Teixeira Duarte perde 22,5 milhões até Março

(Foto: D.R.)

A imparidade na participação no BCP e as perdas cambiais justificam os prejuízos na construtora. O volume de negócios do grupo recuou no primeiro trimestre quase 20%, com as quebras na actividade na Venezuela e Angola.

Os resultados líquidos da Teixeira Duarte foram negativos em 22,5 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, divulgou o grupo em comunicado à CMVM.

Para esta diminuição face ao mesmo período de 2015, quando gerou resultados positivos de 15 milhões de euros, contribuíram, segundo explica, a variação das diferenças de câmbio, que em Março passado foram negativas no valor de 26 milhões de euros, e a perda, no montante de 6,4 milhões de euros por imparidade na participação no BCP.

O volume de negócios da empresa recuou 19,5% para 289 milhões de euros, ou seja, uma quebra de 70 milhões de euros.

Os mercados externos, que em Março do ano passado representavam 85,6%, desceram globalmente 22,7%, passando a representar 82,2% do total do volume de negócios do grupo. O EBITDA aumentou por seu lado 41% para 48 milhões de euros, tendo a margem EBITDA aumentado para 16,8%.

O endividamento líquido do grupo recuou, por seu lado, 15% para 1.153 milhões de euros face a Março de 2015.

A carteira de encomendas para o sector de construção era no final do trimestre de 2.207 milhões de euros.

Venezuela cai 54%, Angola recua 38%

O volume de negócios gerado pelo grupo em Portugal manteve-se nos 51,6 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, tendo o seu peso saído reforçado – para 17,8% – devido à quebra registada nos restantes mercados.

Na Venezuela a Teixeira Duarte registou nestes três meses uma quebra de 53,8% da actividade, para 12 milhões de euros. Também em Angola o grupo viu o volume de negócios recuar 38,1% até Março, para 120 milhões de euros.

Também no Brasil o grupo assistiu a um decréscimo do volume de negócios de 26,9% e em Espanha de 23,3%. Pelo contrário em Moçambique a Teixeira Duarte cresceu 155% e na Argélia 6,2%.

Por sector de actividade, foi no automóvel que o grupo registou a maior quebra, de 58,1%. Seguiu-se a hotelaria, que recuou 32,9%, e a construção, 18,1%. Também no imobiliário e na energia, a actividade da Teixeira Duarte diminuiu 17,7% e 5,7% respectivamente.

Pelo contrário, nas concessões foi registado um acréscimo do volume de negócios de 1,4% e na distribuição de 5,4%.
O grupo refere ainda na apresentação dos resultados do primeiro trimestre que tem assegurado níveis de actividade na construção no mercado externo que permitem que a carteira de encomendas tenha atingido os 2,2 mil milhões de euros, dos quais 766 milhões são para 2019. Já os restantes 1.440 milhões de euros estão contratados e previstos executar nos próximos nove meses de 2016 e nos anos de 2017 e de 2018.
Este ano, Argélia é o mercado que apresenta o maior valor de obra em carteira, seguindo-se Moçambique e Angola.

Para 2016, a Teixeira Duarte “prevê atingir proveitos operacionais de cerca de 1.300 milhões de euros, que corresponde a uma redução da actividade provocada pelas dificuldades de acesso a divisas  em mercados externos”, refere o grupo no relatório intercalar.

Como acrescenta, “tal realidade implica uma adequada redução das estruturas, o que, associado à dificuldade de ampliação de financiamentos em Portugal, poderá levar a uma redução da capacidade produtiva do grupo”.

No primeiro trimestre, o número médio de trabalhadores do grupo diminuiu 11,4% face ao mesmo período de 2015, para 12 mil, cerca de 1.500 a menos do que em Março do ano passado. (jornaldenegocios)

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