“Nem uma condecoraçãozinha” dão ao BPI, diz Ulrich

(Foto: D.R.)

O BCE retirou a equivalência de supervisão a Angola.

O presidente executivo do BPI faz duras críticas ao facto de as autoridades europeias estarem a pressionar o banco português a desfazer-se do BFA, o banco em Angola.

Mas Fernando Ulrich vai mais longe e afirma que em Portugal, até agora, ainda ninguém quis saber do problema. “Nem uma condecoraçãozinha no 10 de junho”, ironizou o banqueiro.

O Banco Central Europeu (BCE) retirou a equivalência de supervisão a Angola, pelo que os bancos que têm investimentos naquele país estão obrigados a cobrir com capital os riscos associados a esse país. É o caso do BPI, que é dono do BFA em Angola.

Numa conferência da Associação Portuguesa de Bancos sobre o futuro do setor em Portuga, Ulrich sublinhou o facto de tanto o governador como o Presidente da República terem alertado na sessão para o facto de as regras europeias estarem a ser aplicadas de forma cega.

O líder do BPI mostrou-se por isso desagradado com o facto de não ter recebido apoio das autoridades portuguesas para resolver o problema junto do BCE.   “Não consigo perceber como é que, juntando estas peças todas, o resultado é aplicação acrítica de regras que nos obrigarão a ser expulsos de Angola”, afirmou Fernando Ulrich num debate com outros quatro banqueiros nacionais.

Ulrich foi mais longe: “O meu desgosto não é com as autoridades europeias, o que me desgosta é que até hoje não ouvi uma única pessoa que se preocupasse com esta questão.”

O banqueiro lembrou que todos têm elogiado o BFA e o seu papel para o banco português, mas alertou que “nem o primeiro-ministro, nem o ministro das Finanças têm ajudado em nada”. “Preocupação com isto nada”, repetiu Ulrich.

Recorde-se que os principais acionistas do BPI – os catalães do CaixaBank e a empresária angolana Isabel dos Santos, através da Santoro – continuam divergentes sobre a forma como o BPI se vai desfazer da posição no BFA.

Os catalães optaram por avançar com uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) sobre o BPI. O conselho de administração do banco vai pronunciar-se esta terça-feira sobre o valor oferecido pelo CaixaBank. (cmjornal)

 

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