Obras paradas. Construtoras tremem com crise em Angola

(Jornal i)

Empresas estão à espera da tranche do FMI para regularizar salários e concluir projectos

A crise económica angolana tem vindo a dificultar o negócio das construtoras portuguesas e acaba por penalizar as contas das empresas e, muitas delas, continuam no mercado, mas trata-se de uma presença“quase simbólica”, alerta a AICCOPN. Um cenário que contrasta com a realidade vivida há uns anos atrás quando chegavam a faturar quase dois mil milhões de euros.

Ainda assim, Reis Campos admite que continua a ser um mercado “com potencial” e onde as empresas devem permanecer para já estarem presentes neste mercado quando a crise acabar.

De acordo com as contas do responsável, ainda devem permanecer ativas neste mercado cerca de nove mil empresas da fileira da engenharia e construção e que o número de trabalhadores portugueses ronde os 130 mil.

A construção é um dos setores que está a ser mais penalizado em Angola devido à descida do preço do petróleo e consequente quebra nas receitas do Estado, o que originou um conjunto de medidas de austeridade, entre as quais a suspensão ou anulação de diversos investimentos públicos, nomeadamente na área da construção.

Face a estes problemas financeiros, o governo angolano viu-se obrigado a pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma notícia que foi bem recebida pelos empresários portugueses presentes neste mercado. A maioria das construtoras nacionais acredita que o financiamento da economia através da intervenção do FMI vai permitir a regularização das dívidas que deverão rondar os dois mil milhões de euros.

Regularização de salários Uma das preocupações do Sindicato da Construção de Portugal (SCP) é o pagamento de salários dos trabalhadores assim que o país começar a receber a ajuda financeira. De acordo com Albano Ribeiro, só cerca de 10% dos trabalhadores do setor em Angola têm os salários em dia. Já os restantes “têm um, dois, três, quatro ou cinco meses de atraso”, o que no seu entender, “leva a situações dramáticas do ponto de vista humano”.

Aliás essa é uma das preocupações do embaixador de Angola em Lisboa que prometeu ao sindicato dar “prioridade” ao setor quando o país receber essa verba. “O embaixador disse-nos que vai fazer todos os esforços para que no próximo semestre possa haver, através das verbas do FMI, uma atenção especial a este problema. Quanto mais depressa chegar o dinheiro, mais depressa o problema pode ser resolvido”, salientou o responsável.

Também para Albano Ribeiro, Angola é considerada um dos mercados prioritários para o setor da construção e lembra que, neste momento, há muitas obras paradas e que são precisas concluir.

De acordo com a AICCOPN, Angola foi responsável por 2,1 mil milhões dos 10,4 mil milhões de euros das exportações do setor em 2014, acabando por penalizar este mercado. Também Moçambique está a evoluir a um ritmo abaixo do previsto e o Brasil a revelar-se “muito complicado”. (Jornal I)

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