Reacções à destituição de Dilma Roussef no Brasil: Marta Suplicy leva a Marília Gabriela convite para compor equipe de Temer e ouve não

Marília Gabriela Baston de Toledo. (Foto: D.R.)

Foi Marta Suplicy a incumbida de transmitir o convite para que Marília Gabriela aceitasse ocupar a secretaria de Cultura no governo Temer. Com isso seriam resolvidas duas questões: ter um órgão separado cuidando da Cultura e uma mulher no ministério. A tarde inteira desse sábado foi um vai e vem tentando convencer a apresentadora, que no início da noite avisou Marta que ela não poderia aceitar no momento. Agradeceu muito o convite, mas disse não.

Nomear só homens brancos é uma ‘mensagem realmente má e perigosa’ para a sociedade, diz canadense

Ao privilegiar homens brancos na composição de seu ministério, o presidente Michel Temer desencoraja mulheres e minorias a buscar espaços na política brasileira, diz Jennifer Berdahl, professora da Universidade de British Columbia, no Canadá.

Especialista em diversidade e igualdade de gênero no trabalho, Berdahl afirma em entrevista à BBC Brasil que grupos mais misturados normalmente produzem melhores resultados.

Segundo ela, pesquisas mostram que as pessoas tendem a se preparar mais e ser mais profissionais quando rodeadas por colegas que não se pareçam com elas.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – O que achou da decisão do presidente brasileiro de privilegiar homens brancos na composição de seu ministério?

Jennifer Berdahl – Acho que é uma mensagem realmente má e perigosa que ele manda à população. A diversidade na liderança é muito importante por uma série de razões. Uma delas é a representação. Numa democracia, a ideia é ter líderes que representem a população e seus interesses. Isso é difícil se não houver ninguém que se sentiu na pele de uma mulher ou de uma minoria.

Ele também manda uma mensagem de que esse não é um jogo de oportunidades iguais. Cria a impressão de que só brancos e homens têm chances. É desejável que só um quarto dos brasileiros [proporção aproximada de homens brancos no total da população] pensem que podem se tornar líderes? Eles são uma minoria e, no entanto, dominam completamente o governo.

Isso desencoraja pessoas que não sejam homens e brancas de buscar oportunidades na política. Quando a população sente que seus interesses não estão sendo representados ou que pessoas que se pareçam com elas não têm uma voz no governo, cria-se uma atmosfera de injustiça.

Governo do Uruguai não reconhece Temer como presidente do Brasil

O ministro das Relações Exteriores e chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, fez questão de se posicionar mais uma vez em relação ao impeachment de Dilma Rousseff (PT) e garantiu que o governo do país cisplatino não tem intenções de reconhecer Michel Temer (PMDB) como presidente do país.

“O Uruguai se manifestou politicamente, já disse o que tinha que dizer. Com certeza estamos muito preocupados com esta situação e esperamos que tudo ocorra dentro dos parâmetros constitucionais e institucionais. A posição do nosso governo está clara, pois nós já nos posicionamos a respeito disso”, disse Nin Novoa em entrevista a jornalistas na última quinta (12), data do primeiro dia de mandato do presidente em exercício.

Perguntado se irá entrar em contato com Temer ou com alguém de seu gabinete, o chanceler foi direto: “Não [haverá nenhum tipo de comunicação]. Já dissemos o que deveríamos ter dito, de maneira que não temos mais nada a agregar.”

O vizinho do sul não é o único país que não reconhece a legitimidade do peemedebista como chefe de Estado brasileiro. Já a Ministra das Relações Exteriores da Rússia, María Zajárova, afirmou que “é inaceitável a interferência externa na atual situação política do Brasil” e que Moscou espera um país “estável e democrático”.

De acordo com o portal da TeleSur, o governo do Chile também manifestou sua preocupação com as circunstâncias em que Dilma foi afastada. “Nos preocupamos com a nossa nação irmã, que tem gerado incerteza em nível internacional”, alegou institucionalmente em comunicado.

Ainda no Chile, o Partido Comunista local se posicionou contra “a violação do Estado Democrático de Direito”, em referência ao impeachment. Outras legendas e órgãos, como o Die Linke, da Alemanha, e o PSUV, da Venezuela, bem como a Unasur (União das Nações Sul-Americanas), também criticaram duramente o processo.

Faz parte da turma que Eduardo Cunha colocou na Secretaria de Comunicação da Câmara para transformar o setor numa engrenagem de subjornalismo a serviço do que de pior se produziu na política brasileira desde a ditadura militar.

Recentemente, a trupe da Agência Câmara mudou uma reportagem de 2014 para tirar de circulação a informação de que poucos deputados, na verdade, haviam chegado ao parlamento pela via do voto.

Adulteraram o passado, como os stalinistas tiravam dissidentes de fotos oficiais.

Rimoli chegou a ser condenado a ressarcir dinheiro desviado do Ministério da Cultura para o esquema de Marcos Valério, no chamado “mensalão tucano”.

Segundo a sentença, Rimoli, chefe da assessora de Comunicação Social, chancelava notas fiscais frias para justificar a grana metida no valerioduto.

Agora, Temer quer transferi-lo da Câmara para a EBC, apesar de lá estar instalado um presidente com mandato legal de 4 anos.

Parece que golpear as instituições republicanas virou um conceito no reino de hienas instalado no Palácio do Planalto.

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Mesmo com menor número de pastas, papais políticos zelosos trabalharam para emplacar seus pimpolhos nos ministérios. José Sarney garantiu Sarney Filho (PV) no Meio Ambiente. Jader Barbalho nomeou o filho Helder Barbalho (PMDB) na Integração Nacional.

O poderoso deputado estadual fluminense Jorge Picciani (PMDB) pesou na escolha de seu filho Leonardo Picciani nos Esportes. Já o senador Fernando Bezerra (PSB) conseguiu que Fernando Filho (PSB) fosse para Minas e Energia.

Boneco de ‘Temer Judas’ é queimado em protesto no Rio

Um boneco do presidente interino, Michel Temer, foi queimado como judas em protesto, na noite desta sexta-feira, na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro.

A todo tempo, manifestantes se aproximavam para cuspir no boneco com a placa “Temer Judas”. O ato — organizado pela Frente Povo Sem Medo, junto com os movimentos Ocupa Carnaval, Carnaval pela Democracia e Desliga dos Blocos — contou com uma roda de samba.

Durante a roda de samba, os músicos aproveitaram clássicos da MPB para fazer paródias contra Temer. O refrão de “O que é? O que é?”, de Gonzaguinha, transformou-se em “É golpista! É golpista! É golpista!”

El Pais:

A destituição da presidenta Dilma Rousseff, longe de resolver a profunda crise institucional que vive o Brasil, aprofunda-a. Ao mesmo tempo, abre profundas incertezas sobre o futuro de um país até muito recentemente exemplo mundial de economia emergente e que conseguiu tirar dezenas de milhões de pessoas da pobreza.

A decisão do Senado, depois de mais de 20 horas de sessão, consuma um processo iniciado pela oposição no Congresso e implica no afastamento de Rousseff da chefia do Estado pelos próximos seis meses. Nesse período, a mandatária será submetida a julgamento sob a acusação de usar e maquiar as contas do Estado para financiar projetos e apresentar um balanço melhor ao eleitorado. Uma prática nociva, mas utilizada por seus predecessores no cargo – em volume muito menor, é verdade – e por Governos democráticos de outras latitudes.

É preciso lembrar que, em nenhum caso, Dilma será julgada pelos propalados casos de corrupção política e empresarial que destruíram a reputação do país aos olhos de sua própria população e da opinião pública internacional. E não o será porque as autoridades judiciais não encontraram provas que permitam processar por tão graves crimes a presidenta afastada a partir de hoje.

Durante os próximos 180 dias – e até 2019, no caso de Dilma ser definitivamente destituída – ocupará o mais alto cargo do Brasil o vice-presidente Michel Temer, do PMDB. Um partido liberal de centro-direita – infestado por escândalos judiciais – que em 29 de março abandonou a coalizão de Governo sem que por isso Temer – que dava por certa a destituição de Dilma em gravações agora conhecidas – deixasse a vice-presidência.

Fechar o Ministério da Cultura é vingança pela rejeição dos artistas ao impeachment”, diz escritor

Por trás do fim do Ministério da Cultura pelo presidente em exercício Michel Temer pode estar não apenas a intenção de enxugar gastos, justificativa oficial dada pela nova gestão, mas também uma retaliação à postura da classe artística contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff, disse o escritor Eric Nepomuceno, um dos artistas e analistas ouvidos pelo Estado sobre a extinção da pasta. Na semana que vem, representantes do setor deverão se reunir com o ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, em Brasília.

“Fechar o Ministério da Cultura é parte do plano demolidor de Michel Temer. É a vingança pela rejeição imensamente majoritária do mundo das artes e da cultura ao golpe consumado. É o desprezo pelo País, claramente demonstrado por quem se apossa do poder através de uma farsa, de um golpe abjeto. Aliás, basta ver o quilate ético e moral dos que o cercam. Mendonça Filho não tem a mais remota qualificação para ser ministro de nada, quanto mais da educação e da cultura”, disse o escritor.

“Temer, o ilegítimo, não decepciona: arma uma equipe de homens, brancos e ricos. E, dando indícios da sua visão do mundo e da vida, faz desaparecer as secretarias da Igualdade Racial, da Mulher e dos Direitos Humanos”, critica Nepomuceno, signatário, com Chico Buarque, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, Raduan Nassar, Fernando Morais e Marcelo Rubens Paiva, entre outros escritores, de manifesto divulgado em março contra o impeachment. Procurado, Chico não quis falar sobre o fim do ministério, que foi ocupado por uma de suas irmãs, a cantora Ana de Hollanda, entre 2011 e 2012.

DECISÃO RÁPIDA E ARBITRÁRIA 

Para a atriz Clarice Niskier, a decisão do governo foi “rápida e arbitrária” e de motivação duvidosa. “O MinC foi uma conquista importante, num país de diversidade cultural incomensurável. Não se colocou nada em discussão com a sociedade. A gente só vai conseguir respirar em 2018, entender o quanto de retrocesso houve, o que foi ruína e o que foi construção. Estávamos lutando por um orçamento maior para o MinC, para pelo menos 1%, o que já era um descalabro. É realmente difícil dizer qual foi a motivação real, se foi vingança ou não, qual foi o critério para voltarem a unir cultura e educação.”

SEGUNDO ELISEU PADILHA

  • “Tentamos buscar mulheres, mas não foi possível”, diz Eliseu Padilha

Questionado por jornalistas sobre a ausência de mulheres no primeiro escalão do governo de Michel Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que “não foi possível” preencher os cargos com presença feminina.

“A composição de ministérios foi feita a partir de sugestão de partidos”, afirmou Padilha, um dos ministros mais próximos de Temer. “Em várias funções nós tentamos buscar mulheres, mas não foi possível”, completou.

A revista Azmina publicou uma lista de dez mulheres gabaritadas para ocupar a Esplanada.

Entre nomes técnicos, uma opção para Ciência e Tecnologia seria a neurocientista Suzana Herculano-Houzel. Dirige o Laboratório de Neuroanatomia Comparada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem seis livros publicados, foi colunista da Folha de São Paulo e teve um programa no Fantástico.

Na área econômica, a fundadora e presidente da rede Blue Tree Hotels, Chieko Aoki, poderia ficar à frente do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão. Em dez anos, ela transformou a rede em uma das maiores cadeias hoteleiras do país e benchmark em excelência de serviços no setor.

Já no meio político, a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) poderia ocupar o ministério das Cidades. Ex-prefeita de São Paulo, ela também foi ministra do Turismo e da Cultura em governos petistas.

‘Temer terá que ter relação muito boa com Senado; se perder 3 votos, a Dilma volta’, diz Perrella

Em entrevista logo após a sessão do Senado que aprovou o processo de impeachment, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) disse à BBC Brasil que as pedaladas fiscais não foram o motivo que levou a presidente Dilma Rousseff a ser afastada do cargo pelo Congresso.

Segundo ele, a petista caiu por sua “prepotência” e pelas “trapalhadas do governo”.

Perrella, que foi alvo de escândalo em 2013 quando quase 500 kg de pasta de cocaína foram encontrados em um helicóptero de sua família que pousava no aeroporto de Afonso Cláudio, no Espírito Santo, disse que “já teve de enfrentar a insatisfação do povo (como Dilma enfrenta agora), mas que era uma situação diferente” e reiterou que “não se preocupa com as ruas, mas sim com a sua consciência”.

O senador, que votou a favor da admissibilidade do impeachment, disse ainda que Temer precisará ser cuidadoso na articulação com o Congresso para não correr o risco de perder o posto na votação definitiva do julgamento de Dilma no Senado – em que serão necessários dois terços dos votos para garantir o impedimento da presidente.

“Eu espero que ele tenha sensibilidade para fazer o contrário do que a Dilma fez”, concluiu.

Leia a entrevista:

BBC Brasil – Nestas últimas semanas, o senhor foi um dos principais defensores do afastamento da presidente Dilma Rousseff. Qual é a sua avaliação do resultado?

Zezé Perrella – Eu esperava uma situação mais confortável. Nós esperávamos algo em torno de 58, 59 votos. (…) Do jeito que ficou, o Michel Temer não está numa situação tão confortável assim. Ele vai ter que ter uma relação muito boa com o Senado Federal, porque, se perder três votos aqui, a Dilma volta.

Pode parecer incoerente a pessoa votar hoje a favor e amanhã não, mas a política é muito dinâmica. O que espero é que o Michel consiga agora implementar sua agenda, que ele tenha o apoio do Congresso Nacional e do Senado principalmente, para que ele possa desenvolver os projetos que ele tem em mente.

Nós não podemos pensar no impeachment somente pelas pedaladas fiscais. Dilma caiu pela prepotência, caiu pelo aparelhamento do Estado, caiu principalmente pela insatisfação das pessoas nas ruas, caiu pelo desemprego. Estamos num momento muito sensível da vida nacional. Qualquer passo em falso do Michel Temer daqui para a frente… se ele não conseguir aprovar a reforma da previdência, a CPMF, e alguns temas polêmicos necessários ao ajuste fiscal, ele terá muita dificuldade.

Laerte Rimoli.

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