‘Temos de programar as nossas vidas sem petróleo’

(Foto: D.R.)

Agostinho Kapaia, presidente da CEEIA, a Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola diz que se o preço do petróleo voltar a subir, ‘tal deverá servir para acrescentar valor às gerações futuras’.

Para aquele que já foi considerado como um símbolo da nova geração de empresários nacionais ‘este choque que Angola está a viver devido à baixa do preço do petróleo mostra claramente que a política que estávamos a seguir, de uma dependência quase total do sector petrolífero, estava errada.

Há pois que mudar de vida e contar, nesse novo alinhamento, com a participação activa dos empresários nacionais. Em entrevista que sairá para as bancas esta semana na edição deste mês da nossa colega Exame, Agostinho Kapaia lembra que ‘não há crescimento económico em nenhuma parte do mundo sem uma participação activa do sector privado e do investimento internacional’.

‘O programa do Executivo reconhece a necessidade de envolver o empresariado nacional num programa de produção nacional. Há uma retirada de dinheiro do investimento público e a sua orientação para o sector produtivo, para as empresas. As prioridades são a agricultura, as pescas, o sector da mineração.

Há uma oportunidade clara para o empresariado nacional ou, de uma forma mais ampla, para os empresários que estão em Angola, apresentarem projectos específicos’, refere Agostinho Kapaia na entrevista à Exame. Trata-se, por conseguinte, de capacitar os empresários nacionais e de captar investidores para o desenvolvimento de Angola. E de criar condições para que ambas as coisas aconteçam.

A CEEIA tem procurado assumir um papel activo na remoção dos obstáculos que se colocam aos empresários. Exemplo disso é o novo ‘guichet único’ onde as empresas exportadoras possam tratar, num só lugar e de uma só vez, de todas as formalidades envolvidas na expedição de produtos para o exterior.

A CEEIA bateuse pela criação do ‘guichet único’, que já foi, aliás, anunciado pelo Executivo, e espera que venha a ser implementado ainda este ano. Ainda subsitem muitos constrangimentos burocráticos, mas Agostinho Kapaia considera que ‘há uma intenção clara do Executivo de promover a sua melhoria’.

A CEEIA colaborou na elaboração do programa ‘Exporta’, do Executivo, vai apresentar um programa específico no plano da dinamização das exportações, prepara a realização de um fórum dedicado à exportação em Angola nos próximos meses e trabalha com ‘as nossas embaixadas em vários países no sentido de divulgar a marca ‘Made in Angola’.

Mercados eleitos

A CEEIA tem vindo a desenvolver estudos com vista a identificar os mercados mais interessantes para os produtos angolanos, tendo definido como prioritário o mercado africano, designadamente a SADEC (SADC, a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), assim como os mercados dos PALOP, os países africanos de língua oficial portuguesa. ‘Angola tem exportado para a China e para a Europa mas achamos que a nível dos países vizinhos há grandes oportunidades.

Existe o factor proximidade e achamos que é mais fácil Angola impor-se nesses mercados do ponto de vista da competitividade. Quanto aos efeitos da integração na SADC, que acontecerá mais cedo ou mais tarde, o presidente da CEEIA adianta que ‘a grande preocupação do Executivo tem sido a preparação do empresariado angolano, do nosso mercado, para que a integração aconteça.

CEEIA apoia quem busca novos mercados

A CEEIA, a Comunidade de Empresas Exportadoras e Internacionalizadas de Angola, reúne as empresas angolanas vocacionadas para a exportação e internacionalização. O seu objectivo é apoiar as empresas nacionais exportadoras e internacionalizadas, promovendo e credibilizando Angola nos mercados internacionais. Um apoio que é prestado através da partilha de conhecimentos, identificação de oportunidades e realização de parcerias. O Grupo Opaia, fundado em 2002 por Agostinho Kapaia, preside actualmente à CEEIA. (opais)

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