Ministros africanos apoiam esforços da Itália na contenção do fluxo migratório

Mapa de África (Foto: Cedida a Angop)

Os ministros e representantes de 52 países africanos, que participaram na primeira Conferência Ministerial Itália-África encerrada quarta-feira, em Roma, apoiaram o esforço da Itália para conter o fluxo de migrantes para a Europa, a estabilização da Líbia, país de origem da maioria dos migrantes ilegais que chegam às costas italianas.

A Itália considera fundamental investir, através de empréstimos europeus, em projectos de desenvolvimento e cooperação para ajudar os países mais afectados pela crise migratória.

Com este objectivo, propôs o plano chamado “Migration Compact”, que segundo o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Paolo Gentiloni, é apoiado por muitas “vozes africanas” e “consensual” dentro da União Europeia (UE).

A Itália espera que na cimeira da EU, em Junho, sejam tomadas decisões concretas para promover “projectos específicos em oito países africanos mais afectados pela migração”.

A UE criou em Novembro passado, em Malta, um fundo de 1,8 bilião de euros para ajudar a África a combater as causas da imigração, mas a Itália considera que este plano deve ser mais consistente.

O Governo italiano, na pessoa do vice-ministro italiano Mário Giro, responsável pelas questões africanas, considera que 1,8 bilião de euros são poucos para um grande pacto euro-africano.

De facto, o primeiro-ministro italiano Matteo Renzi e a chanceler alemã Angela Merkel estimam serem necessários investimentos estruturais no valor de 10 biliões de euros em pelo menos sete países africanos.

Ao discursar no encerramento da Conferência, o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, criticou as nações europeias que têm adoptado restrições nas suas fronteiras para impedir a entrada de migrantes.

O chefe de Governo italiano disse que “tentaram passar uma mensagem errada: depois dos últimos atentados (em Paris e Bruxelas), agora fechemos as fronteiras”.

Para Renzi, os últimos ataques na Europa não foram provocados por refugiados de Lampedusa (ilha italiana com maior fluxo de migrantes ilegais). “O problema está dentro de nós”, declarou.

Renzi disse que é preciso conectar mais os Estados-membros da União Europeia e lutar contra a superficialidade de quem quer fazer acreditar que o inimigo vem de fora.

A conferência Itália-África será organizada a cada dois anos e deve permitir traçar políticas conjuntas sobre os fluxos de migração legal, a chave para alguns países que dependem de remessas, e alcançar uma troca que exclui a ideia de uma Europa blindada.

Angola participou na conferência com uma delegação encabeçada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, que no seu discurso defendeu a criação de “Estados capazes” de adoptarem uma visão clara e definida de desenvolvimento e de transformação.

Chikoti, que interveio no painel I sobre sustentabilidade económica, disse que esta mudança exige o envolvimento de todos os actores nacionais e internacionais, bem como reflectir sobre como fazer convergir e integrar os países africanos no ciclo virtuoso do crescimento.

Segundo o ministro angolano, “a resposta consiste na implementação da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD), da Agenda 2063 e da Agenda 2030 que sintetizam as aspirações dos cidadãos e Governos africanos para os próximos cinquenta anos”.

O governante recomendou ainda que a inclusão social e as questões de sustentabilidade como a chave para o futuro do continente, requerendo para o efeito fortes investimentos na área da educação, num continente que continuará a crescer demograficamente até 2030.

Ao inaugurar os trabalhos da conferência o Presidente da República italiana, Sergio Matarella, afirmou que “a Itália é pela sua condição geográfica, histórica e cultural, uma ponte entre África e a Europa, livres de preconceitos e prontos para um diálogo pragmático e aberto”, sendo a estabilidade do continente africano uma prioridade para a União Europeia.

Desde o início do presente ano, mais de 32 mil pessoas desembarcaram no litoral de Itália, segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Deste total, o maior contingente é proveniente da Nigéria (4,3 mil), seguida pela Gâmbia (2,9 mil), Somália (2,5 mil), Costa do Marfim (2,2 mil), Eritreia (2,2 mil), Guiné (2,1 mil), Senegal (1,9 mil) e Mali (1,9 mil). Além disso, pelo menos 976 migrantes morreram ao tentarem atravessar a via marítima entre África e Itália, em 2016.

Na conferência, o primeiro-ministro garantiu ainda que não interromperá as operações de resgate no mar Mediterrâneo, alvo de críticas da oposição, que acusa o governo de usar, com estrangeiros, recursos que deveriam ser empregados para ajudar italianos. “Quando há uma mulher ou um homem no mar, a primeira coisa a fazer não é abrir um debate, mas sim salvar aquela vida”, declarou.

O evento debateu quatro painéis, nomeadamente a “Sustentabilidade económica-Itália-África, os desafios para um crescimento comum”, “Sustentabilidade social e ambiental – Ambiente e desenvolvimento social. Agenda 2030, e uma nova abordagem integrada” e “Sustentabilidade do fenómeno migratório – para um novo modelo de diálogo”, “Paz e segurança – Peace keeping, peace building e ownership Africana”.

No fórum discursaram o ministro dos Negócios Estrangeiros do Tchad, Moussa Faki Mahamat, na qualidade de Presidente em exercício da União Africana, a Presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma, o Comissário da União Africana (UA) para a Paz e Segurança, Smail Chergui, o Comissário para a Energia, Elaham Ibrahim, o Director-Greal da FAO, José Graziano da Silva, e o Presidente do Fundo para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), Kanyo Nwanze, entre outros. (ANGOP)

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