Presidente argentino inclui conta nas Bahamas em declaração fiscal

O presidente argentino, Mauricio Macri, em Buenos Aires, no dia 23 de maio de 2016 (afp_tickers)

O presidente argentino, Mauricio Macri, incluiu uma conta com mais de um milhão de dólares nas Bahamas em sua primeira declaração de renda como presidente, onde apresentou um património que é o dobro do ano passado, confirmou nesta quinta-feira o Departamento Anti-corrupção.

Macri declarou um património líquido de 110 milhões de pesos (7,6 milhões de dólares), detalhando que em 2015 adquiriu quatro imóveis e terrenos e registou depósitos de 18 milhões de pesos (1,2 milhão de dólares) nas Bahamas, o mesmo paraíso fiscal onde operava Fleg Trading, uma empresa offshore revelada pelos ‘Panama Papers’.

O património apresentado marca um crescimento de mais de 100% em relação a 2015.

Na declaração, cuja apresentação foi confirmada à AFP pelo Departamento Anti-corrupção (OA), o presidente justificou seu aumento patrimonial pela valorização de alguns de seus activos que na declaração anterior apareciam com valores simbólicos de 1 centavo.

“Este número tenta corrigir as distorções causadas pelo sistema”, afirma a declaração do presidente em relação às diferenças entre os formulários utilizados pela cidade de Buenos Aires, onde foi prefeito entre 2007 e 2015, e da OA sobre os bens dos funcionários públicos.

Macri também declarou dois empréstimos a dois de seus mais próximos colaboradores e amigos de juventude, o empreiteiro Nicholas Caputo (22 milhões de pesos, 1,5 milhão de dólares) e seu ex-ministro da Fazenda em Buenos Aires, Nestor Grindetti (cerca de US$ 34.000).

Grindetti, que também aparece em uma empresa offshore listada nos ‘Panama Papers’, foi assessor contábil do poderoso Grupo Macri, liderado pelo magnata Franco Macri, pai do presidente. (AFP)

Grindetti agora é prefeito do distrito de Lanús, ao sul de Buenos Aires. (AFP)

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