Secretário da OEA defende opositores venezuelanos acusados de traição

(AFP)

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, defendeu nesta terça-feira deputados opositores venezuelanos que foram acusados de “traição à pátria” por terem pedido ajuda ao órgão regional para superar a crise política do país.

Em um comunicado, Almagro mostrou sua “preocupação” pelo fato de que os legisladores venezuelanos foram acusados por visitá-lo recentemente, informá-lo “da situação do país” e lembrar “dos compromissos que regem a todos no hemisfério”.

Afirmou, ainda, que a promoção da democracia é um direito estabelecido na Carta Democrática Interamericana (CDI), um documento de carácter obrigatório assinado pelos 34 países da OEA para defender as instituições democráticas na região.

“Ninguém que actue nessa direcção pode ser um traidor da sua pátria”, disse Almagro, ressaltando que os deputados venezuelanos que o visitaram foram “eleitos pelo povo desse país”.

Seis deputados da Assembleia Nacional venezuelana, controlada pela oposição, se reuniram com o diplomata uruguaio há duas semanas em Washington, onde lhe pediram que facilite o diálogo institucional e observe o processo de referendo revogatório activado pela oposição contra o presidente Nicolás Maduro.

Quando voltaram para a Venezuela, os opositores foram denunciados na Procuradoria-Geral por legisladores governistas pelo crime de “traição à pátria”, por supostamente atentarem “contra a independência, a soberania e a segurança do país”.

“Todo aquele que queira para a sua pátria mais direitos, mais liberdade, mais democracia, e que para isso recorra à ajuda das instituições americanas, (…) deveria ser considerado um patriota”, respondeu Almagro.

A declaração do secretário-geral chega após uma sessão extraordinária do Conselho Permanente da OEA, na semana passada, em Washington, na qual a chanceler da Venezuela, Delcy Rodríguez, o acusou de se aliar com a oposição e com o governo dos Estados Unidos para invocar a Carta Democrática Interamericana e intervir no país.

Almagro, que ainda avalia a possibilidade de levantar na OEA uma discussão sobre o estado da democracia venezuelana, afirmou na nota que o objetivo da CDI não é sancionar os países.

“As possíveis sanções são o último recurso”, disse.

“Meu dever como secretário-geral é velar pelo cumprimento das normas interamericanas que nossos países acordaram e que são obrigatórias para todos” afirmou Almagro na nota, lembrando que a OEA atendeu ao chamado do falecido presidente Hugo Chávez, padrinho político de Maduro, quando ele foi brevemente destituído em 2002. (AFP)

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