Petróleo registou pior queda nos últimos 46 anos

Max Alier - Representante do FMI em Angola(Foto: Rosário dos Santos)

O preço do barril do petróleo registou, em 2015, a pior queda dos últimos 46 anos, por existir um elevado stock produto no mercado internacional e a procura diminuiu, afirmou hoje, em Luanda, o representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Angola, Max Alier.

Segundo o representante, que falava na apresentação do relatório semestral do Fundo Monetário Internacional sobre a África Subsariana em parceria com a Faculdade de Economia da Universidade Agostinho Neto (UAN), essa queda deve-se ao elevado stock do petróleo no mercado internacional, cujo preço está hoje (dia 24 de Maio) cotado a 48,35 dólares o barril Brent, referência para exportações angolanas.

O responsável explicou que embora ultimamente o preço do barril tem vindo a aumentar, não significa que haverá no curto espaço de tempo uma boa estabilidade económica mundial.

“Os choques das reservas orçamentais e internacionais estão baixas, o financiamento é restrito e urge formular uma resposta de política robusta e célere para evitar um ajustamento desordenado, para os países que não pertencem as uniões monetárias, a flexibilidade cambial conjugada a politicas monetárias e orçamentais solidárias”, disse.

O responsável explicou que, neste período, os países mais vulneráveis são os exportadores de petróleo, porque para estes fornecedores do crude os termos de troca desde 2014 representou uma perda de rendimentos de cerca de 20 porcento do Produto Interno Bruto (PIB), com as flutuações das cotações de petróleo.

Disse que os choques da magnitude normalmente reduzem o crescimento anual em cerca de três a 3,5 pontos percentuais por vários anos, o que é basicamente coerente com a desaceleração do crescimento observada nos exportadores de petróleo de 2014.

“Comparativamente aos exportadores de metais tenderam a ser menos afectados, mesmo considerando que há importantes limiares de preços abaixo dos quais se tem o encerramento, de minas e a perda de postos de trabalho, com um impacto negativo sobre a actividade económica”, disse.

O responsável acrescentou que dados de períodos anteriores de desaceleração salientam também o papel fundamental da flexibilidade cambial como amortecedor de choques para países que não pertencem a união monetária. Da mesma forma, políticas anti cíclicas podem ser importantes para suavizar choques temporários. (ANGOP)

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