Marcelo admite que decisão sobre défice tenha sido adiada devido a eleições em Espanha

(JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA)

O Presidente da República admite que a opção da Comissão Europeia de adiar a decisão sobre os défices de Portugal e Espanha pode estar relacionada com as eleições em Espanha.

O Presidente da República considerou sensata a posição da Comissão Europeia de adiar a decisão sobre os défices de Portugal e de Espanha, e admitiu que isso se tenha devido às eleições no país vizinho.

“Houve uma decisão da Comissão Europeia. Nunca saberemos se foi devido a razões substanciais, se devido a eleições num país”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas, à margem de uma cerimónia no Casino Estoril, numa alusão às eleições legislativas marcadas para 26 de junho em Espanha.

Segundo o chefe de Estado, “uma coisa é certa, é que neste momento foi entendido pela Comissão que não era oportuno apreciar a matéria”. Na sua opinião, “é sensata a posição da Comissão”, adiantou.

Esta quarta-feira de manhã, o comissário europeu para os Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, afirmou que, sobre eventuais sanções a Espanha e Portugal, a Comissão concluiu que “este não é o momento certo, económica ou politicamente, para tomar esse passo”, mas frisou que a situação voltará a ser analisada “no início de julho”.

Interrogado sobre a possibilidade de virem a ser aplicadas sanções a Portugal por défice excessivo, o Presidente da República respondeu: “Vamos esperar por julho, e nessa altura espero que o bom senso e a compreensão do sacrifício dos portugueses possa pesar, quer nos comissários, quer nos membros do Conselho Europeu”.

Questionado se partilha a tranquilidade manifestada pelo executivo do PS, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou: “Estou tranquilo no sentido de que todos estamos a fazer o que podemos para explicar que o Governo anterior fez tudo o que podia para atingir o défice exigido por Bruxelas”.

Quanto à necessidade de medidas de consolidação orçamental adicionais este ano, o chefe de Estado retorquiu que a decisão anunciada esta quarta-feira”foi apenas um adiamento”.

“Não houve nenhuma tomada de decisão substancial sobre a matéria. A palavra última vai ser dada em julho, primeiro pela Comissão, depois pelo Conselho. Vamos manter a mesma serenidade e a convicção, até porque há um consenso nacional, aí claro, entre Governo e oposição no sentido de entender que não era justo penalizar o que foi feito no ano de 2015”, acrescentou.

O Presidente da República defendeu que “não há razões para alarmismo”, embora tenha reafirmado que “há razões para a preocupação com a situação económica envolvente” com impacto nas exportações portuguesas. (OBSERVADOR)

por Lusa

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