Samakuva considera desejável coligação para eleições em 2017

Isaías Samakuva - Presidente da Unita (Foto: Clemente)

O presidente da Unita, Isaías Samakuva, considerou segunda-feira à noite, em Luanda, desejável que os partidos da oposição consigam estabelecer uma coligação para as eleições gerais, previstas para 2017.

Em declarações à TPA, o líder do maior partido da oposição angolana referiu que as forças políticas possuem cada um a sua própria identidade e que as coligações fazem-se perante interesses identificados num determinado momento.

“A Unita acha que seria desejável e tem estado a trabalhar neste sentido. Em 2004, nós reunimos os partidos da oposição para uma plataforma que terminaria com as eleições, porém com o andar do tempo estes foram desaparecendo aos poucos”, disse.

Acrescentou ainda que outra tentativa decorreu em 2008, com esta a endereçar convite a outras formações políticas, novamente, para trabalharem numa plataforma conjunta que foi benéfica para a elaboração da Constituição da República, da Adopção da Lei Eleitoral, mas de novo quando chegou o momento crucial, o da realização de eleições, cada um tomou o seu caminho.

Daí ter argumentado que o seu partido vem fazendo isto desde 2004. No entanto, segundo Samakuva, verificam-se novamente vozes neste sentido, mas registaram-se já várias tentativas neste sentido.

Isaías Samakuva deu a conhecer que, neste momento, tem havido negociações no sentido de encontrar uma posição comum. “Se acharmos que é algo para durar e atingir as eleições, naturalmente que estaremos completamente abertos para isso”, reforçou.

Na entrevista em que a abordagem esteve em torno da situação do seu partido e do país, disse que entre as estratégias do Galo Negro para vencer as eleições está o trabalho para que seja evitada uma fraude, pois, no seu entender, o país não está preparado para aceitar tal facto.

Na sua visão, tudo deve ser feito para evitar a violação de leis consagradas na Constituição, nomeadamente o artigo 107, referente às eleições, defendendo que devem ser conduzidas pela administração eleitoral, que é independente, e não pelo Executivo.

“Hoje, vê-se que este processo, para a preparação do registo eleitoral, o Executivo criou uma comissão interministerial que se ocupa dele e para seu partido. Não deveria ser deste modo”, disse.

No caso do Registo Oficioso, apontou que este é da responsabilidade da administração pública, porque ele vai acontecendo de modo permanente, à medida que os cidadãos se registam, porém acontece que no país existe uma grande maioria que não tem registo nenhum e está previsto que fará o registo presencial.

Neste contexto, Isaias Samakuva considera que, para este último caso, deveria ser a CNE a efectuar o registo por ser, na visão do seu partido, a entidade responsável para tal. Neste momento, o maior receio da Unita é o de que exista fraude processual, com violação da Constituição.

Questionado sobre o seu futuro caso perca as eleições, argumentou que se forem claras e transparentes terá de aceitá-las, contrariando que a Unita as tenha contestado em 1992, 2008 e 2012.

“Em 1992, a Unita aceitou as eleições. A história que se conta de que não as aceitamos não é verdade. Há, no Conselho de Segurança da ONU, uma carta do seu líder a dizer que aceitou as mesmas, bem como uma resolução deste a agradecer o partido por tal facto”, lembrou.

Por outro lado, referiu que se perder as eleições em 2017 vai continuar no partido e reafirmou que o seu mandato à frente do mesmo termina com estas eleições. Ainda assim, isto não deve, na sua visão, ser o foco principal.

Reeleito no último congresso do partido para mais um mandato, com 82 porcento dos votos dos delegados, Isaías Samakuva assume-se como cabeça de lista às próximas eleições gerais pela Unita. (ANGOP)

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