Padre Lombardi recorda a figura de Papa Wemba, a voz da reconciliação

(Foto: D.R.)

Cidade do Vaticano (RV) – “Africa. Tenda Amani” (África constrói a Paz) é o título do CD lançado pela Rádio Vaticano em 2011 para ajudar na difusão da mensagem da Exortação Apostólica pós- Sinodal  “Africae Munus”, sobre o papel da Igreja na promoção da paz justiça e reconciliação no continente africano.

Papa Wemba foi convidado para essa iniciativa para a qual deu imediatamente a sua generosa disponibilidade. Com a sua morte repentina, ocorrida no sábado, 23, durante um espetáculo na Costa do Marfim, a Rádio Vaticano recorda a sua figura juntamente com o Padre Federico Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé e até há pouco Diretor Geral da nossa Emissora. A reportagem é de nossa colega do Programa Português Dulce Araújo.

A voz de um artista de grande coração e generosidade que muito bem se inscreve nos horizontes do Ano da Misericórdia que estamos vivendo. E foi precisamente neste ano que Deus o quis chamar para junto de si. Estamos falando do famoso cantor, Papa Wemba, considerado “o Rei da rumba congolesa” .

Faleceu na noite de sábado passado durante um mal-estar, quando se apresentava num festival de música em Abidjan, Costa do Marfim. Tinha 66 anos de idade. Depois de uma homenagem, o corpo de Papa Wemba foi transferido nesta quinta-feira para a sua terra natal, a República Democrática do Congo.

Jules Shungu Wembadio – este era o seu nome de batismo – foi um grande amigo da Rádio Vaticano. Cristão praticante, ele tinha participado em 2011 no CD “Africa tenda Amani” (África, constrói a Paz) editado pela Rádio Vaticano para tornar mais acessível, também na linguagem musical, a Exortação Apostólica  pós-sinodal, Africae Munus (O Empenho da África).

Esta Exortação do Papa Bento XVI foi publicada na sequência da realização, em 2009, da II Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África sobre o papel da Igreja na promoção da paz, da justiça e da reconciliação em África.

No decorrer desse Sínodo, foi realizado em Roma um grande concerto em que Papa Wemba fora um dos generosos artistas participantes. Um outro concerto fora realizado nesse mesmo ano de 2011, em Cotonou, capital do Benin, durante a visita do Papa Bento XVI à África para entregar oficialmente à Igreja no continente essa Exortação pós sinodal. Papa Wemba lá estava de novo no palco.

Em entrevista realizada por Jean Pierre Bodjoko do Programa Francês/África da nossa emissora, o Padre Federico Lombardi revela as suas recordações de Papa Wemba:

“Tenho dele uma recordação muito bela, muito agradável, de amizade e diria mesmo de verdadeira gratidão porque colaborou connosco em belas iniciativas que fizemos juntamente com as secções africanas da Rádio Vaticano no contexto do mais recente Sínodo dos Bispos para a África. Era um Sínodo, como vos recordareis, sobre o tema da “Justiça, Paz e Reconciliação”.

Estamos convictos de que para fazer passar a mensagem ao povo africano não basta um longo documento, muito belo, articulado e grandes discursos; é preciso uma canção, canções para fazer passar a mensagem de modo que fique facilmente na memória e no coração, canção que as pessoas cantam no seu âmago, pelo caminho… Então, procuramos artistas que tivessem a sensibilidade de traduzir em canções essa mensagem de paz, de reconciliação e de justiça de forma simples.

Papa Wemba respondeu com muita disponibilidade e veio, portanto, para um concerto que realizamos no Auditorium da Conciliação que estava cheio de gente, estavam quase todos os bispos que participavam no Sínodo para a África.

Foi um serão belíssimo – e muito provavelmente ele era o principal artista africano que tomou parte nesse concerto, cantando, pondo à disposição, generosamente, a sua presença e a sua arte de forma muito espontânea.”

RV: E depois do concerto foi publicado um CD…

“Continuando na mesma linha, preparamos um CD intitulado “Africa Tenda Amani” que em kiswahili quer dizer “Paz, Reconciliação”. Esse CD contem canções realizadas por Papa Wemba e por outros artistas africanos sempre sobre o tema do Sínodo e mandámo-lo a todas as dioceses africanas precisamente como instrumento para fazer passar na vida quotidiana, através do canto, a mensagem da paz e da reconciliação.

Por fim, Papa Wemba participou num concerto que organizamos em Cotonou na noite do dia em que Bento XVI chegou ao Benin para promulgar, publicar e difundir o documento “Africae Munus”, a Exortação que levava a mensagem do Sínodo à África.

Três grandes e belas iniciativas, portanto, todas na mesma linha: levar, através da música, a mensagem da paz, da reconciliação, ao povo africano.

Um artista muito conhecido, muito amado pelas pessoas. Papa Wemba era, indubitavelmente, uma figura particularmente eficaz para essa iniciativa. Depois tivemos também a possibilidade de o fazer encontrar, juntamente com a esposa, o Santo Padre, por ocasião de uma audiência.

Recordo-me da sua grande alegria por esse encontro que foi, substancialmente, a grande “compensação” que lhe demos pela sua participação, generosa e disponível, à nossa iniciativa.

A recordação que tenho dele é a de uma pessoa muito amável, afável, simples, cordial que parecia realmente feliz por poder pôr à disposição a sua arte de um grande ideal ao serviço da Igreja.”

RV: Fez, portanto, este serviço como cristão. A sua voz, sobretudo para os africanos, era importante para dar a oportunidade de ouvir, de forma simples, os temas da justiça, da reconciliação também a quantos não sabem ler?

“Certamente. Creio que isto é válido um pouco para todas as culturas. As formas para fazer passar, eficazmente, uma mensagem são muitas e a música, como se sabe, para os jovens, é particularmente importante.

Mas, na cultura africana uma música que se torna ritmo é importante e creio que seja mais eficaz para fazer passar, de forma profunda, a mensagem de uma palavra escrita e conceptualmente articulada, embora tanto uma como outra sejam necessárias”. (DA)

Fonte: Rádio Vaticano

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA