Mais de 80 armazéns encerrados há 38 dias no Hoji-Yá-Henda

(Foto: D.R.)

Duas comissões integradas por técnicos da administração e comerciantes trabalham para a reabertura dos armazéns.

Mais de 80 armazéns localizados no bairro Hoji- Yá- Henda, município do Cazenga, foram encerrados pelos fiscais da administração municipal, na perspectiva de serem feitas obras na via principal e organizar a rede comercial. No entanto, os comerciantes temem assaltos e a má conservação das mercadorias. Os proprietários dos conhecidos armazéns do Hoji-Yá- Henda têm as suas mercadorias confinadas há 38 dias e esperam por prejuízos que já consideram inevitáveis, sobretudo depois das chuvas do último mês de Abril. Malianos, senegaleses, guineenses, ivoirenses e angolanos dizem- se descontentes com o encerramento dos estabelecimentos comerciais, principal fonte de rendimento para muitas famílias. No local, lamentações, tristeza, preocupação e aflição compõem o cenário encontrado.

Mais de 100 pessoas no desemprego Ouvido pela reportagem de OPAÍS, o responsável pela negociação dos comerciantes, Mausra Dembe, referiu que estão a ser feitos acordos entre a Administração e os vendedores para que os armazéns voltem a abrir e retomarem as suas actividades. Há 15 anos em Angola, o comerciante gere cinco armazéns de roupas e outros produtos. Segundo ele, mais de 100 pessoas que trabalham na venda de roupa estão desempregados e sem outra fonte de rendimento para o sustento da família.

Quanto ao produto que comercializa, Mausra Dembe disse que as roupas e os sapatos são provenientes da China. Porém, o défice de divisas vai condicionar a importação de mercadoria para reabastecer os espaços. Por sua vez, o comerciante Haidara Cheic afirma que com o encerramento dos estabelecimentos os assaltantes vão aproveitar a saqueá-los, sobretudo a roupa, para vendê-la em outros lugares a preço mais cómodo. “Fomos com os fiscais confirmar alguns armazéns e encontramos as chapas fora do lugar e muita água no chão”, explica. “Os assaltantes roubaram sete mil peças de roupa. Até ao momento foram detidos quatro suspeitos, todos eles moradores dos arredores. O caso já foi entregue à Procuradoria e aguardamos pela resolução”, explica.

Encerramento dos armazéns estava previsto

O caso que está a tirar o sono aos comerciantes já é do conhecimento da Administração do Cazenga. De acordo com o administrador do Cazenga, Victor Nataniel Narciso, os armazéns não foram encerrados em razão do conflito registado entre os comerciantes e os fiscais. “Tany” Narciso explica que esta intenção já estava agendada há algum tempo, ainda no consulado de Maria Idalina Valente no Ministério do Comércio. O administrador disse que foram criadas duas comissões de trabalho, integrando técnicos da Administração e comerciantes locais, cujo objectivo é a solução de todos os problemas inerentes ao comércio no Hoji-Yá-Henda “Logo que as comissões acabem o trabalho será feita uma proposta e os armazéns serão reabertos de forma organizada. Por outro lado, estão a ser feitos trabalhos de limpeza e reabilitação de estradas”, explica. Questionado sobre a segurança dos armazéns, o responsável referiu que esta está garantida pela Fiscalização, e que foi dada a oportunidade aos comerciantes que pretendam recolher os seus produtos. Os armazéns do Hoji-Yá-Henda, município do Cazenga, em Luanda, são conhecidos pelo país em virtude dos preços módicos que praticam, sobretudo para o vestuário.

Comércio organiza sector

hendaEstá em curso um processo que visa a organização do Comércio Grossista em Luanda e noutras cidades capitais provinciais. O processo está a ser liderado pelo Ministério do Comércio, em estreita colaboração com os governos províncias. Em Luanda, onde existe o maior número de grossistas, o Executivo criou condições no Quilómetro- 30, município de Viana, para garantir maior conforto e organização da actividade. No local, mais de 50 empresários já instalaram os seus armazéns, vendendo ali os mais variados produtos. No entanto, o processo conhece um abrandamento, facto que faz com que as vendas nos bairros e centro de Luanda ainda continuem.

Na capital do país, os bairros que dominam as venda são o São Paulo, Rocha Pinto, Golf-2, e Hoji-Ya- Henda. O fenómeno estende-se às províncias da Huíla, Huambo e Bié, com as autoridades engajadas na busca de soluções para redefinir os espaços. No entanto, os comerciantes teimam em fazer vendas nos centros das referidas cidades, agrupando comércio a retalho e grosso. Nos armazéns, grande parte deles detidos por cidadãos oesteafricanos, provenientes do Mali, Guiné Conacry, Senegal, Mauritânia e Serra Leoa, pode-se comprar vestuário, electro domésticos, utensílios de cozinha, frescos (carne e frango) e acessórios para viaturas. É no Hoji-Ya-Henda onde está concentrado o maior número deste tipo de estabelecimentos comerciais. (opais)

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