de uma oficina de compostagem que o levou ao concurso, onde se sagrou vencedor ante os dez projectos concorrentes seleccionados de centenas de candidaturas.

Dos dez só três foram seleccionados, e por isso, além de Eugénio Soares com o projecto ecológico de transformação de lixo em adubo, estão outros dois jovens empreendedores com projectos sobre a criação de uma plataforma para promoção do turismo nacional e um outro relacionado com a criação de um aplicativo para empresas prestadoras de serviços e utentes de smartphones. Trata-se de Lopo dos Santos e Metume de Lemos.
Os três jovens vencedores do concurso “Startupper do ano” realizado pela petrolífera Total estão prestes a concretizar a actividade empreendedora com a assinatura na semana passada de um acordo de apoio financeiro às iniciativas empresariais e formação técnica, cujos signatários foram o BAI e a própria Total.
“A assinatura representa um sinal de compromisso da parte da sociedade e das empresas grandes em dar valor às ideias inovadoras. É um sinal de fé em nós. Viemos apenas vender as nossas ideias, os nossos sonhos quanto ao que podemos fazer pelo nosso país”, referiu o segundo classificado do concurso, Lopo dos Santos, ao Jornal de Angola.
Eugénio Soares, mais do que nunca, sabe agora que o seu projecto tem pernas para andar. Numa primeira fase o foco vai ser a recolha de resíduos orgânicos a partir dos grandes geradores (restaurantes, hotéis e indústrias), onde vão deixar ficar recipientes apropriados para os resíduos. Depois de cheios, os recipientes são enviados para a área de processamento, onde ocorre a transformação de resíduos em adubo.
Segundo o empreendedor, a ideia do negócio não passa apenas por se eliminar o lixo. É também educar as pessoas e levá-las a perceber que enquanto participantes da problemática devem também contribuir para a solução. “Queremos retirar das ruas a porção de resíduo orgânico que são os causadores de cheiros e geradores de vectores. Ao tirar esta porção vamos fazer com que o resíduo que chegue ao aterro sanitário seja a porção seca que é mais bem fácil de compactar”, sublinhou.
Formado em engenharia ambiental, o jovem empreendedor quer dar outro rumo ao lixo e fortalecer a agricultura com fertilizantes feitos pela sua empresa a partir de resíduos, que vão ser recolhidos porta a porta. “Concebi o projecto no Brasil e sempre acreditei na resolução da problemática do lixo que não só assola o país, mas também o mundo. A gestão de resíduos sólidos é uma questão a ter em conta nos tempos que correm”, notou.

Twendy “vende experiências”

Lopo dos Santos é o segundo classificado do concurso “Startupper do ano”, de iniciativa da petrolífera Total. Quer dar corpo à Twendy, um projecto voltado à promoção do ­turismo nacional com uma abordagem inovadora: “a venda de experiências”.  “A Twendy é uma empresa de turismo nacional cuja especificidade consiste em vender pacotes de serviços e “experiências” internas. Sabemos que a maior parte das agências existentes são internacionais e não são de turismo como tal, pois vendem apenas pacotes de viagem e requisitam hotéis e auxiliam as pessoas a viajar. Têm pouco de turismo”, realçou Lopo dos Santos.
Depois de ter assinado acordo com o BAI e a Total, Lopo dos Santos começa a trabalhar na elaboração de uma cartografia para identificar os pontos turísticos e culturais. A ideia, explicou, é tornar a Twendy uma agência cujo mote seja simplesmente “vender experiências”, não só para estrangeiros mas também nacionais, numa actuação muito mais local e voltada para a “exploração de lugares, da cultura e vivências”.
“Dentro de seis meses começamos com o lançamento da plataforma online. Sempre pensei que a solução do nosso país é interna. O necessário é potencializar”, traça o empreendedor, que prevê trabalhar com uma base de custo variável.

“Apps nacional”

Metume de Lemos é o terceiro classificado do concurso “Startupper do ano”. Ele projecta a criação de um aplicativo para smartphones denominado “Que Bom”, cujo fim é congregar várias empresas prestadoras de serviços e fazer com que utentes de telefones “smarties” tenham uma base de dados que lhes permita solicitar serviços a partir de onde quer que estejam.

O aplicativo vai poder ser baixado por empresas e utentes de smartphones.
Formado nos Estados Unidos e trabalhador por conta própria, Metume de Lemos disse que o objectivo é contribuir para a melhoria da prestação de serviço no mercado nacional.
“Nada melhor que termos a orientação de uma grande empresa como a Total que está bem estabelecida e de um banco bem estabelecido a nível do nosso mercado que é o BAI.” Trabalha por conta própria e fornece equipamentos electromecânicos ao sector das águas. Tem seis meses de formação na academia BAI.

Apoio do BAI

“Este é o nosso compromisso. Agora vamos apoiar estas iniciativas, do ponto de vista técnico e do ponto de vista de administração das empresas que vão ser constituídas”, assegurou o presidente do conselho de administração do BAI. José Massano disse querer assegurar que as empresas criadas a partir de iniciativas de jovens aconteçam na prática e com sucesso. “Isto é o início.

O BAI vai prosseguir com iniciativas deste género”, disse.
Os três jovens empreendedores desenham projectos empresariais capazes de contribuir para a resolução de problemas reais no país. Candidataram-se ao concurso “Startupper do ano” de iniciativa da Total e foram seleccionados para estar entre os dez melhores. Depois foram submetidos a 40 horas de formação, seguida de uma fase em que tinham de “vender as ideias” aos júris. Com a recente assinatura do acordo, vão beneficiar de um período de seis meses de formação na academia BAI. (jornaldeangola)

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