Temer acumula críticas e gafes em primeira semana no governo

O presidente interino, Michel Temer. (Mario Tama Getty Images)

Tropeços, polêmicas e declarações desautorizadas. A primeira semana da gestão do novo presidente interino, Michel Temer foi mais do que conturbada, começando pela extinção da pasta da Cultura.

A falta de mulheres para chefiar ministérios e a extinção da pasta da Cultura foram os primeiros sinais de que Michel Temer sofreria um bombardeio antes mesmo de esquentar a cadeira da Presidência. A declaração do presidente de que sua mulher era advogada sem ter feito a prova da OAB também colocou o peemedebista na parede. Sem contar as propostas de governo nada populares, como a expectativa de fixação de idade mínima para se aposentar, privatizações de empresas públicas e cobrança de mensalidades em universidades públicas para cursos de pós-graduação. Temer foi logo taxado de realizar políticas de direita.

Os ministros escolhidos também foram criticados. A começar pelos nove citados na operação Lava Jato – que agora terão foro privilegiado. Além isso, Temer escolheu políticos e não técnicos para ocupar as pastas e a maioria são parlamentares. Já no caso do Ministério da Fazenda, o presidente optou por um experiente em Brasília – o ex-presidente do Banco Central do governo Lula, Henrique Meirelles. Com aval dos empresários, Temer montou uma equipe econômica que tem pressa em fazer ajustes e tirar o país da crise.

Temer chegou até mesmo a desautorizar ministros. Em poucos dias, ele repreendeu os ministros da Saúde, Ricardo Barros, e da Justiça, Alexandre de Morais. O primeiro por ter dito que o SUS seria reduzido e o segundo por falar em mudanças na escolha do procurador-geral da República. O secretário de Comunicação Social do governo, Márcio de Freitas, disse que num primeiro momento as opiniões pessoais de autoridades se confundem com posições de governo e que os ministros já forem aconselhados a evitar declarações polêmicas.

Novo presidente demitiu até mesmo garçom do Planalto

O novo presidente foi criticado por realizar demissões em massa, incluindo um garçom tradicional do Palácio do Planalto. Também foi exonerado o presidente da empresa pública de TV, a EBC, Ricardo Melo, sem aprovação do conselho curador, como exige a lei. A demissão gerou protestos dos funcionários. Também houve manifestação nesta quarta-feira em frente à extinta Controladoria-Geral da União, que virou Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle. Os servidores querem a manutenção no nome CGU e a vinculação do órgão à Presidência da República. Eles ameaçam greve geral.

Em relação ao Congresso Nacional, logo nos primeiros dias no cargo Temer se apressou em se reunir com os líderes que devem apoiar o governo tanto na Câmara quanto no Senado. O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, minimizou as críticas a Temer e fez uma metáfora dizendo que o governo está trocando o pneu com o carro andando.

“Ele tem que pelo menos ter a oportunidade de fazer o inventário desse espólio, dessa verdadeira herança maldita que o Brasil está herdando. O primeiro passo é esperar a consolidação da realidade fiscal. Os números mais otimistas já falam de uma revisão de meta para  R$ 150 bilhões de déficit e há quem diga que pode chegar a R$ 200 bilhões. Não foi dado a ele o direito a uma transição, então esses desencontros são absolutamente normais”, declara.

Segundo ele, os desencontros neste começo são normais. Já a senadora Vanessa Grazziotin, do PCdoB, disse que as primeiras medidas do presidente geraram repercussão negativa e que Temer está numa situação delicada e ruim. “Talvez ele não imaginasse que houvesse uma repercussão tão negativa. Saiu uma pesquisa que coloca ele numa situação pior do que a presidente Dilma”, declara. (RFI)

por Luciana Marques

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