Os véus que invadem a cidade

(OPAIS)

Caros amigos do jornal OPAÍS, Espero que publiquem esta carta para que eu possa partilhar com a sociedade algumas questões que me inquietam como mulher. Ando pelas ruas da nossa cidade de Luanda e sou invadida por dois sentimentos que podem ser contraditórios. Por um lado somos uma sociedade pacífica e tolerante e aceitamos que mulheres estrangeiras e algumas angolanas usem véus que lhes cobrem até o rosto. Eu nunca aceitaria tal condição, mas entendo que elas, por razões culturais ou religiosas se submetam a isso.

Por outro lado, sinto-me revoltada porque acho que isso é um desrespeito à Constituição angolana e acho até que o Estado deveria proibir. No nosso país as pessoas além de livres, não devem andar escondidas ou disfarçadas em espaços públicos, até por razões de segurança. Quando vamos a um país muçulmano nós não podemos andar de calções tchuna baby como gostamos de fazer em 6 O PAÍS Segunda-feira, 09 de Maio de 2016 Angola, até por causa das temperaturas elevadas. Lá, ainda que estejam quarenta graus centígrados, nós não podemos ser nós. Têm as suas leis e nós respeitamos, porquê que eles querem impor aqui as suas leis também?

Será que o nosso Estado não pode proibir que mulheres desfilem completamente cobertas nas nossas ruas? E a OMA, a LIMA e outras organizações que velam pelos direitos da mulher também não se apercebem do ultraje que está a ser imposto a irmãs nossas cá mesmo no nosso país? Eu, pessoalmente, nem acredito que isto seja um mandamento religioso. Que deus manda esconder a mais bela obra que fez, que é a mulher que gera vida? Não sou islamofoba, mas na minha condição de mulher temo que esta prática comece a ganhar força no nosso país, ou que eles comecem a impor-nos este atraso por via da força, a mesma com que mantém o mundo sob alerta permanente: ou fazem o que queremos ou resolvemos à bomba. (OPAIS)

por Raquel Quintas

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